UOL Notícias Internacional
 

15/11/2006

Líder do Irã cita progresso em planos nucleares

The New York Times
William J. Broad e Nazila Fathi
O presidente do Irã declarou na terça-feira que o programa nuclear de seu país está se aproximando de um marco importante, ao mesmo tempo em que inspetores nucleares internacionais informavam ter encontrado traços inexplicados de plutônio e que Teerã continua não cooperando em responder às perguntas, a ponto de não terem conseguido confirmar as alegações anteriores de progresso.

A declaração do presidente Mahmoud Ahmadinejad de que o Irã espera dominar em breve o ciclo do combustível nuclear ocorre no momento em que as potências nucleares, com suspeitas de que o Irã está buscando meios para produzir armas nucleares, estão tentando chegar a um acordo quanto ao regime de sanções. O Irã diz que deseja apenas abastecer reatores e gerar eletricidade.

"Eu espero que possamos celebrar a plena nuclearização do Irã neste ano", disse Ahmadinejad durante uma coletiva de imprensa em Teerã, aparentemente se referindo a um programa que possa fazer de tudo, da extração do minério de urânio do solo ao enriquecimento dele em combustível para reator. O calendário do Irã termina em março.

Em seu mais recente relatório sobre o programa nuclear iraniano, a Agência Internacional de Energia Atômica, com sede em Viena, Áustria, disse que Teerã está dando continuidade aos seus esforços para purificar urânio ao mesmo tempo em que se recusa a responder perguntas básicas sobre seu programa atômico.

Por exemplo, o relatório disse que o Irã fracassou em fornecer pleno acesso às documentações necessárias para confirmar suas alegações de junho, de ter enriquecido urânio a um nível de 5%, o que é adequado para reatores.

O relatório também disse que os inspetores não obtiveram progresso na solução da origem dos traços descobertos anteriormente de urânio altamente enriquecido, que serve para bombas atômicas. Em setembro, a agência revelou a descoberta de partículas em um contêiner de um depósito de lixo atômico em Karaj, não longe de Teerã, mas reservou seu julgamento sobre a procedência do material e se poderia estar ligado a um programa secreto de armas nucleares.

Finalmente, o relatório disse que os inspetores encontraram recentemente traços de outra partícula inexplicada -plutônio- em amostras de contêineres em Karaj e que está analisando a resposta de Teerã sobre sua origem. O plutônio, assim como o urânio, pode alimentar armas nucleares.

"A menos que o Irã responda às antigas perguntas de verificação", concluiu o relatório, a agência atômica "continuará incapaz de obter maior progresso em seus esforços para verificar a ausência de atividades nucleares e materiais não declarados".

O relatório foi enviado para os 35 países que formam o conselho da agência atômica antes de sua sessão trimestral regular em Viena, na próxima semana, em 23 e 24 de novembro. Ele foi distribuído em caráter confidencial na terça-feira, mas rapidamente chegou aos repórteres.

Em Teerã, Ahmadinejad desafiou novamente as exigências internacionais para suspensão do enriquecimento de urânio e reiterou a meta final iraniana de enriquecimento -expandir seu programa a um nível industrial com 60 mil centrífugas.

Em uma coletiva de imprensa para jornalistas iranianos, ele também rebateu as sugestões de outras autoridades de que o Irã poderia suspender o programa de combustível para reator, dizendo que não há como o Irã voltar atrás.

Ahmadinejad disse que o Irã se preparou para enfrentar possíveis sanções. "Nada ainda foi aprovado contra o Irã, mas nós estamos prontos para qualquer condição", ele disse. "Eles farão o melhor que puderem, assim como nós. No final, o vencedor será aquele que se mantiver mais firme."

Ele disse que o Irã está disposto a realizar negociações com os Estados Unidos caso estes mudem sua atitude. "Nós queremos ter boas relações com todos os países, mas eles têm uma certa atitude e pensam que são donos do mundo", ele disse. "Nosso povo não pode tolerar isto." Ele disse que em breve enviaria uma mensagem ao povo americano explicando o ponto de vista dos iranianos.

Até o momento, o Irã já construiu duas cascatas de 164 centrífugas para enriquecimento de urânio -o processo de purificação usado para fazer o combustível para reator nuclear e, com maior pureza, para o núcleo de uma arma nuclear. Ele anunciou que deseja ter 3 mil centrífugas operando até março de 2007.

Especialistas nucleares estimaram que uma instalação com 3 mil centrífugas levaria até nove meses para produzir 25 quilos de urânio altamente enriquecido -o suficiente para algo entre uma e cinco armas nucleares pequenas, dependendo da perícia dos produtores da bomba.

Analistas de inteligência disseram que o Irã pode estar entre três a nove anos de dispor de capacidade para fabricar uma bomba atômica. George El Khouri Andolfato

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