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22/11/2006

Documentos militares incluem informações sobre atividades pacifistas

The New York Times
Eric Lichtblau e Mark Mazzetti

em Washington
Um banco de dados usado pelo Departamento de Defesa em um esforço para impedir ataques contra instalações militares incluiu dicas de inteligência sobre reuniões contra a guerra feitas em igrejas, bibliotecas, universidades e outros locais, segundo mostram os documentos recentemente revelados.

Um item no banco de dados de fevereiro de 2005, por exemplo, observa que "uma missa pela paz na igreja" seria feita na cidade de Nova York no mês seguinte. Outro observava que manifestantes contra a guerra fariam sessões de "treinamento de não violência" em igrejas não identificadas em Brooklyn e Manhattan.

O Departamento de Defesa corrigiu seus procedimentos no início do ano para assegurar que apenas materiais relacionados a atuais ameaças terroristas - e não à atividades pacíficas da Primeira Emenda - fossem incluídos no banco de dados.

O diretor do escritório que dirige o banco de dados militar, conhecido como Talon, disse na segunda-feira (20/11) que o material sobre protestos pacifistas não deveria nem ter sido coletado.

"Não quero isso, não deveríamos ter isso, não estamos interessados nisso", disse Daniel J. Baur, diretor interino da unidade de atividade de campo de contra-inteligência, que dirige o programa Talon no Departamento de Defesa. "Não quero lidar com isso."

Baur disse que os operadores do banco de dados enganaram-se quanto a sua tarefa e que o que deveria ser um banco de dados anti-terrorista tornou-se, em alguns aspectos, uma coleção de pistas sobre possíveis perturbações e ameaças contra instalações militares nos EUA, inclusive protestos contra a presença militar no Iraque.

"Acho que a política não era tão clara quanto poderia ser", disse ele. Quando o problema foi descoberto, "nós o corrigimos" e mais de 180 itens no banco relacionados a protestos contra a guerra foram excluídos do sistema no ano passado, disse. Milhares de outros foram retirados porque não eram mais "relevantes". O banco tem 13.000 itens, muitos pistas não corroboradas de possíveis ameaças terroristas.

Segundo Baur, em meio à controvérsia pública, o número de informações sobre possíveis ameaças vindas dos programas chamados de vigilância de bairro e outros caiu significativamente neste ano. Mesmo com as correções no sistema, Baur teme que as críticas públicas tenham criado "um efeito desanimador enorme" que leve os militares a perderem ameaças terroristas legítimas.

Baur estava reagindo ao último conjunto de documentos divulgado pelos militares depois de um pedido do Sindicato de Liberdades Civis Americano Aclu) e outros grupos usando o Ato de Liberdade de Informação. O Aclu planeja divulgar os documentos na terça-feira e membros do grupo disseram que iam pressionar os democratas recém eleitos para o Congresso a requisitarem audiências formais sobre o banco de dados Talon.

Segundo o advogado do Aclu em Nova York, Ben Wizner, os novos documentos sugerem que os esforços militares para reunir dados de inteligência sobre manifestantes foram muito além do que se sabia. Se membros da inteligência "vão fazer investigações ou monitorar um lugar onde as pessoas se reúnem para adorar ou estudar, eles devem ter uma indicação bem clara que um crime ocorreu", acrescentou.

O líder de um grupo pacifista mencionado repetidamente nos documentos militares mais recentes fornecidos ao Aclu duvidou que os militares tivessem parado de coletar material sobre protestos pacifistas. "Não acredito", disse o líder Michael T. McPhearson, ex-capitão do exército que é diretor executivo do Veterans for Peace, grupo de St. Louis.

Para McPhearson foi um desapontamento ver as referências ao seu grupo no banco de dados Talon, mas não uma surpresa. Ele disse que o grupo continuava a planejar suas manifestações ambientes públicos e na Internet. "Não temos nada a esconder", disse ele. "Não estamos fazendo nada ilegal."

Os documentos do Talon mostravam que os militares usavam uma variedade de fontes para coletar pistas de inteligência sobre protestos contra a guerra, inclusive um agente no Departamento de Segurança Interna, pesquisas no Google na Internet e mensagens eletrônicas encaminhadas por informantes com laços aos grupos manifestantes.

Na maior parte dos casos, os dados no banco Talon admitiam que não havia evidências específicas de terrorismo ou de distúrbios nos eventos pacifistas, mas advertiam para o potencial de violência.

Um item sobre o grupo de McPhearson, de abril de 2005, por exemplo, descrevia um evento na Universidade do Estado de Novo México em Las Cruces, na qual os manifestantes distribuíram panfletos contra os militares e montaram centenas de cruzes brancas simbolizando os soldados mortos no Iraque.

"Veterans for Peac' é uma organização pacífica", dizia o documento, mas acrescentava que havia a possibilidade de os protestos "se tornarem violentos". Deborah Weinberg

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