UOL Notícias Internacional
 

23/11/2006

Rússia estréia prêmio de literatura

The New York Times
Sophia Kishkovsky

em Moscou
Um novo prêmio nacional russo de literatura, que alega oferecer o segundo maior prêmio em dinheiro, atrás apenas do Nobel, foi dado pela primeira vez na noite de quarta-feira para Dmitry Bykov, um prolífico jornalista, romancista e ensaísta, por sua biografia "Boris Pasternak".

O prêmio -patrocinado pelo governo russo e oligarcas russos que fizeram fortuna com petróleo, commodities e bancos - é conhecido como Bolshaya Kniga, ou Grande Livro, e vem acompanhado de 3 milhões de rublos, ou pouco mais de US$ 113 mil. O Nobel concede um prêmio de cerca de US$ 1,4 milhão.

A biografia vencedora do autor de "Doutor Jivago" fez jus ao título do prêmio, contando com quase 900 páginas.

Alexander Kabakov, famoso aqui por seus escritos antiutópicos durante os anos finais do governo soviético, ficou em segundo lugar e com um prêmio de 1,5 milhão de rublos por seu romance "Everything Can Be Put Right" (tudo pode ser acertado), enquanto o terceiro lugar e 1 milhão de rublos foi para Mikhail Shishkin, um romancista russo que vive na Suíça, por "Maidenhair" (capilária).

Os vencedores foram anunciados em uma cerimônia na Casa Central dos Escritores, o cenário de décadas de intriga literária durante o período soviético. Centenas de pessoas bebiam vinho espumante russo e o ocupavam o árido salão, que remonta os dias do stalinismo. Grande parte do público estava vestida de forma casual, incluindo camisetas e suéteres. Fekla Tolstaya, uma conhecida personalidade da televisão e tataraneta de Leo Tolstoy, foi a mestre de cerimônia da noite. O plano é tornar o prêmio Grande Livro um evento anual.

"Eu acho colossal se isto acontecer no próximo ano e no ano seguinte", disse Kabakov em uma entrevista após a cerimônia. "A literatura soviética vivia de Prêmio Lenin em Prêmio Lenin. Isto basicamente pode substituir tal função."

Segundo os padrões ocidentais, foi um evento literário estranho. Os oligarcas bilionários não apenas financiaram o prêmio, mas também os membros da nova academia literária, ou júri, que escolheu entre os 14 finalistas. O júri incluía escritores como Eduard Radzinsky, co-presidente do júri; Alyona Doletskaya, a editora da "Vogue" russa; e líderes empresariais como Viktor Vekselberg, o magnata do petróleo e metais que comprou a coleção de ovos Fabergé de Malcolm Forbes.

Alexander Mamut, um financista que foi co-apresentador do terceiro prêmio, para Shishkin, é proprietário de uma rede de livrarias russas e comprou recentemente três editoras. "Foram a literatura e a música que tornaram a Rússia grande aos olhos do mundo, mais do que a bomba atômica", disse Pyotr Aven, um banqueiro que entregou o prêmio a Mamut.

Os críticos do prêmio o descreveram como uma tentativa dos oligarcas de ganhar algum crédito de relações públicas às custas da literatura. "Eles querem mostrar uma imagem cultural, eles querem mostrar sua relevância", disse Alexander Shatalov, um crítico literário que participou da cerimônia, mas não como membro do júri.

Apesar de ser mais lucrativo, o prêmio Grande Livro não é o único prêmio literário na Rússia. Mikhail Khodorkovsky, o ex-magnata do petróleo que atualmente está em uma prisão na Sibéria, financiou o Prêmio Literário Russo nos últimos anos. Ele está escrevendo breves tratados em sua cela.

Todo ano a concessão do prêmio provoca um debate furioso sobre o estado da literatura russa pós-soviética. O Grande Livro promete fornecer outro rico fórum para bate-bocas e discussões.

O estado da literatura moderna russa foi o assunto principal de uma mesa redonda entre os finalistas do Grande Livro, na véspera da cerimônia na Universidade de Ciências Humanas da Rússia. Apenas uma dúzia de estudantes compareceu, mas os quatro finalistas que participaram se mostraram animados em seus comentários, se queixando sobre o impacto da Internet e outros assuntos.

Kabakov, por exemplo, se disse incomodado com o sucesso de Oksana Robski, uma nova romancista popular especializada na recriação das vidas das mulheres mais ricas da Rússia, incluindo cenas de materialismo desnorteante, paixão de rasgar corpete e montanhas de cocaína.

Ele também apontou para "Dukhless" (ou "sem alma"), o mais recente best seller a explorar as profundezas da classe endinheirada, descrevendo a desintegração moral de um jovem executivo dos negócios em uma orgia de cocaína e sexo casual. Parece como "Brilho da Noite, Cidade Grande" ao estilo russo, e o livro tem recebido elogio de muitos, algo que incomoda Kabakov.

"Você pode dizer que 'A Crônica dos Forsyte' é um livro sobre a classe média, assim como 'Dukhless'", ele disse com escárnio. Mas negou sentir qualquer inveja do sucesso de tais livros. Tais escritores, ele disse, estão trabalhando em uma "profissão diferente". George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    15h29

    -0,93
    3,149
    Outras moedas
  • Bovespa

    15h35

    1,09
    68.719,02
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host