UOL Notícias Internacional
 

30/12/2006

Saddam Hussein, déspota iraquiano, morre aos 69 anos

The New York Times
Neil MacFarquhar
Saddam Hussein, o tirano que oprimiu o Iraque por mais de 30 anos, lançando guerras regionais devastadoras e reduzindo seu país rico em petróleo, antes promissor, a um Estado policial claustrofóbico até ser derrubado pelas forças armadas americanas, foi enforcado no início da manhã de sábado no Iraque. Ele tinha 69 anos.

Por décadas parecia que seu firme controle do Iraque perduraria, particularmente após ter resistido a aventuras militares desastrosas primeiro contra o Irã e depois contra o Kuwait, onde a coalizão liderada pelos Estados Unidos expulsou suas forças armadas inesperadamente tímidas em 1991.

A própria convicção de Saddam de que estava destinado por Deus a governar o Iraque para sempre era tamanha que ele se recusou a aceitar que seria derrubado em abril de 2003, mesmo enquanto tanques americanos penetravam em Bagdá, a capital iraquiana, no que se tornou uma ocupação sangrenta, amarga e contenciosa.

O déspota, que evitou a captura por oito meses durante uma caçada intensiva, defendeu até o final que era o presidente por direito do Iraque. O Detido de Alto Valor Nº1, seu codinome segundo as forças armadas americanas, não poupou desprezo ao juiz iraquiano que se referia a ele como "ex-presidente" após pedir que se identificasse no primeiro dia de julgamento.

"Eu não disse 'ex-presidente', eu disse 'presidente', e tenho direitos segundo a Constituição, entre eles imunidade processual", resmungou Saddam segundo os autos do processo. A manifestação ressaltou o ego e a ilusão sem limites de um homem que promoveu tamanho culto à personalidade, durante as décadas em que governou o país do Oriente Médio, que fazer piada ou criticá-lo em público poderia levar a uma pena de morte. Um alto general condenado por tal crime em 1990 teria tido sua língua cortada antes de sua execução.

A própria execução de Saddam ocorreu após ele ter perdido a apelação automática de sua sentença de morte. Uma apelação de último minuto pelos advogados de defesa de Saddam junto a um juiz federal americano, buscando a suspensão da execução, foi rejeitada.

A condenação ocorreu pela impiedosa morte por vingança de 148 homens e meninos muçulmanos xiitas da pequena cidade de Dujail, ao norte de Bagdá, após um ataque em 1982 contra os veículos de sua comitiva. Foi uma das inúmeras tentativas de assassinato às quais sobreviveu. Saddam enfrentaria uma série de julgamentos por incidentes de magnitude ainda maior, mas os promotores iraquianos começaram por Dujail porque as evidências eram claras —incluindo a assinatura de Saddam em pelo menos uma ordem de execução.

"Vida longa ao povo!" bradou Saddam, parecendo esgotado mas desafiador, quando o juiz chefe, Raouf Rasheed Abdel-Rahman, proferiu a sentença de morte. "Vida longa à nação! Abaixo os invasores! Abaixo os espiões!" O juiz ordenou que ele fosse removido da sala do tribunal, e ele saiu ainda bradando.

Os procedimentos do tribunal foram condenados por alguns advogados e defensores de direitos humanos como "justiça do vitorioso", não menos porque o Iraque permanece sob ocupação militar americana.

Se a vida de um homem pode ser resumida a uma marca física, a de Saddam estava em seu pulso direito, no qual estava tatuada uma linha com três pontos azuis escuros, uma marca normalmente feita em crianças nas áreas rurais, tribais. Alguns iraquianos urbanos removeram ou pelo menos clarearam as suas, mas ex-confidentes de Saddam disseram ao "The Atlantic Monthly" que ele nunca escondeu a sua.

No final, sob toda a retórica socialista, sob todas as referências ao Alcorão, os ternos sob medida e as invocações da história gloriosa do Iraque, Saddam era basicamente um camponês tentando ser um líder tribal em grande escala. Seu governo foi supremo, e mantê-lo era sua principal meta, por trás de toda a conversa de desenvolvimento do Iraque, explorando sua considerável riqueza e potencial humano.

