UOL Notícias Internacional
 

22/11/2006

Rebeldes do Nepal assinam acordo de paz com o governo

The New York Times
Tilak P. Pokharel e Somini Sengupta*
Para colocar um fim a uma guerra debilitante que durou mais de 10 anos e matou milhares, os rebeldes maoístas do Nepal assinaram um acordo de paz com o governo na noite de terça-feira (21/11), com a promessa de guardarem suas armas, pelo menos por ora, e permitirem que os eleitores decidam o futuro do país.

O acordo promete trazer os rebeldes, que controlam vários trechos do interior destituído, para a política convencional. Se os maoístas, que antes atuavam como um partido político mas decidiram trocar o caminho eleitoral pela luta armada, agora seguirão as regras da democracia parlamentar é a pergunta mais importante.

"É o início de um novo início", disse o líder maoísta, conhecido pelo seu nome de guerra, Prachanda, após assinar o acordo em Katmandu, a capital.

O primeiro-ministro Girija Prasad Koirala disse: "Isto passa a mensagem à comunidade internacional e aos terroristas de todo o mundo que nenhum conflito pode ser resolvido por armas. Pode ser resolvido pelo diálogo".

O acordo de paz abre o caminho para o cumprimento de uma das principais exigências dos maoístas: eleições para decidir se o Nepal permanecerá uma monarquia. O governo interino, ao qual os rebeldes concordaram em se juntar, organizará eleições no próximo ano para uma assembléia que determinará se o Nepal permanecerá um reino e, se for o caso, de que tipo.

Os maoístas prometeram repetidamente disputar as eleições e aceitar seus resultados. No sábado, durante uma visita a Nova Déli, Prachanda reiterou a promessa, dizendo que mesmo se o Nepal votar pela manutenção da monarquia, seus quadros continuariam pressionando pelo seu fim -mas o fariam de forma pacífica.

O acordo assinado na terça-feira em Katmandu ocorre um ano após os rebeldes terem se aliado aos principais partidos políticos do Nepal para derrubar o rei Gyanendra, que afastou os políticos eleitos do país e assumiu o controle do Estado no início do ano passado.

Protestos de rua em abril deste ano, apoiados pelos maoístas, levaram Gyanendra a entregar o controle ao Parlamento eleito, que tinha sido suspenso quatro anos antes. Nesta semana, uma comissão nomeada pelo governo considerou o rei responsável por abusos cometidos contra os manifestantes pró-democracia e pediu punição para ele.

Após o rei ter se rendido ao Parlamento, este foi rápido em remover poderes vitais dele, incluindo o controle do exército, e deu início a negociações de paz com os rebeldes, que declararam um cessar-fogo unilateral. Segundo o acordo de paz, os maoístas manterão seus combatentes armados aquartelados e o exército nepalês voltará ao seus quartéis.

Ian Martin, o emissário da ONU para o Nepal, disse em uma declaração na terça-feira que o acordo foi fechado nos locais de aquartelamento. Ele acrescentou: "O acordo de hoje promete converter o cessar-fogo em uma paz duradoura".

Os rebeldes, ainda aparentemente desconfiados de políticos e do palácio, ainda não baixaram totalmente suas armas. Eles concordaram em trancar suas armas mas estão segurando firmemente as chaves. A ONU monitorará a custódia das armas por meio de um circuito fechado de câmeras.

Grupos de direitos humanos acusaram os rebeldes de continuarem recrutando membros no interior, incluindo crianças, mas os maoístas negaram a acusação.

Os maoístas disseram que desejam que suas tropas sejam integradas ao novo exército nacional. Quantos e de que forma ainda não está claro. "Nós não somos comunistas dogmáticos e estamos preparados para mudar e debater nossas crenças com qualquer um", Prachanda teria dito segundo a agência de notícias "Reuters".

*Reportagem de Tilak P. Pokharel, em Katmandu, e de Somini Sengupta, em Nova Déli George El Khouri Andolfato

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