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07/12/2006

Em Nova York os cãezinhos de estimação fazem sucesso

The New York Times
Ruth La Ferla

em Nova York
Ah, os locais que Paige já viu! Como todos os nova-iorquinos de alta classe, ela janta no centro da cidade, no Mercer Kitchen, freqüenta a delicatéssen E.A.T., na Avenida Madison, e aprecia as botas de couro na Gucci. "Nós chegamos até mesmo a beber juntas", diz Dina Lewis, corretora de imóveis e companheira inseparável de Paige.

"Na Plug Uglies, na Terceira Avenida, Paige senta-se no banco do bar e tudo o mais", conta Lewis. "É como contar com uma amiga muito bonita e muito bêbada ao seu lado a toda hora".

Joe Fornabaio/The New York Times 
Uma estilista criou o vestuário de Muffin, que tem peças tricotadas e capas bordadas

Exceto pelo fato de Paige ser uma chihuahua do tamanho de uma boneca. Ela viaja com a dona para todas as partes, observando o mundo do interior de uma bolsa Balenciaga.

Paige é aquilo que se chama de cão de colo, um símbolo de status desde a antiguidade. Carregados no passado nas dobras das roupas das mulheres elegantes, os animais de estimação minúsculos têm sido os companheiros favoritos dos nobres, de Maria Antonieta a Elizabeth 2ª. E a pseudo-realeza de Hollywood também gosta desses animais, que são assuntos das conversas de atrizes e das colunas de fofocas.

Agora, graças em parte à maior visibilidade que lhes é conferida pelos tapetes vermelhos, as raças compactas são mais populares do que nunca.
"Estamos presenciando uma tendência nacional favorável aos cães menores", explica Niki Marshall Friedman, porta-voz do American Kennel Club. Por exemplo, o número de registros de pedigree da raça griffon de Bruxelas aumentou 231% nos últimos dez anos. Já os registros de cães norwich terrier subiram 91%.

Exibidos como artefatos de moda, os cães minúsculos são, para algumas pessoas, os equivalentes peludos de um par de sapatos Louboutin ou de outros acessórios de luxo. "Eu os vejo como bolsas dotadas de batimentos cardíacos", diz Robin Bowden, vice-presidente da Prudential Douglas Elliman, uma corretora de imóveis de Manhattan. O escritório de Bowden na Rua 17 Oeste é uma espécie de ponto de trânsito de cães de colo que pertencem a várias funcionárias. "Eles têm suas caminhas e correm de um lado para o outro", diz ela. "Já vi corretoras exibindo caros apartamentos no SoHo e que levavam esses cãezinhos nas suas bolsas".

Em algumas partes da cidade, os minúsculos animais de estimação competem com os aparelhos BlackBerry e outros emblemas de status. "As pessoas apreciam a portabilidade de um cãozinho", diz Friedman. "Elas também ficam impressionadas com as celebridades que gostam de exibir os seus Charos, Freddies e Desirees no tapete vermelho".

Yorkshire terriers, cavalier King Charles spaniels, buldogues franceses e papillons, que podem viver em pequenos apartamentos, estão entre as raças mais cobiçadas, segundo o kennel clube, atraindo mulheres jovens e baby boomers (indivíduos nascidos entre 1946 e 1964, período de grande crescimento demográfico nos Estados Unidos). "À medida que os filhos saem de casa e vão para a universidade, ter um cãozinho por perto é um consolo", diz Bob Vetere, presidente da Associação Americana de Fabricantes de Produtos para Animais de Estimação. "Os animais de estimação gozam de um status elevado", afirma Vetere. "A fim de nos sentirmos melhor, tendemos a recompensá-los segundo padrões humanos, e não caninos".

Para muitas donas, nenhum paparicado é demasiado. Elas ignoram solenemente as proibições de ingresso de cães em restaurantes. Muffin, um yorkshire de três anos de idade, freqüenta todos os finais de semana o café Orlin, no Saint Marks Place, em Manhattan. "Gosta de levá-lo para tomar um café-da-manhã", explica Alex Revana, a dona de Muffin.

Revana, uma estilista freelance, criou o vestuário canino de Muffin, que consiste de peças tricotadas, casaquinhos de lã e capas bordadas. Os brinquedos de Muffin incluem uma Chewy Vuitton de borracha, e ela janta no California Natural, um restaurante de comida orgânica para animais de estimação.

Paige, a cadelinha de Lewis, tem 40 roupas, entre elas uma capa da Hermes. Parte do guarda-roupa de Lewis é reservado para Paige. Assim como a sua dona, a cadela gosta de aparecer com trajes da moda. "Em se tratando de nós duas, as oportunidades são iguais", diz Lewis. "Eu me sento em frente ao computador tarde da noite a fim de encontrar uma loja, digamos, no Canadá ou na Suíça, a fim de que Paige possa ter um suéter que nenhum nova-iorquino tem".

