UOL Notícias Internacional
 

01/12/2006

Hizbollah planeja protesto para derrubada do governo

The New York Times
Michael Slackman*

em Beirute, Líbano
O Hizbollah e seus aliados políticos disseram na quinta-feira (30/11) que pretendem ocupar o centro desta cidade a partir de sexta-feira, com um imenso protesto sentado que disseram que durará o quanto for necessário para forçar a renúncia do governo.

Aparecendo no "Al Manar", o canal de televisão do próprio Hizbollah, o líder do grupo, o xeque Hassan Nasrallah, pediu por um protesto sentado pacífico para derrubada do governo porque este, segundo ele, "falhou em cumprir suas promessas e realizar qualquer coisa significativa".

O protesto seria a escalada mais volátil no que se transformou em uma luta mortal entre o Hizbollah pró-Síria, pró-Irã, e seus adversários, a aliança 14 de Março pró-Ocidente, que lideram o atual governo. O governo já está fragilizado e mal se mantendo após a renúncia de seis ministros aliados do Hizbollah.

A coalizão do governo permaneceu desafiante, comparando as ações do Hizbollah a um golpe. Em um discurso televisionado, o primeiro-ministro Fouad Sinoria atacou o Hizbollah, o culpando de arrastar todo o Líbano para uma guerra com Israel e pelo "alto preço" que o país pagou. Ele disse que seu governo não renunciará e que o Hizbollah e seus aliados procuram "derrubar meu Gabinete, a legitimidade do Líbano, a Constituição do Líbano e transformar o Líbano em um campo de batalha dos conflitos regionais".

"Eu vou permanecer no cargo e defender a democracia e a independência, e não nos assustaremos com suas ameaças e nem seremos aterrorizados por suas ameaças", ele disse.

Em seu breve discurso, feito na manhã de quinta-feira, Nasrallah pediu ao povo do Líbano que se junte ao protesto, que ele disse que terá início às 15 horas e prosseguirá ininterrupto até que haja um novo governo. Ele tem demonstrado consistentemente sua capacidade de atrair dezenas de milhares de seguidores às ruas. Ele também será auxiliado por seu aliado, o general Michel Aoun, que é considerado o líder político cristão mais popular no país.

"Vocês, o povo libanês", disse Nasrallah, "provenientes de diferentes regiões, pensamentos, crenças, religiões, ideologias e diferentes tradições, estão todos convidados a participar em um movimento popular pacífico, civilizado, que representa nossas crenças e pontos de vista para promover os assuntos políticos de forma pacífica, em uma abordagem cívica para obtenção desta escolha".

Desde o fim da guerra com Israel, na metade do ano, o Hizbollah, uma organização política e milícia xiita, argumenta que sua aliança deve ter mais poder -especialmente poder de veto- em todas as ações do governo.

A coalizão de governo permanece desafiadora. "Nós estamos determinados a rejeitar a extorsão e chantagem atualmente praticada por meio de pressão popular para forçar a renúncia do governo ou uma mudança no regime democrático no Líbano", disse Marwan Hamadeh, ministro das Telecomunicações. "Nós aceitamos manifestações pacíficas desde que não cruzem as linhas vermelhas e ameacem as instituições públicas e privadas."

Com as tensões já elevadas, a perspectiva de tantas pessoas comparecerem ao centro de Beirute tem provocado temores por toda a cidade de que o protesto poderá fugir de controle e levar a violência e conflito civil. O Hizbollah tem a reputação de manter uma rígida disciplina e promover eventos bem coreografados, mas isto não diminui o medo. As forças militares foram colocadas em alerta, a segurança foi aumentada por toda a cidade e transportes blindados começaram a assumir posições nos arredores da Praça dos Mártires.

"Não vai parar aqui", disse Oussama Safa, diretor do Centro Libanês de Estudos Políticos, um instituto de pesquisa. "O governo não renunciará, eles não deixarão as ruas e recorrerão à violência."

*Nada Bakri, em Beirute, contribuiu com reportagem.

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