UOL Notícias Internacional
 

29/11/2006

Pilotos americanos envolvidos em colisão no ar ainda detidos no Brasil

The New York Times
Paula Prada e Matthew L. Wald*
Os dois pilotos de um jato executivo de propriedade americana que colidiu com um avião de passageiros brasileiro sobre a floresta Amazônica há dois meses, ainda estão retidos no país pelas autoridades brasileiras, apesar da crescente pilha de documentos de investigadores brasileiros e internacionais indicar que não cometeram erro que tenha contribuído no choque.

Na semana passada, os investigadores brasileiros tomaram tardiamente os depoimentos dos controladores de tráfego aéreo que estavam em serviço no momento do acidente, em 29 de setembro. O empregador dos controladores, a Força Aérea Brasileira, disse anteriormente que não estão disponíveis por causa do trauma psicológico do acidente. As autoridades brasileiras disseram que a investigação poderá levar mais 10 meses.

Os pilotos não tiveram interação com os investigadores desde 3 de outubro, segundo o deputado Peter T. King, republicano de Nova York, cujo distrito em Long Island inclui Ronkonkoma, onde fica a ExcelAire, a empresa de táxi aéreo para a qual os pilotos trabalham.

Na última quarta-feira, a Comissão Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos, que segundo um tratado internacional participa da investigação, divulgou uma atualização sobre o acidente que matou todas as 154 pessoas a bordo do avião de passageiros, um Boeing 737 que tinha apenas algumas semanas de uso.

A atualização disse que ambos os aviões foram instruídos pelos controladores à mesma altitude, 37 mil pés, e que o jato executivo, um Legacy 900 fabricado por uma empresa brasileira e que estava sendo entregue para a ExcelAire, se estabeleceu naquela altitude quase uma hora e meia antes da colisão.

O relatório da comissão americana não chegou a qualquer conclusão - um trabalho que caberá ao Brasil - mas não sugeriu que a tripulação americana, Joseph Lepore, de Bay Shore, Nova York, e Jan P. Paladino, de Westhampton, Nova York, tenham se desviado das instruções. Logo após um juiz brasileiro ter ordenado que a polícia apreendesse os passaportes dos dois homens, no início de outubro, um promotor, Adriano Alves, disse: "Várias hipóteses apontam para a possibilidade de erro do piloto". Ele sugeriu que a tripulação poderia ter desligado o dispositivo que indica aos controladores de tráfego qual é sua altitude, para permitir que subissem a uma altitude mais favorável, 1.000 pés acima do que estabelecia seu plano de vôo.

Apesar de tal idéia já ter sido descartada por muitas autoridades brasileiras, um tribunal federal brasileiro indeferiu no início deste mês o pedido dos pilotos para que seus passaportes fossem devolvidos. A decisão está sendo apelada.

O dispositivo, um transponder, deixou de funcionar, mas não há indício de que a tripulação o tenha desligado. Na verdade, a atenção pública no momento se desviou dos pilotos para a disputa entre altos oficiais da Aeronáutica e seus subordinados do tráfego aéreo.

Os controladores, que buscam condições de trabalho mais favoráveis, promoveram uma operação padrão nas últimas semanas, provocando grandes atrasos em vôos por todo o país. Suas queixas, rejeitadas pelos oficiais da Aeronáutica, levaram na semana passada o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele mesmo sob pressão por causa dos atrasos, a afastar os dois generais encarregados do tráfego aéreo.

Enquanto isso, altos oficiais da Aeronáutica sugeriram que um erro por parte dos controladores poderia ter levado à colisão. O tenente-brigadeiro-do-ar Luiz Carlos da Silva Bueno, o comandante da Aeronáutica, disse a uma comissão do Senado brasileiro, na semana passada, que os controladores podem ter se confundido ao transmitirem informação ao jato executivo.

Mas os controladores rejeitaram prontamente a sugestão em seu depoimento. Normando Cavalcanti, um advogado que representa os controladores, disse: "Se ocorreu uma falha foi devido ao sistema de tráfego aéreo, não aos controladores".

A Aeronáutica está encarregada do sistema de tráfego aéreo e da investigação.

Na última sexta-feira, a Federação Internacional das Associações de Controladores de Tráfego Aéreo, com sede em Montreal, emitiu uma declaração afirmando que o projeto do sistema brasileiro é ruim e pode ter enganado os controladores quando o transponder falhou. O coronel Paullo Esteves, um porta-voz das operações de tráfego aéreo da Aeronáutica, disse que não havia técnicos disponíveis no momento para responder às afirmações da federação.

A federação também disse que as autoridades brasileiras devem "libertar
imediatamente" os americanos.

*Reportagem de Paulo Prada, no Rio de Janeiro, e de Matthew L. Wald, em Washington George El Khouri Andolfato

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