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20/12/2006

Annan diz que confronto militar com o Irã seria 'desastroso'

The New York Times
Warren Hoge

Na ONU
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse na terça-feira (19/12) que enfrentar militarmente a ameaça representada pelo programa nuclear do Irã seria "desastroso", mas que espera que o Conselho de Segurança chegue a um acordo negociado.

O comentário de Annan veio em resposta a uma pergunta, feita durante a coletiva de imprensa de despedida, sobre se lições foram aprendidas com a operação militar no Iraque para o caso do Irã.

"Eu não acho que tenhamos chegado a tal ponto, ou que devemos ir nesta direção", ele disse. "Eu acho que seria insensato e desastroso."

Os Estados Unidos se recusaram a retirar a opção de um ataque militar caso o Irã continue a desafiar as exigências do Conselho de Segurança para que suspenda seu programa nuclear. Mas Washington enfatizou que tal medida seria um último recurso, apenas no caso de fracasso das negociações.

Tais negociações, agora em seu quarto mês, prosseguiram na terça-feira em duas reuniões inconclusivas de embaixadores da Alemanha e dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança: China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia.

Esperanças de um acordo iminente surgiram na terça-feira, quando Sergey V. Lavrov, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, disse a um entrevistador em Moscou que o atual esboço revisado da resolução de sanções contra o Irã atendia as preocupações da Rússia e poderia se tornar a base para um consenso.

Mas o embaixador russo na ONU, Vitaly I. Churkin, alertou: "Há uma certa distância entre o acordo básico e o acordo final. Nós estamos tentando cobrir esta distância mas ainda não chegamos lá".

Wang Guangya, o embaixador da China, alertou que as diferenças remanescentes não são pequenas. "Às vezes parece apenas uma diferença técnica, mas às vezes parece uma diferença de princípio", ele disse.

O Irã desafiou o prazo de 31 de agosto do Conselho de Segurança para suspender o enriquecimento de urânio, que pode produzir combustível tanto para usinas nucleares quanto para armas, após recusar incentivos políticos e econômicos oferecidos pela Alemanha, França e Reino Unido.

Os iranianos dizem que estão desenvolvendo energia nuclear para fins pacíficos, mas os governos Ocidentais acreditam que o verdadeiro propósito é produzir bombas.

Por meses, os Estados Unidos e a Europa têm pressionado por uma resolução para sanções contra Teerã, enquanto China e Rússia têm trabalhado para destituir a resolução de medidas punitivas, que elas argumentam ser contraproducentes e minarem o objetivo de trazer os iranianos de volta às negociações.

Em Washington, Sean McCormack, o porta-voz do Departamento de Estado, disse que a paciência está se esgotando para a realização de uma votação. "Nós achamos que é hora", ele disse. "Nós estamos na prorrogação; eu acho que o tempo oficial acabou em outubro."

O texto atual impõe um embargo de viagens e um congelamento de ativos de agências e pessoas identificadas como envolvidas nos programas nuclear e de mísseis balísticos do Irã. Em um esforço para atender às objeções russas e chinesas, os autores europeus do texto estreitaram a lista àquelas com ligações diretas ao desenvolvimento de armas, mas Churkin disse que a Rússia ainda deseja que a proibição de viagem seja totalmente eliminada.

"As delegações têm posições firmes sobre as questões, de forma que continuamos retirando coisas", disse Alejandro D. Wolff, o embaixador americano em exercício. "Ainda restam algumas questões difíceis", ele disse, acrescentando que a proibição a viagem é "uma prioridade e um elemento importante desta resolução e nós continuaremos pressionando por ela". George El Khouri Andolfato

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