UOL Notícias Internacional
 

27/11/2006

Exército americano intensifica treinamento de forças de segurança iraquianas

The New York Times
Michael R. Gordon
Em Fort Riley, Kansas
Esta área do Kansas varrida pelos ventos se transformou no centro de uma grande mobilização do exército dos Estados Unidos no sentido de reformar o seu plano de treinamento das incipientes forças de segurança iraquianas.

Após o desempenho desapontador de várias unidades iraquianas e de reclamações de que os esforços iniciais para o treinamento de assessores norte-americanos foram prejudicados pela inércia burocrática, o exército transferiu a missão ao general Carter F. Ham, que já teve a experiência de ser comandante no Iraque.

Juntamente com quase mil soldados da sua Primeira Divisão de Infantaria, Ham tem procurado melhorar o treinamento dos assessores, enquanto o exército se mobiliza para melhorar a qualidade dessas equipes.

A iniciativa intensificada teve início de forma discreta neste verão, mas adquiriu proeminência nas últimas semanas, quando especialistas do governo e independentes recomendaram que as forças armadas aumentassem o número de assessores como parte de uma iniciativa renovada para fortalecer as forças de segurança iraquianas.

"O exército está fazendo uma transição de uma tarefa que estava longe de ser uma alta prioridade para uma outra que é de importância máxima", afirmou Jack Keane, general da reserva de quatro estrelas que já foi vice-comandante do alto-comando do exército durante os primeiros meses da guerra. "E isso é algo que já deveria ter sido feito há muito tempo".

Comandantes militares norte-americanos graduados calculam que o fortalecimento das forças iraquianas, aliado a medidas de reconciliação política por parte do governo iraquiano, permitirá que os iraquianos assumam mais responsabilidade pela sua segurança e que os Estados Unidos comecem um dia a retirar as suas forças do país.

Mas até o momento o exército iraquiano tem enfrentado dificuldades para fornecer todos os reforços que os comandantes norte-americanos solicitaram para intensificar a operação de segurança em Bagdá, neste momento em que o índice de violência sectarista dispara. Ao mesmo tempo, o governo iraquiano ainda precisa confrontar as milícias do país, algumas das quais exercem um controle significativo sobre as unidades policiais. Ainda não se sabe se o aumento do número de assessores norte-americanos poderá resultar nos ganhos em termos de segurança desejados pelos Estados Unidos.

Mesmo assim, em exercícios recentes, os futuros assessores se depararam com uma dose prematura de realidade, em treinamentos que incluem cenários atormentantes que eles provavelmente encontrarão no Iraque: um comandante de um batalhão iraquiano discutindo furiosamente com o seu congênere da polícia iraquiana, tropas iraquianas que seviciam um detento e uma multidão furiosa com soldados que realizaram uma operação de surpresa.

O exército dos Estados Unidos tem uma longa experiência em treinar e deslocar assessores militares, especialmente no Vietnã. Lá, o exército deu início a tal operação com um programa ativo de assessoria antes que os combates se intensificassem, transformando-se em um grande conflito. No Iraque, no entanto, a guerra teve início com combates expressivos. Os assessores dos Estados Unidos, atualmente chamados de "equipes de transição", foram introduzidos mais tarde, quase que como uma tentativa de remediar um esquecimento.

"Quando demos início a esse projeto de equipes de transição tanto no Iraque quanto no Afeganistão, tratava-se em grande parte de uma proposição empírica", disse Ham, que reconheceu que o programa enfrentou problemas iniciais. "A seleção de indivíduos para atuar nas equipes de transição foi provavelmente mais aleatória do que qualquer coisa que já tivemos anteriormente. O treinamento não foi padronizado para todos os locais de treinamento. A impressão que se teve foi a de que o projeto não contou com recursos igualmente distribuídos por todas as forças armadas. Creio que foi isso que gerou parte das críticas iniciais, e, para mim, a crítica foi justa e pertinente", acrescentou Ham. "Precisamos realizar essa tarefa de forma melhor, e essa iniciativa que deu início ao treinamento aqui em Fort Riley é parte disso".

Existem atualmente mais de 4.000 soldados norte-americanos distribuídos por mais de 430 equipes cuja função é assessorar o exército, as forças policiais e os guardas de fronteira iraquianos. O general John P. Abizai, chefe do Comando Central dos Estados Unidos, disse recentemente que os Estados Unidos pretendem aumentar o número das suas equipes, que geralmente contam com 11 membros, de forma que elas possam treinar melhor os batalhões iraquianos, que podem contar com mais de 700 soldados.

Abizaid disse ainda que o plano é fazer com que os assessores trabalhem em conjunto não só com os batalhões iraquianos, mas também com os escalões inferiores, junto a companhias e possivelmente até a pelotões. Essas idéias, no entanto, ainda precisam ser incorporadas ao programa de treinamento de assessores.

Ham trabalhou com oficiais graduados de duas das suas brigadas para organizar o programa, em um prazo de apenas 60 dias. Os soldados praticam várias técnicas de combate, incluindo métodos para evitar as sempre presentes bombas de beira de estrada. Eles também recebem algum treinamento cultural e, para aqueles que seguem para o Iraque, 50 horas de instrução em língua árabe - o que é suficiente para proporcionar apenas as habilidades mais rudimentares. Porém, isso se constitui em mais treinamento do que o recebido pela maioria dos assessores anteriores.

Há ainda um treinamento adicional no Kuait e na ampla base militar dos Estados Unidos em Taji, no Iraque.

De acordo com Ham, as atuais equipes de assessores contam com mais soldados da ativa do que as equipes anteriores, que atuaram em uma época na qual era mais comum o uso de reservistas. Como questão de política do exército, a formação das equipes é atualmente, para os oficiais, uma prioridade mais alta do que o preenchimento das vagas vazias nas unidades que estão em alerta para serem enviadas ao Iraque e ao Afeganistão.

Segundo os planos atuais, Fort Riley treinará a maior parte das equipes do exército que são enviadas para assessorar o exército iraquiano, a polícia nacional e a guarda de fronteira. O restante das equipes do exército será recrutada nas unidades que estão no Iraque (os fuzileiros navais treinam os seus assessores separadamente).

Na área do conflito, as equipes são comandadas pelo general Dana Pittard, um assistente do comandante de divisão que passa as informações sobre os resultados a Fort Riley. A expectativa é que os assessores dos Estados Unidos ainda fiquem vinculados às unidades do exército e da polícia iraquianas mesmo após o início da retirada das forças de combate norte-americanas.

"Sinto que seremos os últimos homens ao final da presença norte-americana aqui", disse Pittard em agosto.

O major Andrew Yerkes, que está liderando a equipe encarregada de assessorar a Polícia Nacional do Iraque, viu-se em uma situação difícil durante um recente exercício. Uma briga irrompeu entre uma pessoa que fazia o papel do comandante de um batalhão iraquiano e uma outra que atuava como capitão da polícia do Iraque. O motivo da confusão foi a discórdia quanto à forma de assumir o controle sobre uma cidade. Tratava-se de uma situação realista, já que o exército iraquiano é em sua maior parte xiita, e a polícia nas áreas sunitas é recrutada nas comunidades locais. Em uma questão de minutos, o comandante do batalhão iraquiano retirou-se irritado, fazendo com que Yerkes e os seus soldados refletissem sobre como dissipar as tensões de forma mais eficiente no futuro.

"O incidente mostrou à minha equipe um fragmento diferente de uma cultura à qual nós não fomos expostos, e nos obrigou a pensar sobre o problema", explicou o major.

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