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13/01/2007

Nos EUA, vinho se torna popular e aumentam as degustações

The New York Times
Kristina Shevory


Em Nova York
Andrew Sia queria encontrar um sommelier para fazer uma palestra em seu clube de degustação de vinho, mas não sabia se teria condições de pagar um.

E havia a questão do sorvete.

Além de gostar de vinho, Sia, 34 anos, gosta de fazer seus próprios sorvetes e sorbets. Apesar de lhe parecer natural casar os dois, ele suspeitava que o consultor de vinhos poderia não concordar.

"Nossa primeira preocupação era que seria algo mais austero", disse Sia. "Nós queríamos que fosse mais uma festa."

Folha Imagem 
Os bebedores de vinho cada vez mais buscam formas de melhor entender o que bebem


De forma hesitante, ele e sua esposa, Evangeline, contataram a Nancy's Wines for Food, uma loja especializada em vinhos do Upper West Side de Manhattan. Após conhecerem Jason Spingarn da Nancy's Wines, eles relaxaram. O jeito descontraído de Spingarn foi um alívio, disse Sia, e Spingarn apreciou de imediato o desafio de um casamento de vinho com sorvete. Melhor ainda, custaria apenas US$ 375 para 15 pessoas -bem menos do que imaginavam.

Eles provaram alguns vinhos e Spingarn acabou escolhendo nove garrafas de tinto, branco, de sobremesa e espumante para uma degustação em outubro no loft TriBeCa. Spingarn levou, por exemplo, um gewuerztraminer alemão para casar com o sorbet de pêra com gengibre de Sia e um sauvignon blanc neozelandês para acompanhar seu sorbet de kiwi.

"Eu achei que, como Jason topou, devíamos fazê-lo", disse Sia. "Quantas vezes você tem a chance de degustar vinho com sorvete. Ele me convenceu de que era possível."

Degustações de vinho não são novidade, mas estão mudando drasticamente. Há 20 anos uma degustação costumava ser formal e os vinhos mascarados, com os degustadores desafiados a identificá-los e avaliá-los. Mas à medida que o vinho se populariza e a sede por conhecimento ultrapassa a classe esnobe, as degustações se soltaram. Vinho atualmente é considerado um evento social, algo em que basear a noite.

"Algo estranho aconteceu e o vinho entrou na cultura popular com tudo quando (a série) 'Sex and the City' mostrou quão chique era beber vinho", disse Sergio Esposito, fundador e sócio administrativo da Italian Wine Merchants.

A mudança nas degustações acompanha o crescimento no consumo de vinho. Cerca de 33% dos americanos agora bebem vinho, em comparação a 27% em 1992, segundo a Gallup Organization.

Os bebedores de vinho cada vez mais buscam formas de melhor entender o que estão bebendo. Sites, livros, cursos e escolas prometem transformar bebedores em aficionados sem temor de parecerem estúpidos. Restaurantes, lojas, sommeliers e consultores privados estão ministrando aulas e até mesmo realizando eventos em lares, tornando o vinho mais acessível em um ambiente menos ameaçador.

Na Italian Wine Merchants, as degustações abertas de vinho se tornaram tão populares em 2001 que Esposito tinha dificuldade de falar em meio ao barulho. Em vez dos 20 a 50 entusiastas sérios que costumava ter, suas degustações estavam atraindo uma mistura de colecionadores e pessoas mais interessadas em socializar e arrumar um encontro. Ele finalmente as cancelou há quatro anos e agora se concentra exclusivamente em eventos privados.

Outras lojas e consultores têm agendas diferentes. Para as lojas de vinho, as degustações privadas são uma boa forma de atrair novos clientes e aumentar o lucro, já que normalmente levam para degustação seus próprios vinhos, na esperança de que os degustadores comprarão o que provarem. Quanto aos consultores, é uma boa forma de atraírem clientes corporativos por meio de um bom boca-a-boca.

Apesar das degustações privadas exigirem um maior compromisso do que o aparecer na loja local para beber um pouco de vinho e um bater um pouco de papo, elas podem ser qualquer coisa -uma palestra livre de introdução em uma festa ou a degustação de um velho Barolos. Os preços variam de US$ 250 por uma degustação simples a US$ 5 mil para um jantar, geralmente incluindo o vinho.

Assim como em sua loja, a Italian Wine Merchants limita o foco de seus eventos privados às uvas, vinhos e vinícolas da Itália. Comida está sempre incluída -sem surpresa, já que o co-proprietário da loja é o conhecido chef Mario Batali de Nova York- com seleções que vão além do habitual queijo e bolachas. Entre os pratos estão costeletas de cordeiro com feijão de corda e legumes assados e lingüini com mariscos. Os preços variam de US$ 1.500 a US$ 17.500 dependendo do tamanho da festa.

