UOL Notícias Internacional
 

05/01/2007

Para os democratas, uma opção: avançar ou reverter?

The New York Times
Carl Hulse

em Washington
Os democratas realizaram seu sonho político e legislativo na quinta-feira (4/1). Agora precisam enfrentar a realidade. Ao assumirem o controle da Câmara e do Senado, os membros da nova maioria devem conciliar facções ideológicas divergentes dentro de suas fileiras e fazer uma escolha fundamental. Eles podem gastar sua energia tentando reverter o que consideram falhas do governo Bush e de doze anos em que filosofia conservadora dominou o Congresso. Ou podem aceitar a inclinação para a direita do período e reconhecer, a contragosto, que os grandes cortes de impostos, desregulamentação, restrições ao aborto e outras mudanças inspiradas pelos republicanos agora fazem parte permanente da estrutura legislativa.

As tendências concorrentes estiveram em exibição em meio à badalação de quinta-feira e a emoção em torno da eleição da deputada Nancy Pelosi para presidente da Câmara, uma posição ocupada até o momento por pessoas como Sam Rayburn, Joseph Cannon e Nicholas Longworth - homens cujos nomes adornam prédios vizinhos da Câmara. "Nós quebramos o teto de mármore", disse Pelosi após receber o martelo.

Em um encontro com os representantes da bancada negra no início do dia, Pelosi fez suas próprias alusões às linhas divergentes entre os democratas, notando que o partido está enraizado em suas tradições, mas não refém do passado. Ela prometeu uma nova direção "para todas as pessoas, não para poucos privilegiados", um reflexo da política da liderança e do cálculo político de que os democratas precisam defender o cidadão comum.

"A agenda que temos está prestes a restaurar a segurança econômica a uma classe média bastante vulnerável", disse o deputado Rahm Emanuel de Illinois, presidente da bancada democrata. "A atividade real estará nestas áreas."

Mas muitos democratas argumentam que o presidente Bush e o Congresso republicano que foi seu parceiro desviaram o rumo demais para a direita em muitos casos. E acreditam que é obrigação dos democratas fazer uma correção de curso significativa.

"Eu acho que há muitas coisas que a população da América quer ver mudadas", disse o senador Patrick J. Leahy, democrata de Vermont, o novo presidente do Comitê Judiciário e um forte crítico de algumas políticas de Bush. Ele e outros deixaram claro que a nova direção precisa começar com a política americana para o Iraque.

Mas a agenda legislativa doméstica deles sugere que estão escolhendo brigas a dedo em vez de promoverem uma mudança por atacado. Na economia, eles agirão rapidamente para aumentar o salário mínimo. Na política social, eles desafiarão Bush ao pedir por uma maior pesquisa de células-tronco. Eles tentarão aprovar uma legislação aumentando a ajuda para financiamento do ensino superior para a classe média. Todas estas questões têm a vantagem dupla de grande apelo popular associada a um impacto econômico considerável sobre os indivíduos.

Mas os democratas não estão com pressa de se envolverem em uma luta com Bush em torno da peça central ideológica de sua política doméstica, seus cortes de impostos. E não mostraram inclinação para entrar na questão do aborto, apesar de sua força entre muitos de seus simpatizantes. "Nós temos que manter nossos olhos na família americana comum e meio que deixar de lado os grupos de interesse da esquerda, direita e centro", disse o senador Charles E. Schumer, democrata de Nova York. "O mundo mudou, ele exige novas soluções, não as velhas receitas democratas e republicanas."

Não há dúvida de que o retrospecto executivo e legislativo de Bush receberá um exame microscópico por meio de uma ênfase renovada na supervisão, uma função do Congresso que os democratas disseram ter sido praticamente abandonada nos últimos anos. E os resultados destas auditorias poderão determinar que políticas os democratas tentarão desfazer se encontrarem um forte argumento contra elas. "O governo Bush aprovou toda uma arquitetura de leis que serão analisadas", disse o deputado Dennis J. Kucinich, de Ohio, um dos membros mais liberais da Câmara.

Os republicanos estão aguardando para ver quais serão os desdobramentos, sem saber ao certo se os democratas desejam sinceramente dar as mãos e obter algum consenso em políticas públicas. Ou, como perguntou um alto republicano, será que os democratas hostis ao governo Bush serão como o escorpião na fábula com o sapo, incapazes de resistir ao ímpeto de picar mesmo se isto os prejudicar.

Os democratas reconheceram que com sua minúscula maioria no Senado e uma na Câmara que não é muito maior, eles carecem de força política para ir longe demais na reversão das políticas de Bush mesmo se esta fosse sua meta principal. E já estão com as mãos cheias com a realização de sua própria agenda legislativa ambiciosa, com o cumprimento de suas promessas de bipartidarismo, reforma ética e evitar tudo que possa custar ao partido suas chances de conquistar a Casa Branca em 2008.

Importantes democratas disseram que sua melhor direção é à frente, se concentrando em estabelecer um novo legado para o partido em vez de ficarem obcecados com as falhas percebidas do governo republicano. O teste para a recém-empossada liderança do partido e nova bancada no Congresso será se conseguirão se manter em tal caminho. George El Khouri Andolfato

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