UOL Notícias Internacional
 

01/12/2006

Bush nega plano de retirada do conselho do Iraque

The New York Times
Sheryl Gay Stolberg

em Amã, Jordânia
O presidente Bush proclamou na quinta-feira (30/11) que o primeiro-ministro Nuri Kamal Al Maliki era "o sujeito certo para o Iraque" e disse que tinham concordado em acelerar a passagem da responsabilidade da segurança das forças americanas para as iraquianas. Bush, entretanto, negou uma decisão de um conselho independente bipartidário, que deve pedir pela retirada gradual das tropas.

"Sei que há muitas especulações que esses relatórios em Washington significam que haverá algum tipo de saída graciosa do Iraque", disse o presidente durante uma conferência com a imprensa conjunta com Al Maliki na Jordânia, referindo-se ao relatório final do conselho, que deve ser entregue na semana que vem. "Vamos ficar no Iraque para terminar o serviço pelo tempo que o governo nos quiser lá."

Bush também disse que ele e Al Maliki iam se opor a qualquer plano de desmembrar o país, dividido pela violência sectária. Os dois apareceram juntos depois de uma reunião com assistentes que durou uma hora no café da manhã, no Hotel Four Seasons em Amã, seguida por uma sessão fechada dos de 45 minutos.

"O primeiro-ministro deixou claro que a divisão do país em partes, como alguns sugeriram, não é o que o povo iraquiano quer, e que qualquer partição do Iraque apenas levaria a um aumento da violência sectária", disse Bush, acrescentando: "Eu concordo."

Os dois líderes não estabeleceram uma agenda para apressar o treinamento das forças iraquianas, que Bush descreveu como evoluindo "do zero". Uma autoridade administrativa sênior que participou do café da manhã e pediu anonimato disse que ainda há obstáculos.

"Este não é simplesmente um processo de passar o bastão", disse a autoridade, acrescentando: "Os EUA e o Iraque não estão disputando o controle do leme. Os EUA querem que o Iraque esteja firmemente com o leme nas mãos, e a questão é como chegar lá o mais rápido possível."

A conferência com a imprensa ocorreu contra um cenário de violência crescente no Iraque e tensões entre os dois líderes. Na quarta-feira à noite, Al Maliki tomou o passo incomum de desmarcar uma reunião com o presidente Bush. A atitude gerou embaraço para a Casa Branca e ocorreu logo após a publicação de um memorando secreto do Assessor de Segurança Nacional, Stephen J. Hadley, questionando a liderança de Maliki.

Na quinta-feira, os dois homens tentaram neutralizar as sugestões de que o relacionamento estava tenso. Bush disse novamente que tinha confiança no primeiro-ministro iraquiano.

"Pude observar o surgimento de um líder", disse o presidente, descrevendo as ameaças que Al Maliki recebeu desde que se tornou primeiro-ministro, inclusive tiros contra sua casa. O presidente acrescentou: "Não é possível liderar sem coragem. Ele tem coragem e demonstrou isso nos últimos seis meses."

Al Maliki, de sua parte, negou qualquer sugestão de que o cancelamento da reunião de quarta-feira devia-se à irritação ou mágoa e disse que o encontro -que deveria incluir o rei Abdullah II da Jordânia- tornou-se desnecessário porque o primeiro-ministro e o rei já tinham discutido mais cedo. "Então não há problemas", disse Al Maliki.

A autoridade disse que o assunto do memorando de Hadley não surgiu durante o café da manhã, exceto por algumas piadas sobre vazamentos para a mídia - uma referência ao New York Times, que publicou o memorando na quarta-feira. A autoridade disse que Bush e Al Maliki pareciam confortáveis um com o outro. "Não havia nuvem alguma sobre a reunião", disse ela.

Ainda assim, as tensões pareciam borbulhar logo abaixo da superfície. Os dois líderes mal se olharam durante a conferência com a imprensa. E quando Bush, em certa altura, perguntou ao primeiro-ministro se ele gostaria de continuar respondendo perguntas dos repórteres, o primeiro-ministro virou a cabeça para o presidente e lançou um olhar incrédulo a Bush.

A reunião de cúpula e a conferência com a imprensa ressaltaram a pressão que cada um está enfrentando para que façam mudanças em seu relacionamento.

No caso de Bush, essa pressão vem tanto dos democratas, que estão prestes a assumir o controle do Congresso e querem a retirada das tropas, e do conselho independente chamado Grupo de Estudo do Iraque, liderado pelo ex-secretário de Estado James Baker, que deve entregar seu relatório na semana que vem pedindo uma retirada gradual das tropas, sem um cronograma específico.

No caso de Al Maliki, a pressão vem de Muqtada Al Sadr, clérigo xiita radical que quer que os americanos saiam do Iraque e cujos seguidores disseram na quarta-feira que iam boicotar o governo iraquiano por causa da decisão de Al Maliki de reunir-se com Bush. Assessores da Casa Branca querem que Al Maliki reduza sua dependência da facção de Sadr, mas Al Maliki evitou a questão na quinta-feira.

"Minha coalizão não tem só uma entidade", disse o primeiro-ministro por meio de um intérprete. "O Sr. Sadr e os sadristas são apenas um componente que participa do parlamento."

Em sua volta a Bagdá, Al Maliki ligou para os membros do bloco de Sadr para que pusessem fim ao boicote. Ele descreveu Al Sadr como "um parceiro no processo político" que tem direito a expressar suas opiniões. Mas Al Maliki disse que as discordâncias deveriam ser resolvidas dentro do Parlamento Iraquiano. "Desejo que mudem sua decisão", disse ele, acrescentando que o boicote "não representa um desdobramento positivo".

Em Amã, o presidente e o primeiro-ministro não disseram especificamente como eles pretendiam apressar a transferência da responsabilidade por segurança das forças americanas para as iraquianas e não anunciaram quaisquer marcos ou metas pelas quais medi r o progresso. "Assim que possível", disse Bush, quando perguntado quão rapidamente ele esperava que ocorresse a transferência.

"Perguntam-me sobre o cronograma desde que entramos nisso. Todos os cronogramas se referem ao cronograma para a retirada", prosseguiu. "Isso serve apenas para criar expectativas não realistas." Kirk Semple contribuiu de Bagdá. Deborah Weinberg

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