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24/01/2007

Presidente israelense enfrenta indiciamento por crimes sexuais

The New York Times
Greg Myre

em Jerusalém
O procurador-geral de Israel planeja indiciar o presidente Moshe Katsav por estupro e outros crimes sexuais, o Ministério de Justiça anunciou nesta terça-feira (23), naquele que seria o caso criminal mais sério envolvendo uma importante autoridade israelense.

EFE 
O presidente Moshe Katsav nega os crimes e diz que é vítima de falsas acusações

Katsav, cujo posto é praticamente cerimonial, nega ter feito qualquer coisa errada. Ele não comentou na terça-feira, mas planeja realizar uma coletiva de imprensa na quarta-feira segundo seus advogados.

"O presidente está convencido de que é vítima de falsas acusações e tentativas de removê-lo de seu cargo, e lutará para provar sua inocência", disse David Libai, um advogado de Katsav, em uma coletiva de imprensa em Tel Aviv.

O anúncio pelo Ministério da Justiça levou a mais pedidos para que o presidente renuncie, o que tem se intensificado desde que as acusações vieram à tona no ano passado. "Eu acho que o presidente deve anunciar sua renúncia imediatamente", disse Zahava Gal-On, um membro do Parlamento, à "Rádio Israel". "Eu acredito que ele devia ter feito isto há muito tempo, mas agora, com o anúncio do procurador-geral de tal indiciamento, não deve haver mais atraso", ela disse.

Por meio de seus advogados, Katsav, 61 anos, indicou anteriormente que poderia se afastar do cargo a certa altura e que renunciaria caso fosse indiciado. Apesar de geralmente se manter discreto, nas últimas semanas ele ganhou visibilidade e insinuou que enfrentaria as acusações no cargo, informou a imprensa israelense.

Se ele optar por permanecer no cargo, Katsav teria direito a uma audiência antes do indiciamento. Mas o anúncio público feito pelo Ministério da Justiça torna altamente provável que o procurador-geral Menachem Mazuz fará o indiciamento. "O procurador-geral, com o acordo do procurador do Estado, chegou à conclusão de que há evidência clara suficiente para indiciar o presidente", disse o Ministério da Justiça em uma declaração.

A lei israelense proíbe que um presidente em exercício seja julgado. Mas um julgamento é permitido se ele renunciar, sofrer impeachment pelo Parlamento ou após o término de seu mandato de sete anos, que chegará ao fim nos próximos meses.

Segundo o Ministério da Justiça, Katsav poderá enfrentar acusação de estupro envolvendo uma mulher que trabalhou com ele quando era ministro do Turismo, no final dos anos 90. Ele também poderá ser acusado de má conduta sexual envolvendo três mulheres que trabalharam no gabinete do presidente desde 2000.

Katsav, que é casado e pai de cinco, também poderá enfrentar acusações de fraude e violação da confiança, disse o Ministério da Justiça. Como a autoridade do presidente é limitada, o caso de Katsav não deverá ter um impacto direto no governo israelense, liderado pelo primeiro-ministro Ehud Olmert.

Mas o caso ocorre em um momento em que muitos israelenses expressam profunda decepção com a liderança do país. Olmert é alvo de duas investigações formais. Uma envolve a venda de sua casa em Jerusalém e a compra de uma casa nova. A segunda investigação, anunciada na semana passada, buscará determinar se Olmert ajudou amigos de forma imprópria antes da privatização de um importante banco israelense em 2005.

Vários outros políticos israelenses estão em vários estágios de processos legais em casos envolvendo nomeações políticas impróprias, má conduta sexual e outras acusações.

Além disso, Olmert e os líderes militares do país foram amplamente criticados pela condução da guerra contra o Hizbollah no Líbano, no ano passado, e os índices de aprovação do primeiro-ministro despencaram.

O caso de Katsav se tornou público em julho passado, quando ele disse que estava sendo chantageado por uma mulher que trabalhou com ele e o acusava de assédio sexual.

Mas uma investigação policial revelou que as alegações da mulher eram críveis, e várias outras mulheres acusaram Katsav de conduta sexual imprópria.

Em outubro, a polícia encaminhou ao procurador-geral o pedido de indiciamento do presidente por estupro e assédio sexual. O procurador geral estava estudando o caso desde então. "Há um grande senso de alívio; os fatos falam por si próprios", disse Kinneret Barashi, o advogado de uma das acusadoras, para a "Rádio do Exército".

Katsav serviu no Parlamento e como ministro do governo por muitos anos, representando o Partido Likud de direita. O Parlamento, ou Knesset, o escolheu como presidente após a renúncia de Ezer Weizman em 2000, em meio a um escândalo próprio.

Como ministro do Gabinete e membro do Parlamento, Weizman recebeu centenas de milhares de dólares nos anos 80 de um empresário francês com interesses em Israel. Weizman, que reconheceu ter recebido o dinheiro mas nunca foi indiciado, morreu em 2005. George El Khouri Andolfato

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