UOL Notícias Internacional
 

12/11/2006

Rumsfeld financiou armas de uso questionável contra terroristas

The New York Times
Eric Rosenberg

Em Washington
No momento em que o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, deixava o palco, o presidente Bush o elogiou por reformular as forças armadas americanas, de um empreendimento moroso ao estilo Guerra Fria para uma força ágil, mais capaz de lidar com os terroristas da Al Qaeda.

A campanha de "transformação" de Rumsfeld "aumentará a segurança do povo americano por muitas décadas", disse o presidente Bush em breves comentários na semana passada, enquanto forçava a saída de Rumsfeld.

Mas tal adulação é merecida?

Armas altamente caras são o coração e alma do legado de Rumsfeld após seis anos no Pentágono. Elas incluem novos jatos, navios de guerra, submarinos e sistemas de combate terrestre do Exército. As forças armadas se organizarão em torno destas armas por muitas décadas.

As armas seriam formidáveis contra a antiga União Soviética, mas são de valor questionável contra organizações terroristas indistintas que carecem de bases militares ou centros de comando facilmente identificáveis.

Entre as armas que Rumsfeld promoveu:

  • A frota de 179 novos caças F-22 da Força Aérea que custarão mais de US$ 300 milhões cada.
  • A frota de até 12 novos destróieres DDV da Marinha que custarão cerca de US$ 3 bilhões cada.
  • A nova frota de até 30 submarinos classe Virginia da Marinha custando US$ 2,6 bilhões cada.
  • Os futuros sistemas de combate do Exército, sistemas de armas tripulados ou por controle remoto conectados por sensores sofisticados, no valor de US$ 161 bilhões.
  • O Joint Strike Fighter (caça de ataque conjunto), um jato para a Marinha, Força Aérea e Corpo de Marines. É o programa de armas mais caro na história americana, custando US$ 256 bilhões para cerca de 2.400 aviões.
  • A Força Aérea está iniciando os trabalhos preliminares em um novo bombardeiro, ao custo de pelo menos dezenas de bilhões de dólares.
  • O Pentágono e o Departamento de Energia estão desenvolvendo em conjunto uma nova ogiva nuclear, a um custo que provavelmente será de bilhões de dólares.


    "Estas armas não nos ajudam na luta contra a Al Qaeda e grupos como a Al Qaeda, e não precisamos delas contra adversários militares tradicionais porque já somos extremamente superiores", disse Charles Pena, um especialista em forças armadas do não partidário Instituto Independente.

    Em 11 de setembro de 2001, os Estados Unidos tinham a força militar mais potente do mundo, com as melhores aeronaves, tanques e soldados. Mas não puderam fazer nada para deter os ataques terroristas mortais daquele dia.

    "Os terroristas são indivíduos e células. Na maioria dos casos não são forças congregadas contra as quais você usa poder de fogo militar", disse Pena, autor do livro "Winning the Un-War: A New Strategy for the War on Terrorism" (vencendo a não-guerra: uma nova estratégia para a guerra contra o terrorismo).

    O terrorista mais infame detido na prisão americana em Guantánamo, Cuba —Khalid Sheikh Mohammed— não foi capturado por armas ou soldados americanos, mas em uma operação policial e de inteligência no Paquistão. Mohammed foi o principal arquiteto dos ataques de 11 de setembro de 2001.

    "Sob Rumsfeld, ainda há armas demais para lidar com ameaças de uma era passada", disse Lawrence Korb, um especialista em forças armadas do Centro para o Progresso Americano, um grupo não-partidário de pesquisa de segurança nacional.

    "Muitas destas armas realmente não são necessárias na guerra contra o terrorismo", disse Korb, um secretário assistente de Defesa no governo Reagan.

    Rumsfeld resumiu em 2004 a missão que lhe foi passada pelo presidente Bush. "O presidente pediu especificamente que realizássemos a transformação do departamento (de Defesa)", disse Rumsfeld na época. "Isto significa cuidarmos para a passagem do século 20 para o século 21, da era industrial para a era da informação, assegurarmos para que tenhamos capacidade que seja letal, ágil e de pronta disposição."

    Rumsfeld de fato deu alguns passos para enxugar as forças armadas para deveres antiterroristas. Ele cancelou duas armas do Exército —o obus Crusader e o helicóptero Comanche— por não serem adequados para combater o terrorismo; ele pressionou o Exército a se reorganizar em brigadas menores em vez de divisões imensas de soldados e tanques, para que as unidades pudessem ser enviadas mais rapidamente.

    E reforçou os elementos militares que se mostraram mais eficazes contra os campos terroristas no Afeganistão. Por exemplo, ele aumentou o número das forças especiais americanas e aeronaves não-tripuladas que podem espreitar furtivamente e disparar mísseis contra suspeitos de terrorismo.

    Mas tais mudanças são apenas cosméticas em comparação às imensas somas de dinheiro destinadas a armas questionáveis.

    A maior autoridade de inteligência do país, John Negroponte, chamou o terrorismo de "a ameaça preeminente aos nossos cidadãos".

    Se este é o caso, Rumsfeld financiou "armas dolorosamente irrelevantes", disse Winslow Wheeler, um ex-especialista em segurança nacional da equipe republicana do Comitê Orçamentário do Senado.

    Os Estados Unidos gastarão mais de US$ 500 bilhões nas forças armadas no ano fiscal que teve início em 1º de outubro, em comparação a cerca de US$ 331 bilhões em 2002. Para colocar isto em perspectiva, o orçamento da defesa americana é no mínimo igual, e segundo algumas estimativas maior, aos gastos em defesa de todo o resto do mundo. George El Khouri Andolfato
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