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25/01/2007

Kerry não entrará na disputa presidencial

The New York Times
Adam Nagourney

em Washington
O senador John Kerry, o democrata de Massachusetts que perdeu por pequena margem a eleição presidencial para Bush em 2004, anunciou nesta quarta-feira (24) que não se candidatará novamente à Casa Branca, dizendo que prefere usar sua posição na nova maioria no Senado para pressionar pelo fim do envolvimento americano no Iraque.

Andrew Councill/The New York Times 
Kerry prefere usar sua posição no Senado para pressionar pela saída dos EUA do Iraque

"Nós chegamos perto, certamente perto o bastante para ficarmos tentados a tentar novamente", disse Kerry, lembrando sua candidatura de 2004, na conclusão de um discurso de 30 minutos atacando a política de Bush para o Iraque no plenário do Senado. "Agora há motivos poderosos para querer continuar em tal luta. Mas concluí que não é hora para montar uma campanha presidencial. É hora de botar minha energia a serviço da maioria do Senado e fazer tudo o que posso para colocar um fim à guerra no Iraque."

O anúncio de Kerry, apesar de feito em um local pouco ortodoxo, não causou surpresa. Ele se curvou a um Partido Democrata que claramente não estava receptivo e voltou sua atenção para novos candidatos, em particular os senadores Barack Obama, de Illinois, e Hillary Rodham Clinton, de Nova York, que entraram na disputa neste mês. Muitos democratas disseram que já esperavam pela decisão de Kerry de não concorrer após sua avaliação de quanto apoio contava dentro de seu partido. A maioria de seus assessores na campanha de 2004 já arrumou outro trabalho.

Ainda assim, sua decisão provocou ondas nas águas políticas, respondendo mais uma pergunta sobre como o campo democrata final se parecerá. Mais que isto, pareceu encerrar uma candidatura que para Kerry realmente não acabou após o dia da eleição em 2004, que teve início com pesquisas de boca-de-urna apontando que ele teria uma vitória sólida -assessores já o tratavam como senhor presidente- e acabou com ele dando um telefonema para Bush reconhecendo a vitória deste. Tal experiência, disseram amigos, deixou Kerry amargo, frustrado e ansioso por uma revanche.

Ele usou seu tempo no plenário do Senado para recontar sua própria história como um veterano do Vietnã que voltou da guerra há quase 40 anos para se tornar um oponente do conflito. Sua voz embargava de emoção, ele traçou comparações freqüentes entre as duas guerras enquanto argumentava contra a política externa de Bush no Oriente Médio.

"O fato é, o que acontecer aqui nos próximos dois anos poderá mudar irrevogavelmente ou distorcer terrivelmente o governo de quem quer que seja o próximo presidente eleito", ele disse, acrescentando: "Eu não quero que o próximo presidente descubra que herdou uma nação ainda dividida e uma política destinada a acabar como no Vietnã".

O discurso de Kerry obteve tributos de outros democratas, incluindo o democrata sênior de Massachusetts, Edward M. Kennedy, que vinha pressionando para que Kerry tomasse uma decisão.

Outro senador democrata que está concorrendo à presidência, Joseph Biden, de Delaware, disse: "Minha reação inicial à decisão do senador Kerry foi de extrema tristeza. John Kerry é uma voz importante na política americana e o país estaria melhor hoje se ele fosse o presidente".

Kerry fez seu anúncio às 15 horas em uma câmara do Senado que, fora dois outros senadores - Kennedy e Harry Reid, o líder da maioria - estava quase vazia. Um assessor disse que Kerry pretende disputar um quinto mandato no Senado em 2008.

O senador, em suas viagens pelo país desde a eleição, argumentava que esteve próximo da vitória em 2004 e que seria um melhor candidato, com experiência adicional, em 2008.

Após ser ridicularizado na disputa de 2004 - quando disseram que ele estava equivocado em relação à guerra no Iraque - ele despontou como um dos principais oponentes da guerra no partido, e renunciou seu apoio original à resolução autorizando a guerra, que lhe causou tantos problemas na última eleição.

Mas Kerry enfrentou duros obstáculos na tentativa de obter uma segunda indicação por seu partido. Entre outras coisas, muitos de seus simpatizantes deixaram claro que não o apoiariam novamente, muitos o culpando de erros em 2004 que abriram o caminho para a vitória de Bush.

Kerry também se viu diante de um campo extenso e incomumente forte de candidatos democratas, incluindo Hillary Clinton, Obama e o companheiro de chapa de Kerry em 2004, John Edwards, o ex-senador da Carolina do Norte.

Mas as esperanças de Kerry provavelmente foram mais prejudicadas pelo que ele disse ter sido uma piada mal contada, enquanto fazia campanha pelos candidatos ao Congresso na semana final das eleições de 2006.

O texto preparado para Kerry pedia que dissesse: "Você sabe onde você acaba se não estudar, se não for inteligente, se for intelectualmente preguiçoso? Você acaba nos atolando na guerra no Iraque. Basta perguntar ao presidente Bush". Mas ele se atrapalhou e disse que "você acaba atolado na guerra do Iraque".

Os republicanos disseram que sua piada menosprezava os soldados americanos que estão lutando no Iraque. Kerry respondeu abandonando a campanha e saindo de cena. Para muitos democratas, o comentário foi um lembrete dos casos de inépcia de Kerry durante a campanha presidencial, incluindo suas tentativas atrapalhadas de explicar suas mudanças de opinião em relação à guerra no Iraque. Na mais famosa, ele disse que votou pela apropriação de US$ 87 bilhões para a guerra "antes de votar contra ela", um vídeo que os republicanos rapidamente transformaram em uma caricatura definidora do candidato democrata. George El Khouri Andolfato

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