Fudge, um chihuahua de quatro anos que pertence a Wendy Kaplan, modelo e consultora de estilo pessoal que mora em Nova York, tem uma capa de chuva amarela da Old Navy, um casaco de denin e, para os dias tempestuosos, uma capa laranja de um tecido que imita couro de cobra, dotada de um bolso, "para carregar biscoitos caninos", explica Kaplan.

Fudge viaja em uma bolsa feita com uma imitação de pele de leopardo. "Em certos lugares tenho que escondê-lo - nos correios, no Gristedes, na padaria do bairro", diz Kaplan.

Inimiga daqueles que barram a entrada dos animais de estimação nos restaurantes e outros espaços públicos internos, ela protesta: "Por que isso? Afinal de contas, somos todos parte de uma cultura canina".

Até certo ponto, ela está certa. Butiques de luxo, hotéis, companhias de aviação e até bares estão se apressando em estender a hospitalidade aos cães. "Várias empresas têm apresentado serviços dirigidos às pessoas que viajam com animais de estimação", afirma Vetere. "Estamos falnado dos Tinkerbells, e não dos Godzillas".

Rebecca Rand, porta-voz da cadeia de hotéis W, que oferece um programa amigável aos cães, diz que os hóspedes que viajam com cãezinhos se tornaram uma tendência significativa. "As pessoas os têm tratado mais como familiares, de forma que tentamos acomodá-los da melhor forma possível", diz ela. As medidas para proporcionar conforto aos animais incluem o fornecimento de travesseiros caninos e de petiscos especiais.

Nos dias de hoje, os cães de colo e outros animais são tolerados, ou até mesmo bem recebidos. Cerca de 20% das empresas ouvidas em uma pesquisa realizada pela associação de produtos de animais de estimação na primavera passada permitem a presença de animais no ambiente de trabalho, informa Vetere. E 38 milhões de trabalhadores norte-americanos com mais de 18 anos acreditam que a presença desses animais no trabalho gera um ambiente mais produtivo.

Melanie Lazenby, uma corretora de imóveis de Nova York, disse que o fato de trazer Eva, a sua chihuahua de 2,5 quilos, para o seu escritório chegou até a lhe render mais clientes. Recentemente o proprietário de um apartamento em Greenwich Village no valor de US$ 3,5 milhões, também proprietário de um chihuahua, fechou um negócio com Lazenby tão logo viu Eva. "Foi um negócio feito na base do amor pelos cães", explica ela.

Toda essa camaradagem entre caninos e humanos pode gerar estranheza. Ninguém está mais consciente dos potenciais absurdos relacionados a um cão de colo do que alguns donos. "Para algumas pessoas no escritório eu poderia ser considerada uma fronteiriça", reconhece Lewis com uma risada. "Eu acho que a vida é curta, então por que não aproveitar o lado frívolo e ridículo dela?".

Mas nem todos gostam dessa tendência. A cena de Lazenby, alta, impecável e com cabelos louros, vestida da mesma forma que o seu cão, pode gerar gozações. E ela sabe disso. "É a clássica situação 'legalmente loura'", diz Lazenby. "Se o seu cachorro usa um casaco sofisticado, e você também, muita gente vai caçoar".

E os treinadores de cães também têm uma opinião quanto a isso. Eles observam que os animais de estimação não são acessórios, e que o fato de tratá-los como posses, não importa o quanto o dono esteja bem intencionado, pode privar o animal daquilo que ele necessita. "Socialização, treinamento e exercício são fundamentais", afirma Bash Dibra, um treinador de Nova York.
"Caso contrário o dono terá um problema". Um cachorro excessivamente mimado pode se tornar muito defensivo em relação ao seu território, e também agressivo, adverte Dibra. "Às vezes os cães entram em um surto de raiva. Não é uma situação agradável".

Patty LaRocco, que leva o seu yorkshire, Dylan, para as reuniões de negócios e festas, reconhece que a socialização dos cães tem os seus limites. "Um banqueiro que usa um terno caro não vai querer que Dylan pule no seu colo".

E os namorados também não são sempre entusiasmados com esses bichos de pelúcia animados. "Quando eles vêem a pequena escada de Eva ao lado da minha cama, a reação é geralmente mista", diz ela. "Se o cara não gosta da situação, ele desaparece bem rapidamente".

Por outro lado, os animais de estimação podem quebrar o gelo entre as pessoas.

Lazenby, que se mudou para Manhattan poucas semanas antes do 11 de setembro, relembra: "Era muito difícil conhecer pessoas. A cidade inteira estava deprimida, e não estávamos vivendo um momento de sociabilidade. Eu comprei a cadela porque estava me sentindo muito sozinha, e ela acabou trazendo uma tonelada de gente para a minha vida".

O fato de Fudge atrair as pessoas não surpreende Kaplan. Usando uma coleira cor-de-rosa com bijuterias, o cãozinho a acompanha nas festas, "onde pessoas que normalmente não falariam com você acabam falando", diz ela. "E por que essas pessoas não agiriam dessa forma? O meu cão faz mais contato visual do que algumas pessoas que conheço".

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