Mesquitas, aeroportos, bairros e cidades inteiras foram batizadas em sua homenagem. Um arco militar erguido em Bagdá, em 1989, foi moldado segundo seus antebraços e então ampliados 40 vezes para segurar duas espadas cruzadas gigantes. Nas escolas, os alunos aprendiam canções com letras como "Saddam, ó Saddam, você carrega a alvorada da nação em seus olhos".

O entretenimento em eventos públicos freqüentemente consistia de derramamento de elogios a Saddam. Na inauguração em janeiro de 2003 de um lago recreativo em Bagdá, poetas criavam versos espontâneos e tradutores oficiais lutavam para acompanhar frases como: "Nós nos estimularemos dizendo seu nome, Saddam Hussein, quando dizemos Saddam Hussein, nós nos estimulamos".

Enquanto Saddam estava no poder, sua estátua guardava a entrada de cada aldeia, seu retrato vigiava cada repartição do governo e ele espiava de pelo menos uma parede em cada lar. Sua foto era tão disseminada que uma piada que circulava discretamente entre seus detratores, em 1988, dizia que a população do país era de 34 milhões —17 milhões de habitantes e 17 milhões de retratos de Saddam.

Por todo seu governo, Saddam alterou as fileiras do Partido Baath com expurgos sangrentos e encheu suas prisões de prisioneiros políticos para desbaratar tramas reais ou imaginárias. Em um de seus atos mais brutais, ele lançou em 1988 gás venenoso contra a aldeia curda de Halabja, no norte, matando cerca de 5.000 cidadãos por suspeita de serem desleais e ferindo outros 10 mil.

Mesmo no final, Saddam não demonstrava remorso. Quando quatro membros do governo temporário que o substituiu o visitaram após sua captura, em dezembro de 2003, eles fizeram perguntas sobre seus atos mais brutais.

Saddam respondeu que o ataque em Halabja foi obra do Irã; que o Kuwait era parte por direito do Iraque e que as valas comuns foram enchidas de ladrões que fugiram dos campos de batalha, segundo Adnan Pachachi, um ex-ministro das Relações Exteriores iraquiano. Saddam declarou que foi "justo mas firme", porque os iraquianos precisavam de um soberano duro, disse Pachachi.

Além de sua polícia secreta, o principal fator que preservou seu poder foi sua prática de encher as fileiras superiores do regime com membros de seu clã, independentemente de suas qualificações. Suas contendas ao estilo família Corleone se tornaram matéria de folhetins sangrentos. Saddam certa vez sentenciou seu filho mais velho, Uday, à morte após ter espancado o provador de comida de Saddam até a morte diante de muitos convidados horrorizados em uma festa, mas depois revogou a ordem. Os maridos de suas duas filhas mais velhas, aos quais promoveu a importantes posições militares, foram fuzilados após desertarem e então inexplicavelmente retornarem ao Iraque.

Saddam Hussein nasceu em 28 de abril de 1937, em uma casa de barro em palafitas perto das margens do Rio Tigre, nas proximidades da aldeia de Tikrit, a 160 quilômetros a noroeste de Bagdá. Ele foi criado por um clã de camponeses sem terra, com seu pai aparentemente abandonando sua mãe antes de seu nascimento.

(Os relatos do governo diziam que seu pai morreu.) "Seu nascimento não foi uma ocasião feliz, e nenhuma rosa ou planta aromática adornava seu berço", escreveu seu biógrafo oficial, Amir Iskander, em "Saddam Hussein, o Lutador, o Pensador e o Homem", publicado em 1981.

Saddam disse ao seu biógrafo que não sentiu falta do pai ao crescer em meio ao clã. Mas histórias persistentes sugerem que o padrasto de Saddam se deleitava em humilhar o garoto e forçá-lo a cuidar das ovelhas. No final, Saddam fugiu para viver com parentes que o deixaram ir à escola.

O primeiro papel de Saddam no mundo difícil da política iraquiana veio em 1959, aos 22 anos, quando o Partido Baath ordenou que ele e nove outros assassinassem Abdul Karim Kassem, o general despótico que governava o Iraque. A violência era uma forma rápida, para um homem jovem que cresceu sem pai, em uma aldeia pobre, promover-se; derramamento de sangue se tornou o grande tema de sua vida.