Uma festa de vinho é fácil de organizar porque os anfitriões não precisam fazer tudo, a menos que queiram oferecer bolachas ou pão para absorver o álcool. Na degustação de Sia, os convidados trouxeram uma variedade de queijos, carnes curadas e pão. Spingarn trouxe taças, anotações e o vinho.

"A única coisa que tive que fazer foi limpar a casa e fazer o sorvete", disse Sia.

Mesmo aqueles com conhecimento sobre vinho podem aprender algo em uma degustação. Nos últimos dois anos e meio, Richard D. Parsons, chefe da Time Warner, procurou a Italian Wine Merchants para ser a anfitriã de degustações privadas para mais de 30 amigos, parentes e colegas de trabalho. O tema poderia ser a exploração de novos vinhos e regiões, talvez uma variedade de Amarones dos melhores produtores da Itália na região do Vêneto, como Giuseppe Quintarelli e Romano Dal Forno.

Parsons tem conhecimento quando se trata de vinho: entre seus interesses, ele é dono da vinícola Il Palazzone na Toscana. E suas degustações freqüentemente incluem amostras do Brunello di Montalcino de sua propriedade.

Nas degustações privadas, "uma pessoa tem a oportunidade de aprender mais informações específicas sobre um vinho, seu terroir, seu produtor e a safra", escreveu Parsons em uma mensagem por e-mail. "O diálogo é mais íntimo e mais importante, os vinhos podem ser adequados aos meus interesses no momento."

As degustações privadas também oferecem uma chance de provar vinhos que caso contrário poderiam ser inacessíveis ao bolso ou impossíveis de encontrar. No Seastar Restaurant and Raw Bar em Bellevue, Washington, Erik Liedholm, o diretor de vinhos, oferece apenas "o padrão ouro" de vinhos em suas aulas. Ele disse que deseja que alunos aprendam qual é o gosto de um vinho realmente bom para que tenham uma referência para comparação com outros vinhos. Em uma recente degustação, ele serviu um cabernet sauvignon da vinícola cult Leonetti Cellar, que custa mais de US$ 120 -se conseguir encontrá-lo.

Há três anos, Liedholm realizou degustações para clientes ávidos em aprender mais. Ele costumava começar pelo básico, mas percebeu rapidamente que seus alunos estavam se tornando cada vez mais sofisticados e fazendo perguntas mais profundas. Ele ajustou o programa e agora discute as regiões de vinho do Estado de Washington e traz produtores de vinho locais. As aulas custam US$ 220 por trimestre.

Os moradores de Washington, D.C, podem até mesmo contratar uma personalidade da TV para realizar uma degustação em casa. Mark Phillips, diretor executivo da Wine Tasting Association, oferece degustações por até US$ 15 por pessoa. Phillips, que serviu de apresentador em março passado do programa "Apreciando Vinho com Mark Phillips" da rede "PBS", tenta romper estereótipos -até mesmo trazendo vinhos baratos para mostrar às pessoas quão bons os vinhos se tornaram. Como muitos consultores de vinho, ele visa proporcionar às pessoas um momento agradável ao mesmo tempo em que lhes ensina algo.

É importante para uma degustação casar o conhecimento com a personalidade dos participantes. Caso contrário, eles podem ficar entediados ou se sentirem deslocados. Reconhecendo isto, William Tisherman, o fundador da Wine for All, em Katonah, Nova York, tenta tornar o vinho mais compreensível. Ele inclui em suas degustações piadas e prêmios, como chaveiros de rolhas e bolhas de sabão em miniaturas em plástico de garrafas de champanhe. Ele cobra de US$ 40 a US$ 75 por pessoa e fornece o vinho.

"Eu não costumo ficar listando sabores como na maioria das degustações", disse Tisherman, o ex-editor da revista Wine Enthusiast. "Eu tento oferecer a informação em pequenos pedaços e me certificar de que sejam rápidos."

As degustações mais bem-sucedidas são focadas e informativas, disseram os organizadores, sem se prenderem a detalhes demais. Para a maioria, o evento é principalmente uma diversão com parentes e amigos.

"Após algum tempo, eu não sou mais necessário", disse Spingarn, lembrando o evento de Sia. "Eu fiquei até as 2 horas da manhã, até acabar todo o sorvete e vinho. Foi uma excelente degustação de vinho." George El Khouri Andolfa

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