UOL Notícias Internacional
 

20/12/2006

Forças etíopes permanecem na Somália enquanto facções suavizam retórica

The New York Times
Jeffrey Gettleman

em Nairóbi, Quênia
Há uma semana, a Somália estava à beira da guerra, com soldados rivais separados por apenas poucos quilômetros de deserto e líderes rivais prometendo esmagar uns aos outros.

Os clérigos islâmicos que governam Mogadício ameaçaram a Etiópia com um ultimato para retirada de suas tropas -que estão na Somália para apoiar o governo somali de transição- caso contrário enfrentaria uma guerra santa cataclísmica. O prazo de tal ultimato era terça-feira.

Mas o prazo chegou e passou. As tropas etíopes, segundo todos os relatos, não cederam. E agora ambos os lados, os islamitas e o fraco governo de transição protegido pela força etíope, estão recuando de sua retórica anterior de promoção de guerra em uma incontestável mudança de tom.

"Nós não atacaremos", disse Abdulrahim Ali Modei, o ministro da Informação do Conselho dos Tribunais Islâmicos. "Tal prazo era apenas uma referência. Nós ainda esperamos pela paz."

Na semana passada, Abdullahi Yusuf Ahmed, o presidente de transição, rejeitou qualquer negociação de última hora, dizendo: "A porta para as negociações de paz está fechada". Ele culpou os islamitas cada vez mais militantes, que expandiram rapidamente seu território, de arruinarem qualquer chance de reconciliação.

Mas na terça-feira, Ali Jama, o ministro da Informação do governo de transição, soou muito mais receptivo.

"Nós também não lançaremos qualquer ataque", disse Jama. "Nós esperaremos para ver o que os islamitas farão."

Desde que os islamitas chegaram ao poder em junho, a Somália se encontra em uma posição perigosa, desajeitada, com duas autoridades rivais reivindicando legitimidade e ameaçando aniquilar a outra.

Uma é o governo de transição reconhecido internacionalmente, situado na cidade de Baidoa, e resultado de um processo longo, torturante, para colocar fim a 15 anos de anarquia promovida por clãs. O governo de transição desfruta de mais apoio fora da Somália do que dentro, onde é ridicularizado como sendo ineficaz e dividido. As autoridades americanas disseram que se as tropas etíopes não tivessem vindo em resgate do governo, ele teria caído há muito tempo.

A outra autoridade é dos Tribunais Islâmicos, uma rede de tribunais de clãs que pacificou Mogadício, a capital somali à beira-mar cansada de guerra, e que então se espalhou para o centro-sul do país. Muitas pessoas em Mogadício respeitam os islamitas por trazerem estabilidade àquela que era uma das cidades mais homicidas do planeta.

Logo após os islamitas tomarem o poder, a Etiópia, um país com uma longa e histórica identidade cristã, começou a infiltrar soldados pela fronteira para proteger Baidoa. Segundo representantes da ONU, os islamitas, por sua vez, começaram a obter armas da Eritréia e de vários países árabes. Negociações de paz esporádicas não resolveram o assunto.

Neste mês, os dois lados começaram a reforçar as tropas ao redor de Baidoa, levando a pequenos confrontos que muitos analistas temiam que explodiria em uma ampla guerra regional.

Mas parece que os dois lados estão fazendo uma pausa, possivelmente por causa do entendimento de que nenhum pode obter uma vitória decisiva.

Os islamitas estão relutantes em marchar rumo a Baidoa e provocar uma resposta etíope esmagadora, enquanto os etíopes parecem temerosos de tentar invadir a fortaleza islamita de Mogadício, uma cidade repleta de armas e zelo militante.

Esforços diplomáticos de última hora parecem ter sido outro fator. O Conselho de Segurança da ONU, sob pressão americana, aprovou recentemente uma resolução autorizando forças de paz para a Somália e permitindo ao governo de Baidoa importar armas, apesar do antigo embargo a armas.

As autoridades americanas disseram esperar que o governo de Baidoa use isto não para atacar os islamitas, mas para forçá-los a voltar à mesa de negociação. As autoridades americanas também disseram que pediram à Etiópia não reagir agressivamente às provocações, e ela, que conta com as forças armadas mais poderosas do Chifre da África, parece estar cooperando.

A Somália ainda é altamente inflamável, com milhares de jovens sem instrução armados com metralhadoras e experiência em usá-las.

Os moradores de Baidoa temem que a guerra venha. Tropas somalis protegem os escritórios do governo e tropas etíopes patrulham os arredores. Muitas pessoas estão estocando água e comida para o caso de um longo e difícil sítio.

"É apenas questão de tempo", disse Adam Ali, um motorista em Baidoa. "A luta acontecerá. Houve apenas um adiamento." George El Khouri Andolfato

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