UOL Notícias Internacional
 

12/12/2006

Para os intrépidos, um oásis das arábias

The New York Times
Tom Downey
Para um caçador de aventuras sem treinamento, o Iêmen talvez prometesse o tipo de aventuras que somente James Bond poderia saborear: seqüestro por facções tribais, distúrbios por causa do preço da gasolina, rifles AK-47 baratos e em abundância e motoristas de táxi que portam punhais e pistolas. Sem falar no espectro do terrorismo: o bombardeio do destróier USS Cole no porto de Aden em 2000 parecia prenunciar ataques ainda maiores. Mas, em contraste com o restante da península arábica, que em sua maior parte é quente, seca e estéril, o Iêmen é praticamente um refrescante paraíso verde, com revigorante ar de montanha, enormes acácias, rochedos de corais ainda intactos e campos verdejantes cheios de khat, uma planta psicoativa que induz estados de suave euforia.

Nos últimos anos, os operadores de agências de turismo começaram a capitalizar a geografia exótica do Iêmen como a nova fronteira no mundo das viagens de aventura. Novos equipamentos proporcionam emocionantes jornadas por aldeias em topos de montanhas, safaris motorizados por desertos desimpedidos e viagens a vela a bordo dos típicos e antigos barcos dhow até distantes ilhas parecidas com Galápagos. E ao contrário de Dubai, o emirado encantado ao estilo de Oz que fica do outro lado da Arábia Saudita, o Iêmen é bem autêntico.

O Iêmen hoje em dia também é mais seguro, graças aos laços construídos entre o país e os Estados Unidos depois dos atentados de 11 de setembro, que parecem ter aquietado as tensões tribais e minado as operações terroristas na região. Tanto que um fluxo constante de aventureiros europeus já se firmou por lá.

Uma dos roteiros mais intrépidos é oferecido pela Arábia Felix (www.arabiafelixworld.com), uma operadora de excursões baseada em Dubai. A agência abriu roteiros com safaris de duas semanas que serpenteiam de Dubai até Oman, percorrendo antigas rotas que serviam para negociar incenso olíbano em direção ao Iêmen oriental. Os viajantes podem variar, entre acampar pelos desertos dos nômades e permanecer em lugares luxuosos como o Al Hawta Palace Hotel, um antigo palácio iemenita em Sayun.

Os visitantes conseguem ver "uma Arábia sem fronteiras", segundo Marco Livadiotti, um dos diretores da Arábia Felix. Após atravessar o Iêmen, a viagem continua pelo fabuloso Quadrante Vazio do Deserto Arábico, a maior região desértica de areia do mundo. Depois a viagem prossegue em direção ao verde e fértil vale de Wadi Hadramaut, onde ficam as duas cidades de atmosfera mais interessante no Iêmen. A cidade murada de Shibam tem uma skyline de casas bem altas com tijolos de barro, o que lhe valeu o apelido de "a Manhattan do deserto". Lá por perto, a antiga cidade de Tarim tem 365 mesquitas, uma para cada dia do ano. A perna final da viagem, da Marib rica em arqueologia até a capital, Sana, é um tanto mais ardilosa e requer uma escolta armada de beduínos, por causa das rebeliões tribais.

Para os que querem explorar a região a pé, as montanhas de Haraz, ao longo da fronteira ocidental do Iêmen, são o paraíso do andarilho. A região é interligada por trilhas bem conservadas que atravessam campos de valiosos pés de khat, ziguezagueando por cumes verdejantes e passando por aldeias erguidas como fortalezas, com casas de barro e pedra.

Ao longo do caminho, você pode armar uma barraca, se hospedar em pequenas pensões familiares nas aldeias ou ter a sorte de ser convidado para ficar na casa de alguém. O Iêmen pode parecer caótico, mas a velha escola da hospitalidade arábica, especialmente em relação aos estrangeiros, prevalece quase sempre.

A aventura mais exótica no Iêmen é indubitavelmente a que acontece na ilha de Socotra, parecendo que se entra numa cápsula do tempo a cerca de 300 quilômetros da costa do Oceano Índico. O Socotra é um mundo a parte, mesmo para a maioria dos iemenitas. Os nativos falam uma língua obscura, o Soqotri, que é virtualmente ininteligível para o povo do continente. A fauna e a flora da ilha evoluíram de maneira separada da que ocorreu no sub-continente arábico.

Até recentemente, a ilha só podia ser alcançada de barco, e ficava isolada do resto do mundo durante a temporada das monções, de junho a setembro. Agora há vôos para lá durante todo o ano, levando mergulhadores com cilindros até os recifes espetaculares que estão apenas começando a ser explorados. Há penhascos íngremes da pedra calcária que num mergulho vão dar em abismos escuros, mas com a recompensa colorida de poder encontrar corais e outras ricas (e ameaçadas) espécies marinhas como tartarugas e garoupas.

Em terra firme, na ilha você pode subir as montanhas Haghier, acampar em uma praia ou fazer percursos off-road de jipe pelos wadis (leitos fluviais secos), onde você encontra-se pássaros e plantas regionais como a árvore do sangue de dragão, que derrama um líquido vermelho quando cortada. Mas o encontro mais exótico em Socotra talvez seja mesmo com o próprio povo do lugar, formado por descendentes tanto de africanos como de tribos do sul da Arábia e que desenvolveu uma cultura original e diferente de todas no planeta. Mesmo hoje, os ilhéus parecem viver somente de acordo com sua própria vontade, sem querer agradar nem obter lucros dos poucos turistas que chegam até a sua terra natal. Marcelo Godoy

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