UOL Notícias Internacional
 

20/01/2007

Jornalista que falou a favor dos armênios é morto em rua de Istambul

The New York Times
Sebnem Arsu

em Istambul, Turquia
Hrant Dink, um proeminente editor de jornal, colunista e voz dos cidadãos de etnia armênia na Turquia, que foi processado por contestar a versão oficial turca do genocídio de armênios em 1915, morreu baleado enquanto deixava sua redação em uma rua movimentada no centro de Istambul, nesta sexta-feira (19).

Lynsey Addario/The New York Times - Arquivo 
Em artigos recentes, Hran Dink descreveu o aumento das ameaças de morte contra ele

As imagens de televisão mostravam Dink estendido em uma calçada movimentada, coberto com um pano branco em frente à redação de seu semanário bilíngüe turco-armênio, "Agos". As autoridades disseram que detiveram três suspeitos. Os investigadores estavam verificando as gravações das câmeras de vigilância das lojas próximas.

Dink, 33 anos, um turco de descendência armênia, freqüentemente provocava grande raiva na Turquia por causa de seus comentários sobre o genocídio, que a Turquia nega. Ele também enfureceu algumas pessoas de etnia armênia ao se opor à exigência delas de que o reconhecimento do genocídio pela Turquia fosse uma condição para o ingresso na União Européia.

Dink via a entrada na União Européia como a melhor rota para fortalecer a democracia na Turquia. Em artigos recentes, ele descrevia o aumento das ameaças de morte contra ele. "Eu não sei quão reais são estas ameaças", ele escreveu, "mas o que é realmente insuportável é a tortura psicológica na qual vivo, como um pombo, virando a cabeça para cima e para baixo, para a esquerda e direita, minha cabeça sempre rodando rapidamente".

A reação à morte, tanto aqui quanto no exterior, foi rápida e profunda. O primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan a condenou como um ataque à paz e estabilidade da Turquia.

"Uma bala foi disparada contra a liberdade de pensamento e contra a vida democrática na Turquia", ele disse em uma coletiva de imprensa. "Novamente, mãos sombrias escolheram nosso país e derramaram sangue em Istambul para atingir suas metas sombrias."

Em uma demonstração incomum de raiva e pesar, os comentários do primeiro-ministro foram repetidos pelo chefe das forças armadas, pelo presidente e outras autoridades.

Várias milhares de pessoas marcharam da redação de Dink até a Praça Taksim, na noite de sexta-feira, para protestar contra a morte. Homens, mulheres e crianças seguravam fotos de Dink, decoraram a porta de sua redação com flores, acenaram bandeiras pretas e cantaram "Ombro a ombro contra o fascismo" e "Somos todos Hrant; somos todos armênios".

Autoridades européias e grupos de direitos humanos também expressaram horror e exigiram que a Turquia faça mais para proteger a liberdade de expressão.

Dink era um dos vários intelectuais condenados segundo o Artigo 301 do Código Penal Turco, que pune comentários contra o Estado ou contra a identidade turca. A lei foi criticada pela União Européia como uma violação da liberdade de expressão. George El Khouri Andolfato

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