UOL Notícias Internacional
 

27/12/2006

Israel planeja novo assentamento judeu na Cisjordânia

The New York Times
Steven Erlanger

Em Jerusalém
Na terça-feira, Israel anunciou planos para construção de um novo assentamento judeu na Cisjordânia ocupada pela primeira vez em 10 anos, provocando revolta palestina e preocupação americana.

O anúncio, feito pelo Ministério da Defesa e por grupos de colonos, parece ir na contramão do atual esforço do primeiro-ministro Ehud Olmert, que ofereceu uma série de gestos aos palestinos nos últimos dias, após se encontrar com o presidente palestino, Mahmoud Abbas.

Mesmo antes da reunião, Abbas foi criticado por seus rivais políticos, membros do Hamas, que defende a destruição de Israel, de promover o que chamam de agenda israelense e americana recebendo pouco em troca.

Um funcionário israelense insinuou que o novo assentamento poderia ser parte de um acordo com os colonos judeus na Cisjordânia, para receber sua aceitação tácita da remoção dos postos avançados ilegais ali.

Mas outro funcionário israelense insistiu que o assentamento não é exatamente "novo", mas uma retomada de um assentamento aprovado em 1981, que se tornou um colégio militar em meados dos anos 90.

O ministro da Defesa, Amir Peretz, o chefe moderado do Partido Trabalhista, deu sua aprovação a uma promessa feita por seu antecessor -Shaul Mofaz, na época do Likud e atualmente do Kadima, o atual ministro dos transportes- de que casas seriam construídas no local de uma base do Exército no norte Vale do Jordão para assentar alguns israelenses forçados a deixar assentamentos na Faixa de Gaza em 2005, segundo um funcionário do Ministério da Defesa.

Pressionado por Washington a ajudar a apoiar Abbas, Olmert prometeu na semana passada lhe dar US$ 100 milhões em recursos palestinos retidos por Israel, cerca de 20% da quantia retida, mas apenas para fins humanitários. Mas os assessores de Abbas disseram que o dinheiro será usado para fortalecer seu movimento Fatah e pagar salários de pessoas leais ao Fatah. Olmert também prometeu desmontar 27 dos cerca de 400 checkpoints na Cisjordânia, apesar das críticas do comandante de Israel na região.

O novo assentamento será chamado Maskiot, e a aprovação foi dada para a construção de cerca de 30 casas. O funcionário israelense insistiu que toda a construção ocorrerá com financiamento privado.

As casas serão usadas pelas 20 famílias do assentamento linha-dura de Shirat Hayam em Gaza, que resistiram à evacuação. Para retirá-los pacificamente de Gaza, o Exército prometeu mantê-los juntos.

A decisão, disse o funcionário, "foi adiante e agora está feita, e seria muito difícil desfazê-la".

Israel decidiu basicamente deixar de construir novos assentamentos em 1992, quando Yitzhak Rabin se tornou primeiro-ministro, apesar de ter permitido o crescimento dos assentamentos existentes, mesmo enquanto prometia publicamente congelar a atividade de assentamento sob o chamado plano roteiro para a paz.

Emily Amrusy, uma porta-voz do conselho dos colonos conhecido como Yesha, disse que as famílias se mudarão para trailers no local enquanto a construção tem início nas moradias mais permanentes.

Uma porta-voz do consulado americano em Jerusalém, que lida com a Cisjordânia, disse que o novo assentamento seria problemático. "Nós o estamos analisando, e se for um novo assentamento, nós ficaremos bastante preocupados, dadas as obrigações de Israel segundo o roteiro para a paz", disse Micaela Schweitzer-Bluhm, a porta-voz.

O roteiro para a paz pede na primeira fase um congelamento na construção de assentamentos, juntamente com um esforço palestino para o desmonte dos grupos terroristas. Israel diz que o desmonte deve ocorrer primeiro e que tal ação não ocorreu. Mas prometeu separadamente ao governo Bush que construiria apenas dentro das estruturas de assentamento existentes para atender o crescimento natural, o "adensamento" dos assentamentos sem expandi-los fisicamente.

