UOL Notícias Internacional
 

29/12/2006

18 mortos em onda de violência no Rio

The New York Times
Larry Rohter

no Rio de Janeiro
Gangues do narcotráfico altamente armadas lançaram uma onda de ataques contra delegacias, cabines de polícia e vias públicas aqui na manhã de quinta-feira (28/12), e pelo menos 18 pessoas foram mortas nos confrontos.

Sete vítimas morreram em um único incidente, um ataque na madrugada contra um ônibus interestadual com destino a São Paulo. Os sobreviventes disseram que cerca de oito homens armados pararam e embarcaram no ônibus, roubaram todos a bordo e então incendiaram o veículo antes que os 28 passageiros pudessem sair.

Segundo relatos, pelo menos oito delegacias e cabines de rua da polícia também foram atacados por gangues armadas com granadas e metralhadoras. Entre os mortos nestes ataques não estavam apenas criminosos e policiais envolvidos nos tiroteios, mas também vendedores ambulantes, transeuntes e cidadãos comuns prestando queixas nas delegacias.

Os confrontos entre policiais e gangues prosseguiram por todo o dia. Esquadrões da polícia enviados para pelo menos uma dúzia de favelas nos morros com vista para a cidade foram recebidos com resistência armada, e um tiroteio interrompeu o trânsito em uma importante rua em um bairro operário.

Os ataques coincidiram com o início da temporada de turismo de verão aqui, uma importante fonte de renda. O prefeito desta cidade de 5,5 milhões, César Maia, prometeu que a violência não interferirá na famosa comemoração do Ano Novo e queima de fogos na praia de Copacabana. Mas ele reconheceu que a polícia precisará de reforços e também disse que apreciaria o envio de tropas do Exército. Organizações de notícias brasileiras disseram que a onda de violência visava ser um alerta ao novo governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. Eleito em outubro após uma dura campanha na qual o crime e a insegurança pública foram os temas principais, a posse de Cabral será na segunda-feira.

"Nós estamos passando por uma mudança de governo", incluindo uma nova equipe que estará encarregada dos presídios, disse Roberto Precioso, o secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, aos repórteres. Líderes de facções criminosas aprisionados estão "criando pressão para poder negociar concessões e privilégios", acrescentou. "Eles temem um regime disciplinar mais severo, que desejam evitar a todo custo."

Mas Maia e outras autoridades disseram que as gangues também estão reagindo à presença de "milícias" privadas nas favelas que são suas fortalezas. Estas milícias são compostas principalmente por policiais fora de serviço, que estariam exigindo pagamento dos moradores das favelas para matar ou expulsar os chefões das facções, ignorando assim as restrições legais impostas quando estão de uniforme.

Tais milícias "são altamente perniciosas para a administração pública", se queixou o secretário estadual de Administração Penitenciária, Astério Pereira dos Santos, em uma coletiva de imprensa aqui. Ele acrescentou: "As milícias assumem o controle do que pertencia aos traficantes, e assim algo impensável está acontecendo: facções criminosas estão se unindo para enfrentar as milícias".

A mais recente série de ataques ressalta o crescente problema da falta de lei nos centros urbanos do Brasil, que também foi um tema importante na eleição presidencial de outubro. Desde maio, três ondas de ataques por facções criminosas em São Paulo, a maior cidade do país, deixaram mais de 200 mortos e resultaram na destruição de mais de 350 ônibus e bancos e delegacias de polícia.

Cabral disse aos repórteres na tarde de quinta-feira que ele não será intimidado pelos ataques, os piores aqui desde 2002, quando narcotraficantes atacaram prédios do governo e ordenaram o fechamento do comércio e escolas como demonstração de força. Ele disse que reforçará as forças policiais locais e, se necessário, pedirá ajuda ao governo federal.

"É necessário manter o princípio de autoridade e não permitir a intimidação", disse o governador. "Não há sentido em usar sociologia barata em um momento como este. Criminosos devem ser tratados como criminosos."
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