UOL Notícias Internacional
 

19/12/2006

Coréia do Norte desafiadora no início das negociações nucleares

The New York Times
David Lague

em Pequim
A Coréia do Norte reafirmou seu direito de produzir armas nucleares, assim como os Estados Unidos disseram estar perdendo a paciência, enquanto as conversações entre seis países sobre o programa de armas nucleares da Coréia do Norte eram retomadas aqui na segunda-feira, dois meses após os norte-coreanos terem desafiado a intensa pressão internacional e testado uma bomba atômica.

A decisão da Coréia do Norte de voltar às negociações tão cedo após o teste poderia ajudar a desarmar os temores de uma corrida armamentista na Ásia, mas há pouca expectativa de que as negociações levarão a um alívio repentino das tensões.

Alguns especialistas externos disseram que as negociações serão infrutíferas a menos que os Estados Unidos relaxem as penas econômicas e financeiras que impuseram à Coréia do Norte.

"Se os Estados Unidos suspenderem algumas sanções, eu acho que a Coréia do Norte fará algumas concessões", disse Yan Xuetong, um professor de estudos internacionais da Universidade Tsinghua, em Pequim. "É muito difícil prever o resultado."

Negociadores da China, Coréia do Norte, Coréia do Sul, Estados Unidos, Rússia e Japão se encontraram na segunda-feira em uma casa oficial de hóspedes em Pequim, em um esforço para reviver um acordo acertado em 2005 para livrar a Península Coreana de armas nucleares.

Antes do início das conversações, Christopher R. Hill, o secretário assistente de Estado americano responsável pelas negociações, disse à Coréia do Norte que as negociações chegaram a "uma bifurcação na estrada".

"Ou concordamos em prosseguir no caminho diplomático, ou seguiremos por um caminho mais difícil, um caminho que envolve sanções", disse Hill quando chegou a Pequim, no domingo. "No final, será prejudicial à RDPC", ele acrescentou, usando as iniciais do nome oficial da Coréia do Norte, a República Democrática Popular da Coréia.

O negociador chefe da Coréia do Norte, o vice-ministro das Relações Exteriores, Kim Kye-gwan, disse no sábado que a Coréia do Norte recusará a suspensão de seu programa nuclear até que os Estados Unidos abandonem sua política "hostil" e suspendam as restrições financeiras impostas no ano passado, segundo um artigo que apareceu na segunda-feira no "The China Daily", um jornal estatal.

A aceitação pela Coréia do Norte de participar de uma nova rodada de conversações, a primeira em mais de um ano, foi amplamente vista como uma tentativa de evitar a aplicação de sanções econômicas mais duras por parte do Conselho de Segurança da ONU, após o teste nuclear norte-coreano de 9 de outubro.

Logo após o último encontro dos negociadores em novembro de 2005, a Coréia do Norte boicotou novas negociações quando os Estados Unidos ameaçaram impor penas contra um banco em Macau, que Washington diz lavar o dinheiro do governo norte-coreano.

Analistas disseram que a medida contra o Banco Delta Asia provou ser bem-sucedida em dissuadir outros bancos a trabalharem com os norte-coreanos, reduzindo acentuadamente o acesso deles aos mercados financeiros internacionais.

A pressão diplomática sobre a Coréia do Norte para retomar as negociações se intensificou após o teste nuclear. Mesmo a China, a maior aliada política e econômica da Coréia do Norte, condenou o teste em termos extraordinariamente duros e apoiou uma resolução aprovada por unanimidade pelo Conselho de Segurança, impondo sanções ao envio de cargas de natureza militar à Coréia do Norte.

Os norte-coreanos concordaram em 31 de outubro em iniciar uma nova rodada de conversações, a sexta desde que as negociações tiveram início em 2003. O acordo pareceu ser uma vitória diplomática da China, que realizou uma intensa campanha para persuadir os norte-coreanos a voltarem às negociações. George El Khouri Andolfato

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