Durante a tentativa fracassada de assassinato, Saddam sofreu um ferimento de bala na perna. A versão oficial retratou Saddam como um herói que extraiu a bala de sua própria perna com um canivete, enquanto outra versão sugere que a trama fracassou porque Saddam abriu fogo prematuramente.

Saddam buscou asilo no Egito, onde o presidente Gamal Abdel Nasser nutria os movimentos revolucionários na região. Saddam se lembrou de ter estudado Direito e de ignorar as atrações do Cairo. Outros se recordam de forma diferente.

"Ele era o que chamamos de encrenqueiro", disse Hussein Abdel Meguid, o dono do café Andiana, que Saddam freqüentava, lembrando anos depois em uma entrevista ao "The New York Times" que o iraquiano certa vez transformou uma briga em uma luta de facas.

Logo após voltar ao Iraque, Saddam se casou com sua prima e filha de seu mentor político, Sajida Khairallah Tulfah, em 5 de maio de 1963. O casal teve cinco filhos incluindo dois meninos, Uday e Qusay, e três meninas, Raghad, Rana e Hala.

Saddam tinha amantes, incluindo várias mulheres iraquianas proeminentes, mas nunca as exibiu.

Ele deixou esposa, três filhas e cerca de uma dúzia de netos. Uday e Qusay, juntamente com o filho adolescente de Qusay, Mustapha, morreram em julho de 2003, durante uma feroz batalha com as forças americanas em uma casa de campo na cidade de Mosul, no norte. Denunciados por um informante, eles eram os dois homens mais procurados no Iraque após seu pai.

Os primeiros anos do casamento de Saddam coincidiram com tumulto político no Iraque, com pelo menos seis golpes ou tentativas de revolta irrompendo entre o assassinato do rei Feisal 2º, em 1958, e o golpe que levou o Partido Baath ao poder em julho de 1968.

O principal papel de Saddam na época era organizar a milícia do partido, que se tornou a semente de seu temido aparato de segurança. Em novembro de 1969, ele eliminou rivais e dissidentes a ponto de o presidente Hassan al Bakr nomeá-lo vice-presidente do governo e do Conselho do Comando Revolucionário, como o Gabinete era conhecido. Saddam permaneceu chefe da inteligência e das agências de segurança interna, na prática controlando o Iraque.

O Partido Socialista Árabe Baath, cujo nome significa "renascimento" em
árabe, foi formado nos anos 30 para promover um credo secular, socialista, como o caminho ideal para atingir a unidade árabe. Mas tal dogma provou ser uma desculpa sinistra para aprisionamento, exílio ou execução de todos rivais potenciais.

Nenhum outro déspota árabe se igualou à selvageria de Saddam enquanto
curvava todas as instituições do Estado ao seu capricho. Seu notório ato inicial, em janeiro de 1969, foi o enforcamento de 17 supostos espiões de Israel, 13 deles judeus, em uma praça no centro de Bagdá. Centenas de prisões e execuções se seguiram enquanto a ala civil do Baath gradualmente extinguia as forças armadas iraquianas e a era dos golpes chegou ao fim.

Saddam invariavelmente cuidava para que aqueles ao seu redor fossem
cúmplices em seus atos sangrentos, que ele mascarava como patriotismo,
assegurando que não houvesse figura sem culpa para mobilizar a oposição.

Em um relato com autoridade sobre o regime de Saddam chamado "The Republic of Fear" (A República do Medo), o auto-exilado arquiteto iraquiano Kenaan Makiya (escrevendo com o pseudônimo de Samir al Khalil) estimou que pelo menos 500 pessoas morreram no expurgo que consolidou o poder de Saddam.

Os títulos de Saddam refletiam seu status como soberano absoluto, modelado segundo um de seus heróis, Josef Stalin da ex-União Soviética. Eles incluíam presidente da República, comandante-em-chefe das Forças Armadas, marechal de campo e primeiro-ministro. Além disso, a imprensa estatal se referia a ele repetidamente como o Lutador, o Porta-Estandarte, o Cavaleiro da Nação Árabe e a Espada dos Árabes.

