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29/11/2006

Arte chinesa está tão quente no Oriente quanto no Ocidente

The New York Times
David Barboza

em Xangai, China
Com os preços da arte contemporânea chinesa em alta, a Christie's abriu sua semana de leilões de arte em Hong Kong realizando vendas recordes de US$ 67,9 milhões de arte contemporânea asiática e chinesa do século 20.

Compradores ricos da China e de outras partes da Ásia estão atualmente disputando com os colecionadores europeus e americanos a compra de obras chinesas que, há apenas cinco anos, eram praticamente ignoradas pelo mercado de arte internacional.

Uma obra dos anos 20 de Xu Beihong, um dos pintores mais conhecidos da China do início do século 20, foi vendida na Christie's no domingo por US$ 7 milhões, um preço recorde para qualquer pintura chinesa. Intitulada "Escravo e Leão", é uma pintura a óleo ao estilo ocidental que retrata uma cena de uma história que se passa no Império Romano.

Ainda mais notáveis foram os preços pagos por obras de artistas chineses vivos, especialmente pintores e autores de instalações que começaram a trabalhar nos anos 80, incluindo Wang Guangyi, Zhang Xiaogang, Yue Minjun, Zeng Fanzhi, Cai Guoqiang e Liu Xiaodong. Há poucos anos, suas obras podiam ser adquiridas por US$ 30 mil ou menos.

Hoje, há listas de espera que duram vários anos e o leilão da Christie's foi apenas a mais recente amostra da guerra de lances que estes artistas inspiram. "Tiananmen Square", por exemplo, uma obra de Zhang de 1993, foi vendida por pouco mais de US$ 2,3 milhões, um recorde para o artista. Esboçada em amarelo vivo e cinza azulado, a pintura está destituída de vida humana; mas linhas vermelhas delicadas no primeiro plano insinuam o massacre da Praça Tiananmen em 1989.

Zhang, 48 anos, que é mais conhecido por uma série de retratos de família durante a Revolução Cultural, talvez seja o artista mais procurado na China. Seu "Bloodline: Comrade Nº 120", uma obra menor, foi vendida por US$ 979.200 na Sotheby's de Nova York, em março, surpreendendo o mundo dos leilões.

Mas no domingo, além de sua venda recorde, outra obra dele foi vendida por US$ 1,9 milhão, e duas pinturas chegaram perto de US$ 1 milhão. A Christie's chamou os US$ 2,3 milhões por "Tiananmen Square" de o preço mais alto no mercado internacional de leilões por uma pintura a óleo de um artista experimental chinês vivo.

Mas na semana passada, em um leilão em Pequim, uma pintura de Liu foi vendida por mais de US$ 2,7 milhões. O imenso panorama, de aproximadamente 9 por 3 metros, intitulado "População Recém Deslocada" e retratando o local de construção da hidrelétrica de Três Gargantas, foi adquirido por um chinês dono de restaurante.

O leilão da Christie's em Hong Kong estabeleceu recordes para vários outros artistas chineses, incluindo Yue, famoso por seus retratos de homens chineses, que se parecem muito com ele mesmo, tendo ataques de riso. Seu "Kites" foi vendido por US$ 962 mil. "Mask 1999, Nº 3" de Zeng, parte de uma série de pessoas vestindo máscaras brancas, foi vendida por recordes US$ 816.400.

A crescente demanda por arte contemporânea chinesa tem contribuído para um boom de construção aqui em Pequim, onde novas galerias de arte e espaços de exposição estão sendo inaugurados virtualmente toda semana. Algumas pessoas no mundo da arte estão até começando a falar em uma bolha. George El Khouri Andolfato

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