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15/12/2006

Comissão pede alertas sobre risco de suicídio em rótulos de antidepressivos

The New York Times
Benedict Carey

Em Silver Spring, Maryland
Fortes alertas nos rótulos sobre o risco de suicídio associado a antidepressivos, que já incluem crianças e adolescentes, devem ser estendidos a adultos com menos de 25 anos, uma comissão consultiva federal concluiu na quarta-feira.

A comissão, que por 6 votos a 2 recomendou os alertas após um dia de audiência, também orientou a Food and Drug Administration (FDA), a agência de controle de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos, a exigir a inclusão da informação nos rótulos e bulas dos medicamentos, acentuando os riscos de depressão não tratada.

Desde 2004, antidepressivos apresentam alertas em embalagens de tarja preta - a maior que a FDA pode exigir - sobre os riscos de pensamento e comportamento suicida em crianças e adolescentes. Os alertas aparecem em letras grandes, geralmente no alto da bula fornecida pelos laboratórios farmacêuticos a médicos e pacientes.

"Eu realmente sinto que temos a obrigação de alertar o público quando temos uma nova informação, e temos", disse Jean Bronstein, um representante de defesa do consumidor e membro da comissão de Sunnyvale, Califórnia, se referindo à recente análise da FDA, que encontrou uma ligação entre comportamento suicida e antidepressivos em jovens adultos, mas não em pessoas mais velhas.

A recomendação ocorreu após horas de depoimentos públicos emocionados de ambos os lados da questão, e ocorre em meio a um antigo debate sobre a segurança das drogas, que incluem medicamentos como Prozac, da Eli Lilly, Paxil, da GlaxoSmithKline, e Effexor, da Wyeth.

Alguns psiquiatras fizeram objeção à ampliação do alerta e disseram que isto pode levar a mais suicídios. A dra. Carolyn Rabinowitz, presidente eleita da Associação Americana de Psiquiatria, disse que os alertas podem causar um "pânico da tarja preta".

"Nós estamos falando sobre uma desordem devastadora, crônica e recorrente, e um alerta de tarja preta pode servir como outra barreira ao tratamento que pessoas necessitam", disse Rabinowitz.

Mas outros psiquiatras disseram que a nova rotulação poderá tornar os médicos mais cautelosos em relação à prescrição dos medicamentos, os reservando para pacientes que estão seriamente deprimidos.

A comissão também ouviu muitos pacientes e parentes que contaram histórias de perdas devastadoras. Uma mulher disse que sua sobrinha se sentou em uma fogueira e morreu logo após suspender o medicamento Effexor. Outra mulher, tremendo, com sua filha ao seu lado, descreveu como seu marido de 44 anos se suicidou com um tiro na cabeça enquanto tomava Paxil, e disse: "Eu considero vocês responsáveis por isto e sempre considerarei", apontando para os membros da comissão.

Mas outros pacientes disseram que ficaram bem graças aos medicamentos.

A comissão baseou sua decisão, em parte, em uma análise concluída recentemente por cientistas da FDA a partir de dados de estudos envolvendo cerca de 100 mil pacientes. Homens e mulheres com menos de 25 anos que tomaram os medicamentos apresentaram o dobro da probabilidade de tentar ou preparar uma tentativa de suicídio do que pessoas que tomavam placebo, revelou a análise.

Para cada 1.000 pacientes que tomam as drogas, cerca de quatro agirão de acordo com impulsos suicidas, algo que não aconteceria caso não tomassem os medicamentos, sugeriu a análise. "É um resultado mais inequívoco que se pode obter", disse o dr. Marc Stone, um alto revisor da FDA e co-autor do relatório.

A análise revelou que os medicamentos não aumentaram o risco de suicídio entre adultos de 25 a 65 anos, e reduziram significativamente o risco entre pessoas com mais de 65 anos.

A FDA não é obrigada a seguir as recomendações de suas comissões consultivas, mas geralmente segue, o que fez após uma comissão ter recomendado alertas semelhantes para menores em 2004.

De lá para cá, os pesquisadores revelaram que a taxa de prescrição de antidepressivos para crianças e adolescentes caiu nos Estados Unidos e em outros países. E os Centros para Controle e Prevenção de Doenças informaram na semana passada que a taxa de suicídios de adolescentes aumentou ligeiramente em 2004, pela primeira vez em mais de uma década.

Vários pesquisadores psiquiátricos presentes na audiência argumentaram que estas tendências sugerem, na verdade, que o alerta anterior da agência para crianças levou a mortes desnecessárias de pessoas que ficaram assustadas para seguir o tratamento.

"Eu recomendo que o comitê reverta seu alerta anterior para crianças e adolescentes em vez de encorajar monitoramento cuidadoso" dos efeitos colaterais, disse o dr. John Mann, um professor de psiquiatria e radiologia da Universidade de Colúmbia e diretor de pesquisa psiquiátrica do Instituto de Psiquiatria do Estado de Nova York.

Mas outros membros disseram que estender o alerta para inclusão de jovens adultos é essencial para que os pacientes possam tomar decisões informadas.

"Se meu filho tivesse sido informado sobre este risco, se qualquer um de nós tivesse sido informado, nós não estaríamos aqui", disse para a comissão Jayne Richner, cujo filho de 22 anos, Sean, se enforcou em agosto logo após ter deixado de tomar o antidepressivo Celexa. "Faz apenas quatro meses desde que ele se matou e nós ainda estamos tentando todo dia descobrir como seguir em frente por causa disto."

Outros ex-pacientes disseram que as drogas salvaram suas vidas, dissolvendo os pensamentos suicidas e lhes dando motivo para viver. As aparentes contradições nos depoimentos e nos estudos de suicídio e antidepressivos podem refletir dois lados da mesma moeda: as drogas podem aumentar os impulsos suicidas em algumas pessoas e reduzi-los em outros.

"É possível que uma droga tenha efeitos opostos ao longo do tempo, mesmo dentro do mesmo domínio", disse o dr. Thomas Laughren, diretor da divisão de produtos psiquiátricos da FDA. George El Khouri Andolfato

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