De forma consistente com um governante que usou a violência para obter e manter o poder, os maiores investimentos de Saddam foram em suas forças armadas. Ele encerrou a guerra Irã-Iraque com 1 milhão de homens em armas.

Naquela época o Iraque deu início a amplos programas para conseguir um
arsenal, produzido domesticamente, de armas nucleares, químicas e biológicas. O Iraque se tornou uma potência regional, e Saddam esperava dominar o mundo árabe da mesma forma que seu herói, Nasser, tinha o controle nos anos 60. Em março de 1990, ele ameaçou "queimar metade de Israel" se o país agisse contra o Iraque, apesar de a Força Aérea Israelense ter humilhado o líder iraquiano ao destruir a instalação de pesquisa nuclear de seu país em Osirik, em junho de 1981.

Durante os anos 90, Saddam trouxe repetidas vezes o Iraque à beira de uma nova guerra, ao recusar acesso ilimitado a inspetores de armas da ONU para que catalogassem e destruíssem o arsenal de armas de destruição em massa do Iraque, como especificado no acordo de cessar-fogo após a expulsão dos iraquianos do Kuwait.

A ONU manteve rígidas sanções econômicas contra o Iraque até 1996, quando alguma exportação de petróleo foi autorizada para pagar por alimentos, medicamentos e reparos a danos causados pela guerra. As sanções, devastadoras para os iraquianos comuns, foram uma dádiva para Saddam e seus capangas. A Controladoria Geral dos Estados Unidos (GAO) estimou que o líder iraquiano desviou pelo menos US$ 10 bilhões do programa ao negociar petróleo paralelamente e exigir comissão.

Ainda assim, em um esforço para colocar um fim às sanções, Bagdá ofereceu ao longo dos anos pelo menos cinco diferente informes de armas "plenos, finais e completos", que a ONU rejeitou como lamentavelmente incompletos.

Cada um dos 20 palácios de Saddam era mantido em plena atividade, com
refeições preparadas diariamente como se ele estivesse na residência para disfarçar seu verdadeiro paradeiro. Alimentos importados para ele como lagosta eram primeiramente enviados a cientistas nucleares para serem examinados se estavam contaminados por radiação ou envenenados.

Seu vinho preferido era português, Mateus Rosé, mas ele nunca bebeu em
público para manter o conceito de que era um muçulmano rígido. Ele até mesmo fez com que genealogistas desenhassem uma árvore genealógica o ligando a Fátima, a filha do profeta Maomé.

Ele mantinha uma mesa imaculada, com relatórios de todos os ministros
empilhados de forma organizada. Ele normalmente só lia os resumos
executivos, mas ocasionalmente analisava mais fundo e se queixava de que estava sendo enganado. Ele freqüentemente era. Até mesmo seu filho Qusay dizia aos comandantes militares para que mentissem caso Saddam pensasse que algo havia sido conseguido, mas que na realidade não.

Saddam tinha fobia de germes. Mesmo altos generais convocados para se
encontrar com ele eram freqüentemente ordenados por seus seguranças a se despirem. Suas roupas (inclusive as íntimas) eram então lavadas, passadas e submetidas a raio X antes que pudessem vesti-las para se encontrar com ele. Eles tinham que lavar suas mãos com desinfetante.

Os carcereiros americanos de Saddam informaram que ele tentava manter essas precauções após sua captura, usando lenços umedecidos para limpar bandejas, sua mesa e talheres antes de comer.

Raramente viajando ao exterior, cercado freqüentemente por primos incultos, Saddam tinha uma visão de mundo bastante limitada. Ele certa vez reagiu com espanto quando um repórter americano lhe disse que nos Estados Unidos não havia lei contra insultar o presidente. Antigas autoridades o pintavam como um solitário paranóico, vaidoso, que não mais acreditava ser uma pessoa normal e que considerava concessão um sinal de fraqueza.

