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09/12/2006

Rumsfeld se despede de funcionários do Pentágono

The New York Times
David Stout, em Washington
O secretário de Defesa Donald H. Rumsfeld deu adeus aos funcionários do Pentágono na sexta-feira (08/11) com o seu estilo familiar, discutindo com aqueles que o questionaram e expressando profunda fé no povo norte-americano.

Doug Mills/The New York Times 
Rumsfeld, o único indivíduo a ocupar o cargo de secretário de Defesa duas vezes, despede-se

"Todos os dias, de uma maneira ou de outra, tenho testemunhado a força de homens e mulheres uniformizados, e a dedicação dos vários milhares de pessoas que servem aqui, militares e civis, pessoas que fazem o seu trabalho sabendo que a sua função é essencial para proteger a nação e o povo", disse Rumsfeld naquela que foi provavelmente a sua última reunião com os funcionários do Departamento de Defesa.

"Vocês fazem tal coisa sabendo que contribuem diretamente para a segurança de milhões de norte-americanos - pessoas que vocês jamais conhecerão, cujos nomes nunca conhecerão", afirmou Rumsfeld. "Eu deixo este cargo muito orgulhoso de ter trabalhado com vocês, inspirado pela sua dedicação, seu patriotismo e seu sacrifício".

Rumsfeld, que será sucedido por Robert M. Gates em 18 de dezembro, ocupa um lugar único na história do Pentágono. Ele foi o único indivíduo a ocupar o cargo de secretário de Defesa duas vezes, tendo sido secretário durante um curto período no governo do presidente Gerald R. Ford. Naquela ocasião, ele foi o mais jovem secretário de defesa e, agora, aos 74 anos, é o mais velho.

"Faz três décadas que deixei o Pentágono ao final da minha primeira passagem por aqui", disse Rumsfeld. "Àquela época o nosso país estava engajado em uma longa luta - a Guerra Fria, um conflito que parecia ser caro, e realmente era. A sua duração parecia ilimitada, e de fato era. E a Guerra Fria também dava a impressão de não contar com uma rota e um resultado claros, o que também era o caso. Na verdade, muitos acreditaram e chegaram a agir como se os Estados Unidos fossem a causa dos problemas do mundo. E chegamos a presenciar um pouco desse fenômeno nos dias de hoje".

"Mas, apesar do tumulto da época, deixei esse posto em 1977 acreditando firmemente que os Estados Unidos eram uma força do bem no mundo, que a grande maioria do povo norte-americano era composta de gente decente e que os Estados Unidos continuariam sendo o principal líder do mundo livre. E todas essas crenças acabaram se revelando corretas".

Ao se preparar para deixar novamente o cargo, Rumsfeld acrescentou:
"Acredito hoje, como acreditava três décadas atrás, que os Estados Unidos são realmente uma grande nação, que o povo norte-americano é sábio e decente, que a liderança norte-americana no mundo não é apenas útil, mas também urgentemente necessária. E é importante que não restem dúvidas de que, apesar de termos conseguido evitar ataques desde o 11 de setembro, e a despeito de não ter havido um ataque neste país durante anos, vivemos em um mundo conturbado e muito perigoso, e não podemos nos esquecer disso".

Famosos pelos seus dias de trabalho em ritmo de maratona e pelo seu estilo exigente, Rumsfeld chegou ao Pentágono em 2001, determinado a reduzir a burocracia militar. E ele afirmou na sexta-feira que acha que, até certo ponto, ele e os seus assessores tiveram sucesso nessa empreitada.

"Houve uma mudança no que diz respeito à abordagem dos problemas, um reconhecimento de que, neste século 21, a forma como fazíamos as coisas no século 20 deixaram de ser satisfatórias. E teremos simplesmente que ser mais sábios, mais ágeis e mais hábeis. Precisaremos ser capazes de fazer coisas diferentes", disse Rumsfeld.

As perguntas feitas pelos funcionários do departamento na reunião de sexta-feira foram gentis, contrastando com as entrevistas coletivas à imprensa nas quais Rumsfeld jamais se deu ao trabalho de dissimular o seu desdém pelos questionadores que ele considerava mal-informados, cínicos ou ingênuos. Mas até mesmo em meio ao clima ameno da reunião de sexta-feira, Rumsfeld demonstrou que está em boa forma. Quando lhe perguntaram que conselho daria a Gates, ele respondeu: "Qualquer conselho que eu dê a ele será dado em particular".

Rumsfeld disse que sentirá saudade das suas pelejas com os repórteres.
"Creio que vou sentir saudade", afirmou. "As armadilhas, as coletivas à imprensa. Disseram-me que foram 613 durante seis anos, em todo o globo.
Vocês sabem que nem sempre eu e a imprensa concordamos, mas ainda espero que com o passar do tempo os repórteres chegarão mais perto da verdade".

Essa passagem foi uma das várias que provocaram risadas. Mas ele terminou o discurso de forma séria, afirmando que acredita que com o passar do tempo ficará claro que as batalhas no Iraque e no Afeganistão valeram a pena, e que os Estados Unidos estão do lado certo da história em ambos os teatros bélicos.

"Deus abençoe todos vocês", finalizou ele, deixando o recinto sob aplausos.

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