UOL Notícias Internacional
 

13/01/2007

Aumento de tropas, que contava com oposição dos generais, encerra longo debate

The New York Times
Jim Rutenberg, David E. Sanger e Michael R. Gordon
Em Washington
Mesmo antes das eleições de novembro, o presidente Bush e seu conselheiro de segurança nacional, Stephen J. Hadley, estavam discutindo o que Hadley chamava de "grande esforço" -se fazia sentido aumentar a presença americana em Bagdá para retomar a cidade.

Mas quando Hadley viajou para o Iraque no final de outubro, o comandante de lá, o general George W. Casey Jr., alertou que o envio de mais soldados americanos ao Iraque poderia ser contraproducente, porque tornaria o governo iraquiano menos inclinado a se defender. Quando Bush se encontrou com o primeiro-ministro do Iraque, Nouri Kamal al Maliki, em Amã, Jordânia, em 30 de novembro, Al Maliki insistia em assumir o controle de todas as tropas iraquianas e pedia aos americanos para recuarem para os arredores da capital problemática.

Nos últimos dois meses, tais opções diametralmente opostas -o aumento de soldados americanos ou o recuo para permitir que as facções iraquianas lutassem entre si- marcaram as fronteiras do debate acirrado dentro do governo Bush. A certa altura, enquanto Bush, Hadley, a secretária de Estado, Condoleezza Rice, e o recém-nomeado secretário de Defesa, Robert M. Gates, pesavam suas opções, o presidente perguntou aos seus assessores: "Por que não recuamos de Bagdá e deixamos as facções lutarem entre si?"

Mas no final, o presidente e seus assessores riscaram todas as opções e voltaram com a idéia de um aumento de tropas americanas -a nova abordagem que concluíram ser a melhor entre uma série de escolhas difíceis, segundo um alto funcionário do governo envolvido no processo.

Uma narrativa montada a partir de entrevistas com participantes e depoimentos públicos sugere que, ao longo de grande parte do processo, os generais em solo no Iraque no último ano defendiam o início da operação com uma força substancialmente menor do que a anunciada por Bush à nação na noite de quarta-feira. No final, foi Bush que pareceu conduzir seus comandantes à conclusão de que mais tropas eram necessárias.

Aparecendo perante o Congresso na quinta-feira, o general Peter Pace, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, confirmou que Casey pediu para Bagdá apenas duas novas brigadas americanas, cerca de 9.000 soldados, juntamente com três brigadas iraquianas. A Casa Branca lhe deu cinco brigadas. O general John P. Abizaid, que chefia o Comando Central, era contrário a qualquer aumento no número de soldados americanos até meados de novembro, quando foi persuadido de que os estímulos econômicos prometidos tanto pelo Iraque quanto pelos Estados Unidos fariam valer a pena o aumento de soldados.

Funcionários da Casa Branca se mostravam claramente sensíveis na quinta-feira sobre qualquer sugestão de que o presidente deu uma contra-ordem a seus generais. Eles disseram que os generais buscaram garantias de que os iraquianos realizariam as iniciativas políticas e colocariam um fim à prática de libertar milicianos amigos do governo capturados pelas forças americanas ou iraquianas.

A forma como se desdobrou a posição de Bush em relação ao Iraque nos últimos meses é notável. Em comentários públicos antes das eleições, Bush ainda insistia que "estamos vencendo, certamente", e resistia aos pedidos de aumento do número de soldados por alguns de seus próprios simpatizantes. Seus generais, ele dizia, não viam necessidade disto. Durante uma sessão de entrevista com colunistas conservadores em setembro, Bush disse: "Se o general Casey sentir que precisa de mais tropas, nós as enviaremos", segundo uma transcrição postada pelo The National Review. Ao ser perguntado por um de seus entrevistadores, "E se ele estiver errado?", Bush respondeu: "Então eu escolhi o general errado".

Bem antes da eleição, Bush decidiu pela saída do secretário de Defesa, Donald H. Rumsfeld, o homem que passou a personificar a estratégia de força mínima. Vários funcionários e oficiais de dentro e fora do governo disseram que a saída de Rumsfeld em 8 de novembro ajudou a dar mais poder a Hadley, assim como a seu vice no Conselho de Segurança Nacional, Jack D. Crouch, para pressionar por um estudo para um grande aumento de tropas.

Estes dois homens conduziram o processo de revisão dentro da Casa Branca e ambos disseram ao longo do caminho que estavam considerando muitas opções. Mas Hadley estava claramente concentrado no tamanho das tropas desde o início, sugerindo em um memorando de 8 de novembro que o presidente devia pedir ao Pentágono e Casey a recomendação de que mais forças eram necessárias em Bagdá.

Hadley claramente acreditava desde o início da revisão que a abordagem do governo ao longo de grande parte de 2006 -de que a reconciliação política levaria à estabilidade- não estava funcionando. "Você tem este elemento de paradoxo no problema", disse Hadley em uma conversa em seu gabinete antes de sua viagem a Bagdá, no final de outubro. "Você não consegue ter segurança sem progresso político e econômico, mas é difícil ter progresso político e econômico sem segurança. Há um grau mínimo de segurança necessário."

Um alto funcionário envolvido nas discussões disse que o instinto de Bush desde o início do processo de revisão -e o de outros- era considerar uma retirada de Bagdá, permitir que a luta entre os iraquianos se resolvesse sozinha e concentrar as forças americanas na caça de combatentes associados à Al Qaeda. "Ao analisar isto e olhar para trás, não faz sentido", disse o funcionário. "Você deixaria Bagdá à procura da Al Qaeda e faria vista grossa a uma limpeza étnica em andamento?"

No final, disse o funcionário, as equipes de Hadley concluíram que uma retirada americana de Bagdá "encaixotaria o governo".

Outra opção discutida foi tentar guiar o governo iraquiano na direção de um realinhamento político que basicamente deporia Al Maliki, colocando uma figura mais forte no lugar. Por processo de eliminação, estas discussões levaram os principais assessores de Bush a apoiar a idéia de um aumento de tropas. Pace disse na quinta-feira que, em dezembro, Casey "fez as contas" sobre quantos soldados ele precisava em Bagdá e, após um ano dizendo que tinha o suficiente, apresentou o pedido de mais três brigadas iraquianas e duas americanas, além de uma brigada americana para a província de Anbar.

Mas Pace disse que uma análise conduzida pelo Pentágono concluiu que o pedido de Casey era pequeno demais e deveria ser aumentado em mais três brigadas americanas para Bagdá.

"Nós colocamos uma apólice de seguro em nosso plano", disse Pace.

Ele disse que Abizaid --que está se aposentando neste ano-- era contrário à idéia de aumento de tropas em novembro. Mas Abizaid voltou atrás, disse Pace, quando viu que as forças adicionais de combate americanas seriam acompanhadas de um "estímulo político e econômico". Abizaid então decidiu que mais tropas "seriam úteis". George El Khouri Andolfato

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