Saad al Bazzaz, um escritor e editor iraquiano, disse que Saddam, após
ascender muito acima de sua aldeia e após ter enganado a morte tantas vezes, acreditava que Deus o havia ungido.

Al Bazzaz disse ao "The Atlantic" que mesmo os discursos de Saddam seguiam textos do Alcorão. "No Alcorão, Alá diz: 'Se me agradeceis, vos concederei Minha graça'", disse Al Bazzaz. "No início dos anos 90, Saddam estava na TV, premiando oficiais militares, e disse: 'Se me agradeceis, vos concederei Minha graça'."

O Iraque sob Saddam era reprimido. Prisão, tortura, mutilação e execução eram ocorrências freqüentes, pelo menos para aqueles que optavam por se envolver em qualquer coisa vagamente política. Informação simples como um boletim meteorológico era confidencial. Não havia liberdade de expressão -mesmo jornais estrangeiros eram proibidos- e não havia liberdade de viagem. O contato com estrangeiros era proibido.

Havia relatos de que o próprio Saddam periodicamente realizava a tortura ou mesmo a execução daqueles que sentia que o traíram. Em 1982, por exemplo, Riyadh Ibrahim Hussein, o ministro da Saúde, sugeriu ousadamente em uma reunião de gabinete que Saddam renunciasse para facilitar a negociação de um cessar-fogo com o Irã. Saddam recomendou que os dois se retirassem para outra sala para discutir a proposta e, quando o fizeram, ouviu-se um disparo. Saddam voltou à reunião sozinho, apesar de em entrevistas posteriores ele ter negado ter matado alguém. A viúva do ministro recebeu seu cadáver desmembrado.

Logo após a Guerra do Golfo, Saddam promoveu a execução de 42 comerciantes por exploração, com seus corpos pendurados em postes telefônicos com placas dizendo "comerciante ganancioso" em volta de seus pescoços. Líderes da comunidade religiosa muçulmana xiita eram um alvo particular de execuções sumárias, notou um relatório de direitos humanos da ONU de 1998.

Por outro lado, Saddam ordenou a construção de mesquitas ao redor de Bagdá em uma escala não vista desde que era a capital medieval do califado muçulmano. Talvez a mais notável tenha sido a mesquita Mãe de Todas as Batalhas, concluída em 2001, no 10º aniversário da Guerra do Golfo. Os minaretes lembravam mísseis Scud, e a mesquita tinha o Alcorão escrito com o sangue do próprio Saddam, com o presidente doando 28 litros ao longo de mais de dois anos.

Saddam foi combativo ao longo de todo seu julgamento, usando-o como
plataforma para encorajar os rebeldes. Os procedimentos freqüentemente
pareciam descambar para o caos, com o réu e os juízes gritando uns contra os outros. O julgamento, ironicamente realizado em um dos prédios grandiosos erguidos perto do antigo palácio presidencial de Saddam, provou ser um pesadelo de segurança, com três advogados de defesa assassinados.

A certa altura, algo que Saddam disse provocou gargalhadas de um espectador sentado em uma galeria no alto. Saddam se virou e apontou o dedo, dizendo: "O leão não liga para o macaco que ri dele de uma árvore".

Saddam freqüentemente tentava traçar paralelos entre ele e famosos líderes da Mesopotâmia, a mais antiga civilização na região, assim como Saladino, o comandante militar curdo muçulmano do século 12 que expulsou os cruzados de Jerusalém.

O que o preocupava, disse Saddam, era o que as pessoas pensariam dele daqui a 500 anos. Para o horror dos responsáveis pela preservação histórica, ele fez com que muros antigos da ex-capital da Babilônia fossem completamente reconstruídos usando dezenas de milhares de tijolos novos. Um arqueólogo tinha lhe mostrado tijolos gravados com o nome de Nabucodonossor 2º, em 605 a.C.

Após a reconstrução, um pequeno texto em árabe em milhares de tijolos dizia: "No reino do vitorioso Saddam Hussein, o presidente da República, que Deus o conserve, o guardião do grande Iraque e o renovador de sua resistência e construtor de sua grande civilização, a reconstrução da grande cidade da Babilônia foi concluída..." George El Khouri Andolfato

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