UOL Notícias Internacional
 

24/01/2007

Greve do Hizbollah praticamente pára Beirute

The New York Times
Nada Bakri, em Beirute

e Hassan M. Fattah, em Duba, Emirados Árabes Unidos
Milhares de simpatizantes do Hizbollah, apoiado pelo Irã, que está buscando derrubar o governo pró-Ocidente, entraram em choque com simpatizantes do governo e bloquearam estradas que levam à capital libanesa nesta terça-feira (23), aumentando o temor de que a crise política poderá levar a um conflito sectário aberto.

Pelo menos três pessoas morreram e 100 outras ficaram feridas por todo o país por causa da violência, a pior desde que o Hizbollah começou a exigir mais poder político no final do ano passado, disseram policiais na noite de terça-feira. Multidões de homens queimaram pneus, incendiaram carros e travaram batalhas armadas ocasionais com seus oponentes políticos.

Em alguns casos, oponentes bradavam slogans com claros tons sectários, um desdobramento particularmente assustador para aqueles que viveram a sangrenta guerra civil do país, de 1975 a 1990.

Ao anoitecer, a oposição começou a remover a maioria dos bloqueios de estrada improvisados em Beirute e anunciou o fim do protesto. Mas o grupo alertou que mais protestos poderão ocorrer. "Esta foi uma demonstração de força por um dia", disse Paul Salem, diretor do Centro Carnegie Oriente Médio, em Beirute.

A oposição acusa o primeiro-ministro Fouad Siniora de corrupção e suborno e o despreza como fantoche do Ocidente. Ela pediu sua renúncia e a formação de um governo de "unidade", que daria poder de veto ao Hizbollah e seus aliados.

A violência de terça-feira ocorreu dois dias antes de uma conferência crucial de países doadores em Paris, para assegurar US$ 5 bilhões em empréstimos e ajuda para reconstrução das partes do Líbano destruídas na guerra entre Israel e o Hizbollah no ano passado. O Hizbollah tem concorrido com o governo na ajuda aos moradores do sul do país e dos bairros ao sul de Beirute, os locais mais duramente atingidos durante a guerra que durou um mês.

Siniora insistiu na terça-feira que nada o impediria de viajar a Paris. "Eu peço a vocês que pensem claramente onde eles desejam levar vocês, para longe do que é de interesse de vocês e do país", disse Siniora, se dirigindo aos manifestantes pela televisão. "Nós permaneceremos juntos contra a intimidação. Nós permaneceremos juntos contra o conflito."

O tumulto começou ao amanhecer, quando grupos de manifestantes montaram bloqueios de estrada ao longo das principais vias que levam a Beirute, bloqueando estradas com pneus em chamas, caminhões e entulho, supostamente dos prédios demolidos no ano passado pelas bombas israelenses. Eles incendiaram veículos e, em várias ocasiões, foram filmados atacando carros que passavam pelo seu cordão.

Em Beirute, muitos dos confrontos ocorreram em bairros mistos, onde jovens de ambos os lados da divisão política gritavam insultos e atiravam pedras uns contra os outros.

Ao longo de uma importante via, homens se envolviam em brigas em meio a disparos esporádicos. Um lado erguia fotos do xeque Nasrallah, um xiita, e queimava fotos do ex-primeiro-ministro libanês, Rafiq Hariri, um sunita cujo assassinato em 2005 deu início à mais recente turbulência política no Líbano. O outro grupo se alinhava do outro lado da rua e erguia fotos de três sunitas: Hariri, Siniora e Saddam Hussein.

Na estrada costeira ao norte de Beirute, simpatizantes do general Michel Aoun, líder do Movimento Patriótico Livre, um grupo cristão e aliado do Hizbollah, entrou em choque com homens leais a Samir Geagea, um aliado do governo, em confrontos particularmente violentos.

"É uma revolução contra nós, eles estão nos atacando com pedras, queimando fotos de nossos líderes e bloqueando nossas estradas", disse Ibrahim Hijazi, 29 anos, que disse apoiar o governo.

Os líderes da oposição insistiram que seus simpatizantes estavam protestando "pacificamente" quando moradores começaram a atirar pedras contra eles. Eles também disseram que não se deixarão ser arrastados para um conflito sectário.

"O bloqueio de estradas é uma manifestação democrática que ocorre em todas as partes do mundo", disse Hussein Haj Hassan, um membro do bloco parlamentar do Hizbollah. "O governo recusou todas as soluções que propusemos de forma que só nos restou estas opções, e eu o alerto de que ainda temos muitas outras formas de protesto."

Siniora, falando na televisão libanesa na noite de terça-feira, permanecia desafiador, insistindo que não renunciará e que ainda desfruta do apoio do país. "Hoje nós estamos em uma encruzilhada", disse Siniora. "Vamos escolher a coexistência, a paz cívica, a unidade e estabilidade, a liberdade e a democracia em vez das estradas que nos dividirão ainda mais, esperdiçarão nossa energia e aumentarão as chances de violência e terrorismo."

O comércio e empresas ficaram fechados em muitas partes do país em apoio à greve geral convocada pelo xeque Nasrallah, com ruas vazias e muitas áreas cobertas pela fumaça preta espessa dos pneus queimados.

No Aeroporto Internacional Rafiq Hariri, o único aeroporto civil no Líbano, homens do Hizbollah usando máscaras de esqui e empunhando bastões impediam o acesso dos viajantes ao terminal.

Segundo a agência de notícias "The Associated Press", duas das mortes ocorreram em Tripoli, uma cidade no norte, onde dois grupos -um de maioria sunita e outro alawita, um ramo dos xiitas- se enfrentaram em um confronto armado. A outra morte ocorreu durante uma troca de tiros na região cristã de Batroun, disse a "AP". George El Khouri Andolfato

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