UOL Notícias Internacional
 

05/12/2006

Em relação ao euro, Leste Europeu tem problemas e dúvidas

The New York Times
Carter Dougherty

em Vilna, Lituânia
Uma nação orgulhosa que abriu o caminho na ruptura do domínio soviético sobre os países Bálticos, a Lituânia estava buscando ser novamente um primeiro em 1º de janeiro de 2007, ao adotar o euro antes de qualquer um de seus pares no Leste Europeu. Mas dominar a política da adoção de uma nova moeda provou ser mais difícil do que escapar de um império em colapso.

Em 2006, a Lituânia se juntou à maioria do Leste Europeu no adiamento de sua meta de adoção da moeda comum européia para 2009 ou além.

Sua liderança, que fez um forte lobby pelo ingresso na zona do euro no próximo ano, agora reconhece que tal ingresso poderá levar alguns anos. "Mudanças econômicas e políticas dentro de nossos países podem ocorrer de forma dramaticamente rápida", disse Zigmantas Balcytis, o ministro das Finanças da Lituânia, em uma entrevista. "Basicamente, tudo mudou."

Por grande parte da região neste ano, as situações são semelhantes e as datas para adoção do euro estão sendo adiadas com regularidade. Apesar do ingresso da minúscula Eslovênia na zona do euro em 1º de janeiro, nenhum dos outros novos membros da União Européia no Leste Europeu parece pronto para trocar suas moedas antes de 2009, no mínimo.

Falando amplamente, os países que experimentaram um desvio no último ano se enquadram em duas categorias: países grandes com problemas fiscais e crescente resistência política ao euro, e pequenos países que querem ingressar mas apresentam índices de inflação que escalaram devido ao rápido crescimento de suas economias.

A Polônia, com mais da metade da população dos novos membros da união no Leste Europeu, está se recusando a estabelecer uma data para o ingresso. A Hungria, atrapalhada por uma crise no governo que levou milhares às ruas para protestar, em outubro, abandonou a meta anterior de 2010 e não escolheu uma nova data; a República Tcheca também não tem data para adoção do euro, após recuar da meta de 2009. E na Eslováquia, o júri ainda não se decidiu se um novo governo populista manterá a atual data de 2009.

No início de 2006, a Estônia, cuja economia é a estrela entre seus pares, abandonou os planos de adoção do euro em 2007 e com alguma sorte conseguirá em 2009. A Letônia, outra economia que cresce rapidamente, poderá não chegar lá antes de 2010.

Com tal cenário de fundo, o Banco Central Europeu e a Comissão Européia emitirão seus relatórios bienais sobre expansão da zona do euro em 6 de dezembro, e seus veredictos estão ganhando contornos sombrios. Ambas as instituições provavelmente relatarão que, com exceção da Eslovênia, que recebeu o sinal verde no início deste ano, nenhum dos novos membros da União Européia no Leste Europeu atenderá aos critérios para adoção do euro, de baixos índices de inflação e déficits orçamentários abaixo de 3% do produto interno bruto.

Eles também provavelmente destacarão que os países devem provar que podem manter o bom retrospecto no futuro, uma sugestão implícita de que nenhum deles pode fazê-lo por ora.

Por anos, a perspectiva de adoção do euro ajudou a estabilizar as economias do Leste Europeu. Mas os adiamentos estão abalando a fé dos mercados financeiros.

Os mercados de títulos aumentaram ligeiramente as taxas de juros que a Hungria e a República Tcheca devem pagar sobre suas dívidas do governo, enquanto na Polônia, o investimento de capital estrangeiro em títulos e ações declinou acentuadamente. "Nunca há um único motivo para algo assim acontecer", disse Rafal Antczak, um economista da Case, uma organização de pesquisa de políticas de Varsóvia. "Mas o enfraquecimento da convicção destes países em ingressar na zona do euro certamente tem um papel."

O governo nacionalista-populista da Polônia, liderado pelos gêmeos Lech e Jaroslaw Kaczynski, não apenas não estabeleceu uma data alvo, mas recentemente lançou a idéia de realização de um referendo em 2009 sobre o ingresso ou não na zona do euro.

Bruxelas recebeu tal idéia friamente, notando que as votações de 2005 sobre a Constituição da União Européia terminaram em desastre. "Dadas as recentes experiências na França e Holanda", disse o comissário para assuntos econômicos e monetários, Joaquín Almunia, "eu não aconselharia ninguém a fazê-lo".

A Hungria está igualmente não pronta para adotar a moeda comum, com um déficit orçamentário próximo de 10% do produto interno bruto, mais de três vezes o limite para os países da zona do euro. A República Tcheca apresenta igualmente déficits bem acima do limite de 3%, e seu presidente, Vaclav Klaus, é abertamente cético em relação ao euro.

Na Lituânia, por outro lado, Balcytis não hesita em endossar o euro para seu país, dizendo que seu forte crescimento não durará para sempre e que a moeda comum é a melhor proteção contra mercados financeiros instáveis. "Nós agora estamos passando por bons tempos", ele disse, "mas algum dia enfrentaremos tempos ruins".

Para a Polônia e Hungria, a vida sem o euro parece administrável apesar dos custos.

Mas no Báltico, onde as moedas já estão atreladas ao euro, os políticos estão convencidos de que a adesão é preferível a ficar de fora. "Os países pequenos estão abertos de forma que vão além da economia", disse Simon Tilford, um economista do Centro para Reforma Européia, em Londres. "O debate sobre seus futuros econômicos é muito mais insular."

Mas os países pequenos têm seu próprio problema: a inflação. Com forte crescimento neste ano entre 8% e 12%, mercados de trabalho rígidos e preços de energia em alta, os países bálticos estão enfrentando inflação anual entre 3,5% a 6,5%. O ingresso na zona do euro exige índices de inflação menores que estes.

Com suas moedas atreladas ao euro, estes países não podem usar política monetária como faz a maioria para derrubar a inflação. Uma austeridade brutal na forma de fortes aumentos de impostos e grandes superávits orçamentários esmagaria a inflação, mas ao preço de estrangular o crescimento econômico, o que os economistas dizem que não faz sentido econômico nem político.

Assim, alguns países escolheram a melhor opção seguinte - esperar - mesmo enquanto se lamentam de sua incapacidade de controlar os obstáculos entre eles e o euro. "Eles estão errados, aqueles que criaram a ilusão de que o controle da inflação está apenas nas mãos do governo", disse o primeiro-ministro da Estônia, Andrus Ansip.

A Lituânia se candidatou ao ingresso na zona do euro no início de 2006, quando teve uma janela de oportunidade na inflação. Mas perdeu o nível aceito por 0,06% e uma forte campanha de lobby não persuadiu a União Européia a flexibilizar as regras. A inflação acelerou posteriormente no ano.

A mensagem de que os índices de inflação devem ser sustentáveis tem sido levada à risca, e Balcytis disse que a nova data alvo para adoção do euro - 2009 ou mais adiante- visa evitar o aumento das expectativas aos níveis que atingiram no início de 2006. George El Khouri Andolfato

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