UOL Notícias Internacional
 

23/12/2006

Túneis de trem de Nova York sob o Rio Hudson são considerados frágeis

The New York Times
William K. Rashbaum e William Neuman

Em Nova York
Uma análise conduzida pela Autoridade Portuária de Nova York e Nova Jersey concluiu que os túneis do trem Path sob o Rio Hudson são mais vulneráveis a um ataque a bomba do que se imaginava, e que uma quantidade relativamente pequena de altos explosivos poderia causar uma inundação significativa do sistema ferroviário em poucas horas.

A análise, baseada no trabalho do Laboratório Nacional Lawrence Livermore e do Instituto Politécnico Rensselaer, revisa alguns aspectos críticos de um levantamento da vulnerabilidade do sistema, que foi apresentado à agência no início do ano. Ela deixa claro que os túneis -quatro tubos de projeto e resistência variados que atravessam o leito do Hudson- são estruturalmente mais frágeis do que se imaginava.

Um esboço resumido da mais recente análise foi dado ao "The New York Times" por um funcionário do governo, que disse ter ficado incomodado com o que sentia ser uma inação em resposta à análise, que o funcionário disse que a Autoridade Portuária recebeu há cerca de três semanas. O funcionário disse que a mais recente análise indica que levaria apenas seis minutos para um dos túneis do Path ser inundado caso um bomba não necessariamente muito grande fosse detonada.

Marc La Vorgna, um porta-voz da Autoridade Portuária, não quis responder perguntas específicas sobre a análise, ou com quem ela foi compartilhada.

"Se acreditássemos de alguma forma em um risco aos passageiros, nós fecharíamos o sistema", ele disse. "Isto aconteceria imediatamente." Ele disse que a polícia da Autoridade Portuária aumentou significativamente as patrulhas e as revistas de mochilas e bolsas no sistema Path nas últimas semanas. Além disso, a agência votou em 14 de dezembro em gastar US$ 180 milhões em melhorias de segurança no Path. Ele se recusou a dizer o que motivou as ações.

A vulnerabilidade dos tubos do Path e outros túneis há muito é fonte de preocupação para autoridades de segurança, transportes e do governo, assim para a população. Ela já provocou várias projeções sobre a probabilidade de se tornar um alvo e o que deve ser feito para impedi-lo.

Os temores existem desde 1993, o ano do primeiro ataque terrorista ao World Trade Center. Várias agências, incluindo a Autoridade Metropolitana de Transportes e a New York City Transit, estudam há anos formas de melhorar a segurança e robustez dos túneis.

Em julho passado, várias pessoas foram presas no exterior envolvidas, segundo as autoridades, em um plano para explodir uma bomba no sistema Path -que nos dias úteis transporta 230 mil passageiros. As prisões impediram o que as autoridades disseram ser um plano para explodir mochilas com bombas em um vagão do Path e inundar os túneis. Algumas reportagens publicadas disseram que mapas e outros materiais ligados aos túneis do Path foram encontrados no computador de um dos presos.

Tal investigação começou um ano antes das prisões, mais ou menos na mesma época em que uma análise da vulnerabilidade dos túneis do sistema sob o Rio foi encomendada por uma comissão conjunta da Autoridade Portuária, que opera o sistema de trem Path, e a Autoridade Metropolitana de Transportes, que supervisiona o sistema do metrô de Nova York. Não está claro se a investigação levou ao pedido da análise.

Um resumo de 19 páginas da análise detalha algumas das medidas que a Autoridade Portuária está planejando para melhorar a segurança do sistema Path: a colocação de mantas de concreto no topo dos tubos para tampar buracos causados por uma explosão, o reforço de porções dos tubos e a instalações de comportas para impedir que o sistema seja inundado.

O funcionário que deu uma cópia do relatório ao "The Times" disse que a Autoridade Portuária, cujo diretor executivo e membros do conselho são nomeados pelos governadores de Nova York e Nova Jersey, não informou nenhum Executivo estadual sobre os mais recentes resultados. Nem compartilhou os novos resultados com o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, com o prefeito Michael R. Bloomberg, com o Departamento de Polícia de Nova York ou com qualquer outra agência de manutenção da lei, disse o funcionário.

O funcionário contestou a afirmação da Autoridade Portuária de que aumentou as patrulhas e revistas de mochilas e bolsas.

Assessores do governador de Nova Jersey, Jon S. Corzine, e de Nova York, George E. Pataki, não comentaram sobre se os líderes foram informados sobre a mais recente análise, mas insistiram que os governadores são plena e regularmente informados sobre a segurança do sistema de transporte de massa da região.

Um porta-voz de Bloomberg não quis comentar a análise. Mas um alto oficial do Departamento de Polícia reconheceu que a polícia não foi informada sobre os novos resultados.