Israel também prometeu que desmontaria mais de 20 postos avançados ilegais estabelecidos desde março de 2001, mas desmontou apenas um, e isto ocorreu apenas por ordem judicial israelense. O Peace Now (paz já), um lobby israelense de esquerda que é contrário aos assentamentos e os monitora atentamente, disse que mais de 50 postos avançados foram estabelecidos ilegalmente desde março de 2001, e que há mais de 100 postos avançados ilegais na Cisjordânia, muitos deles, como o semi-assentamento de Migron, construídos em terrenos privados palestinos.

Grande parte do mundo considera todos os assentamentos israelenses na Cisjordânia ilegais segundo a lei internacional; os Estados Unidos, que costumavam chamá-los de ilegais, agora os chamam de "obstáculos para a paz" que prejulgam as negociações do status final. Os postos avançados são ilegais segundo a lei israelense porque o governo não os autorizou.

Um assessor de Abbas disse que o anúncio vai contra os entendimentos acertados entre Olmert e Abbas durante o encontro entre eles na noite de sábado.

"Nós condenamos este ato e esta decisão, especialmente por ocorrer depois do lado israelense ter se comprometido a suspender todas as ações unilaterais", disse o assessor, Saeb Erekat, para a agência de notícias "France-Presse". "Isto certamente destruirá a atmosfera criada após a reunião com Olmert, onde se comprometeram em muitas questões, especialmente suspender as ações unilaterais."

Os palestinos querem estabelecer um Estado independente na Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental e consideram qualquer construção israelense ali como sendo um ato de roubo. Israel disse que aceita a idéia de um Estado palestino, mas que os contornos exatos devem ser negociados.

Yariv Oppenheimer, diretor do Peace Now, criticou a decisão de nova construção como contrária às metas e programas declarados pelo governo e notou que não foi aprovada pelo Parlamento. "Isto é um verdadeiro escândalo, ainda mais por esta decisão ter sido tomada por Amir Peretz", ele mesmo um ex-ativista do Peace Now, disse Oppenheimer. O que pode começar com 30 casas pode muito bem se tornar mais devido ao "adensamento", disse o Peace Now.

Apesar do anúncio, o número de novas unidades habitacionais construídas na Cisjordânia ocupada foi menor em 2006 do que em qualquer um dos últimos seis anos, disse o Ministério da Habitação. Cerca de 543 novas unidades habitacionais foram construídas nos assentamentos existentes, a maioria deles em torno de Jerusalém, em comparação a 3.023 em 2000. Em setembro, o governo abriu uma licitação para a construção de 864 novas unidades habitacionais em assentamentos, uma medida criticada na época pelos palestinos e pelo Peace Now.

Mas também há relatos de que alguns colonos se mudaram temporariamente para as ruínas do assentamento de Homesh na Cisjordânia, um dos quatro assentamentos da Cisjordânia destruídos juntamente com os de Gaza em 2005.

Também na terça-feira, a Jihad Islâmica disparou mais sete foguetes Qassam de Gaza contra Israel, incluindo um que atingiu Ashkelon e dois que chegaram a Sderot. Um foguete que atingiu Sderot feriu gravemente dois adolescentes; um deles está em estado crítico. Ambos estão sendo tratados em um hospital.

Os feridos colocarão ainda mais pressão sobre Olmert para que responda militarmente. Desde o suposto cessar-fogo acertado em 26 de novembro entre os palestinos e Israel, mais de 55 Qassams foram disparados de Gaza, com metade deles atingindo Israel. A trégua não incluiu a Cisjordânia, mas a Jihad Islâmica disse que seus disparos de foguete são uma resposta às ações militares israelenses ali.

Na terça-feira, Israel prendeu o comandante da Jihad Islâmica, Mahmoud Saadi, 26 anos, na cidade de Jenin, no norte da Cisjordânia. Israel também anunciou a prisão em Ramallah, em 2 de novembro, de um alto comandante das Brigadas dos Mártires de Al Aqsa, Muhammad Sayidi, 36 anos,que era procurado há vários anos sob acusação de ter matado um israelense em 2000.

Separadamente, funcionários israelenses disseram que Olmert viajará ao Egito, provavelmente em 4 de janeiro, para se encontrar com o presidente egípcio, Hosni Mubarak, e funcionários palestinos disseram que Abbas e o primeiro-ministro Ismail Haniya, do Hamas, deverão se encontrar em breve na Jordânia para maiores discussões sobre como colocar um fim ao seu impasse político e à violência entre suas facções. George El Khouri Andolfato

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