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17/11/2006

Novo Bond silencia os pessimistas britânicos

The New York Times
Sarah Lyall

em Londres
Eles diziam que as orelhas de Daniel Craig saltavam para fora. Eles o chamavam de sr. Cabeça de Batata. Eles zombaram quando, ao chegar em uma lancha para um encontro com a imprensa, ele usava um salva-vidas sobre seu terno. Eles espalharam o rumor de que ele não sabia como trocar uma marcha.

Mas agora mesmo os críticos mais maldosos, os mais nostálgicos por Sean Connery no Reino Unido, parecem ter sido convencidos a baixar suas armas diante da atuação de Craig como um James Bond mais duro, determinado, no mais recente filme da série, "Cassino Royale". Diferente de suas previsões, eles disseram, Craig, 38 anos, não é loiro demais, tímido demais, com rosto batatudo demais ou peso-leve demais para o papel.

"Eu suspeito que houve um toque de gênio na escolha contra-intuitiva de Craig", escreveu Judith Woods no "The Daily Telegraph". "OK, ele não é absurdamente atraente. De fato, ele parece mais um vilão tchetcheno do que um insinuante bebedor de vodca martini. Mas seu olhar azul hipnótico e ar de vulnerabilidade ferida funcionam comigo toda vez."

Inseguro em relação ao seu lugar no mundo, o Reino Unido tem uma postura proprietária em relação aos filmes de James Bond, que retratam nostalgicamente suas forças de segurança como eficazes, mortais e relevantes. Muitos britânicos demonstraram interesse pessoal na busca pelo novo ator para substituir o Bond anterior, Pierce Brosnan. Entre os candidatos mencionados com mais freqüência estavam o atraente Clive Owen, o vigoroso Ewan McGregor e o travesso Colin Farrell.

Craig não foi uma escolha popular. Ele é um ator sério que interpretou um empresário traficante em "Nem Tudo É o Que Parece", um empreiteiro de obras passional que dorme com uma mulher mais velha em "Recomeçar", e o poeta Ted Hughes em "Sylvia -Paixão Além das Palavras". Os fãs de Bond disseram que ele carecia da despreocupação indizível e suavidade (sem contar do cabelo preto e do porte físico de mais de 1,80m) de Bond. Fãs amargos trocaram comentários maldosos em um site, craignotbond.com (Craig não é Bond). Houve conversa de boicote.

Mas Craig confundiu a todos com um Bond cujo forte sex appeal parece excitar homens e mulheres igualmente. Enquanto Wendy Ides, escrevendo para o "Times" de Londres, chamava a capacidade de atuação de Craig seu "principal ativo", para outros críticos ele tem um ativo ainda maior: seus grandes músculos, peito viril e coxas robustas.

"O atraente Daniel Craig submeteu seu corpo a um duro regime de exercícios para interpretar James Bond", escreveu Philip Boucher com admiração no "The Daily Star". "E o resultado é um tronco ondulado que muitos sujeitos matariam para ter." Boucher prosseguiu elogiando os "bíceps salientes, o abdome sensual e as coxas musculosas", antes de compartilhar "dicas de treinadores e especialistas da Marinha Real" para ajudar os leitores a terem um corpo semelhante.

As mulheres também se impressionaram com o corpo de Craig, começando pelo seu interesse amoroso no filme, interpretado por Eva Green, que a certa altura do filme elogia seu traseiro bem formado. "Ele é o Bond mais vigoroso que a série já viu", escreveu Zoe Williams no "The Guardian".

Craig disse a um entrevistador que sua filosofia pré-filmagem era a de que "se Bond em algum momento tirasse sua camisa, seria preciso que sentíssemos que ele é fisicamente imponente, que fez as coisas que supostamente fez, como ser um comandante da Marinha". Ele prova aptidão física para deveres navais e outros em uma cena erótica (ou homoerótica) na qual emerge da água em um short azul celeste que consegue ser sensualmente curta e justa sem se aventurar no território embaraçoso das sungas.

A cena faz lembrar o famoso momento de Ursula Andress de biquíni em "Dr. No", o primeiro filme da série, exceto pelo fato de que desta vez o objeto sexual é um homem, não uma garota. Mal capaz de se conter enquanto a descrevia no "The Guardian", Paul Flynn disse que considerou a cena "tão quente que me senti embaraçado em assisti-la, mesmo sozinho".

Mas para Sarah Sands do "The Daily Mail", o melhor momento do novo filme ocorre quando Craig está amarrado nu a uma cadeira, "prestes a ter seus testículos açoitados com uma corda pelo vilão". O bandido também se admira e elogia o corpo de Bond. "Quem pode contestar?" escreveu Sands. "O filme é uma homenagem ao abdome, uma celebração da musculatura. Ele será apreciado por todos, mas principalmente pelos fetichistas de academias de ginástica." George El Khouri Andolfato

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