Na tarde de quinta-feira, Russ Knocke, um porta-voz do Departamento de Segurança Interna em Washington, disse não saber informar se alguém na agência tinha sido notificado.

Falando de forma geral, La Vorgna, da Autoridade Portuária, disse que a agência "realiza constantemente levantamento de ameaça" e que as análises são compartilhadas regularmente com os parceiros municipais, estaduais e federais.

Desde o 11 de Setembro, autoridades de segurança e do governo enfatizam que não há forma de proteger plenamente cada alvo possível. Mas em Nova York, as autoridades buscaram regularmente tranqüilizar a população dizendo que medidas sérias foram tomadas para tratar das principais vulnerabilidades na série de túneis, pontes e sistemas ferroviários da área.

A análise parece ser o estudo mais detalhado e sofisticado do governo sobre a vulnerabilidade dos túneis de trem. Uma série inicial de conclusões foi compartilhada em maio passado com vários membros da agência, mas não foi divulgada, e novos testes foram encomendados. Mais testes estão sendo realizados em um esforço para determinar a melhor forma de fortalecer os túneis. Os túneis sob o Rio Hudson do sistema Path, que sofreu danos sérios no ataque terrorista de 2001, são mais vulneráveis que a maioria dos demais túneis que passam sob os rios da cidade, porque, diferente de outros túneis, se encontram em um leito mole do rio. Ao longo dos anos sedimentos se acumularam sobre os tubos, que foram instalados há cerca de 90 anos, mas eles não se encontram em um leito rochoso.

Vários túneis do metrô sob o Rio Leste são de muitas formas semelhantes aos quatro túneis do Path -basicamente tubos de ferro que correm ao longo do leito do rio. Um funcionário da Autoridade Metropolitana de Transportes disse que a agência está realizando uma análise de seus túneis.

A análise, que é caracterizada como preliminar e em andamento, examina três tipos diferentes de túneis do Path sob o Hudson. Cerca de três quartos do comprimento total dos túneis são feitos de ferro fundido não revestido, com o restante feito de ferro fundido revestido de concreto ou tijolos. Muitos dos detalhes da análise -incluindo o tamanho das bombas sob discussão, seu posicionamento e natureza exata da vulnerabilidade- não serão divulgados pelo "The Times".

O pior caso incluído na análise sugere que uma bomba que poderia ser facilmente levada a bordo de um trem poderia abrir um buraco de 4,5 metros quadrados em um lado do túnel, possivelmente rompendo ambos os lados do túnel. Em tal situação, 4,5 milhões de litros de água por minuto entrariam no túnel, inundando partes do sistema em questão de horas.

Esta é uma visão muito mais sombria do que a de uma análise anterior -concluída em maio passado.

Os trens Path rodam em conjuntos de sete carros, cada um com capacidade de 130 passageiros, de forma que poderia haver potencialmente cerca de 900 pessoas em um trem lotado. Novas encomendas permitiriam trens com 10 carros, que poderiam transportar ainda mais pessoas.

A análise, apresentada em novembro por um alto membro do departamento de engenharia da Autoridade Portuária para um grupo pequeno de altos gerentes da agência, diz que os novos resultados são baseados em uma combinação de testes no ferro fundido dos túneis e modelos por computador. Ela recomenda um gasto adicional de US$ 3,8 milhões para complementar os US$ 4,5 milhões já autorizados para a análise em andamento.

Modelos por computador adicionais, ela diz, também estão sendo usados para obtenção de resultados mais específicos. O Laboratório Livermore, uma instituição financiada pelo governo que avalia ameaças à segurança, também conduziu análises de explosão para o Sistema de Transporte Rápido da Área da Baía em San Francisco.

A estratégia para minimizar o impacto das explosões nos túneis foi organizada em um programa em três partes, segundo o relatório: colocação de material para cobrir os túneis, conhecido como mantas geotêxteis de concreto; instalação de comportas nos túneis para minimizar inundações, proteção de outras partes do sistema e permitir reparos após uma explosão, assim como o reforço de partes críticas dos túneis.

Simulações mostram como, "em caso de ruptura de um túnel, a manta seria puxada para dentro e tamparia a abertura, ou no mínimo reduziria a taxa de ingresso de sedimentos e água no túnel", diz o resumo.

O resumo recomenda que a Autoridade Portuária peça autorização para uma verba adicional de US$ 71 milhões, para construção e instalação de comportas nas paradas do World Trade Center e Exchange Place, na reunião do conselho da agência em dezembro, que ocorreu em 14 de dezembro. La Vorgna não disse que medidas foram cobertas pelos US$ 180 milhões que a agência votou por gastar em melhorias de segurança do Path ou se a soma inclui os US$ 71 milhões. George El Khouri Andolfato

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