UOL Notícias Internacional
 

16/12/2006

Ao deixar o cargo, Rumsfeld alerta contra 'saídas graciosas' do Iraque

The New York Times
Jim Rutenberg

Em Washington
O secretário de Defesa, Donald H. Rumsfeld, se despediu do Pentágono na sexta-feira com um discurso combativo, no qual alertou contra a esperança de "saídas graciosas" no Iraque e disse que seria errado considerar a falta de novos ataques em solo americano como um sinal de que a nação está a salvo do terrorismo.

"Hoje, já deve estar claro de que não apenas fraqueza é provocativa", disse Rumsfeld, diante de um atril tendo o presidente Bush e o vice-presidente Dick Cheney ao seu lado, "mas a percepção de fraqueza por nossa parte também pode ser provocativa".

Foi uma clara crítica endereçada àqueles que consideram uma retirada americana da difícil campanha no Iraque.

"Uma conclusão de nossos inimigos, de que os Estados Unidos carecem de vontade ou determinação para executar missões que exigem sacrifício e paciência, é tão perigosa quanto o desequilíbrio de um poder militar convencional", disse Rumsfeld.

Rumsfeld renunciou em novembro, após uma eleição na qual os democratas conquistaram o controle do Congresso prometendo forçar uma mudança no Iraque. Seu sucessor, Robert M. Gates, assume na segunda-feira.

Rumsfeld falou após receber homenagens no Pentágono em seu último dia de trabalho lá. As cerimônias tiveram início com uma salva de 19 tiros antes dele caminhar para inspecionar os representantes de todas as forças militares reunidos diante dele em formação e plenamente uniformizados.

Presentes na multidão estavam alguns dos ex-falcões do governo com os quais ele planejou as invasões ao Afeganistão e Iraque: Paul Wolfowitz, seu ex-vice, e Douglas Feith, seu subsecretário para política de defesa. A secretária de Estado, Condoleezza Rice, sua freqüente rival no governo Bush, não participou.

A cerimônia marcou o fim daquele que talvez tenha sido o mais controverso mandato de um secretário de Defesa desde o de Robert McNamara, cujos recordes seis anos no cargo superam o de Rumsfeld por meros 10 dias. Como McNamara, Rumsfeld deixa uma guerra que ajudou a conceber nas mãos de outros.

E como McNamara, seu mandato provavelmente será dissecado e debatido por muitos anos após sua saída.

Mas apesar de toda a pompa, houve pouca conversa na cerimônia sobre o estilo combativo de Rumsfeld, ou sobre as controvérsias que ele tendia a provocar.

Nos comentários iniciais, o general Peter Pace, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, se referiu ao escândalo de tortura de Abu Ghraib, que Rumsfeld chamou de o ponto mais baixo de seu mandato. Mas Pace também parabenizou Rumsfeld por ter assumido a culpa pelos abusos contra os prisioneiros, que Pace atribuiu a outros abaixo na cadeia de comando.

A declaração de Cheney de que "Don Rumsfeld é o melhor secretário de Defesa que o país já teve" estava mais de acordo com o tom do evento.

Com a renúncia de Rumsfeld -forçada por Bush ao buscar uma nova abordagem para o Iraque- Cheney está perdendo um de seus principais aliados no governo.

Rumsfeld contratou Cheney para trabalhar com ele quando era chefe de gabinete do governo Ford. Os dois compartilham currículos semelhantes, ambos tendo servido como chefe de gabinete na Casa Branca, servido na Câmara dos Deputados e como secretário de Defesa. (Rumsfeld foi secretário de Defesa duas vezes, a primeira vez para o presidente Ford.)

E a convicção compartilhada de ambos, pós 11 de setembro, de que os Estados Unidos deviam usar a força como dissuasor e atacar preventivamente aqueles que planejam atacar o país permanecia inabalável diante dos reveses no Iraque.

"Nesta hora de transição, todo membro de nossas forças armadas, e toda pessoa no Pentágono, pode ter certeza de que a América permanecerá na ofensiva", disse Cheney. "Nós permaneceremos na luta até que esta ameaça seja derrotada e nossos filhos e netos possam viver em um mundo mais seguro."

Rumsfeld deixa o Pentágono após enfrentar duas guerras, um ataque ao próprio Pentágono e o que chamou de "transformação" no uso da força. Isto envolveu uma troca para unidades de combate menores, que ele disse serem mais ágeis e eficazes do que as maiores preferidas no passado -uma abordagem que viu sucessos iniciais no Afeganistão mas que tem enfrentado um teste mais severo no Iraque.

Mas Bush apreciou o esforço apesar do crescente coro pedindo a renúncia de Rumsfeld, e ele indicou isto na sexta-feira. "Ocorreram mais mudanças nos últimos seis anos no Departamento de Defesa do que em qualquer momento desde a criação do departamento, no final dos anos 40", disse Bush. "Estas mudanças não foram fáceis, mas devido à liderança e determinação de Don Rumsfeld, a América conta com as melhor equipadas, mais treinadas e mais experientes forças armadas na história do mundo."

As últimas palavras do dia couberam a Rumsfeld, que as usou para alertar contra um recuo no Iraque. "Este é um momento de grande conseqüência", ele disse. "Pode ser confortante para alguns considerar saídas graciosas das agonias e, de fato, da feiúra do combate. Mas o inimigo pensa diferente." George El Khouri Andolfato

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