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26/01/2007

Comitê do Senado condena plano de Bush para aumento de tropas

The New York Times
Jeff Zeleny

Em Washington
Um dia após o presidente Bush implorar ao Congresso para dar à sua estratégia para o Iraque uma chance de sucesso, o Comitê de Relações Exteriores do Senado aprovou uma resolução na quarta-feira condenando o plano para envio de mais soldados para Bagdá, estabelecendo o confronto mais direto em torno da guerra desde que ela teve início há quatro anos.

O Senado deverá considerar o repúdio, apenas simbólico, de Bush já na próxima quarta-feira. Os líderes democratas concordaram em atenuar a linguagem na resolução, na esperança de que se torne mais aceitável para os republicanos em um esforço para enviar uma forte censura bipartidária à Casa Branca.

"Isto não visa dizer, 'sr. presidente, ha-ha, o senhor está errado'", disse o senador Joseph R. Biden Jr., democrata de Delaware e presidente do comitê. "Isto visa dizer, 'sr. presidente, por favor, não faça isto'."

Mesmo enquanto a Casa Branca trabalhava delicadamente para persuadir alguns republicanos a considerarem a abordagem do presidente, o governo também disse que uma ação do Congresso não interromperá o plano para envio de mais 20 mil soldados americanos ao Iraque.

Em uma entrevista para o canal de TV "CNN", o vice-presidente Dick Cheney declarou: "Isto não nos impedirá".

O Comitê de Relações Exteriores aprovou a resolução por 12 votos contra 9, com o senador Chuck Hagel, republicano de Nebraska, se juntando a 11 democratas no apoio à medida. Mas mesmo os republicanos que são contrários à resolução, incluindo o senador Richard G. Lugar, de Indiana, expressaram dúvidas profundas sobre se um aumento do número de soldados poderá ter sucesso e sugeriram que é hora de uma nova direção.

As emendas rejeitadas pelo comitê fortaleceriam ou atenuariam a resolução, que descreve o plano de Bush para aumentar o número de soldados como contrário aos interesses nacionais. Alguns republicanos expressaram relutância em apoiar a legislação por temerem que possa ser vista como um ataque político a Bush, mas se mostraram abertos a apoiar um plano semelhante oferecido pelo senador John W. Warner, republicano da Virgínia.

O Comitê de Relações Exteriores tende a promover uma posição mais centrista do que o Senado como um todo, mas os democratas disseram acreditar que pelo menos 8 dos 49 republicanos poderão se juntar a quase todos os democratas no apoio à resolução -a de Biden ou Warner- que critica o plano de Bush de envio de mais tropas.

O senador George V. Voinovich, republicano de Ohio, disse ter ficado decepcionado com o fato do governo ter fracassado em oferecer um ramo de oliveira ao Congresso. Ele disse a um assessor da Casa Branca, durante o discurso do Estado da União na terça-feira, que o impasse no Iraque ameaça consumir a presidência de Bush.

"É hora de reconhecer que se prosseguir no caminho em que está, nunca irá atingir o que deseja", disse Voinovich. "E, além disso, isto repercutirá nas iniciativas domésticas e tornará a presidência vazia e sem significado."

Horas após a audiência na quarta-feira, o esforço liderado por Warner estava ganhando terreno, com seis democratas e três outros republicanos assinando como copatrocinadores de sua proposta, que também é contrária ao envio de mais tropas ao Iraque. Warner recusou as ofertas dos líderes democratas de fusão das duas propostas, dizendo que deseja manter seu plano o mais neutro possível, para que possa atrair apoio bipartidário.

"Não é uma questão de quem é mais patriota ou quem está tentando estabelecer um confronto com o presidente", disse Warner, falando no plenário do Senado. "Ter uma votação em que todos estão de um lado ou todos estão do outro não será de ajuda."

Apesar dos detalhes das duas resoluções variarem um pouco, a mensagem das duas é a mesma: muitos membros do Congresso não apóiam o plano de expandir a operação militar no Iraque.

A Casa Branca está, de forma não característica, se esquivando de um esforço aberto de lobby para impedir as resoluções sobre o Iraque, já que isto poderia fazer mais mal que bem. Em vez disso, o governo está deixando a cargo da liderança republicana, incluindo o líder republicano no Senado, Mitch McConnell, de Kentucky, e o senador Trent Lott, o articulador republicano, o trabalho com os membros para o esboço de uma alternativa.

Ainda assim, a Casa Branca busca evitar uma votação forte contra o presidente tanto no Senado quanto na Câmara. Desde que Bush fez seu discurso sobre o Iraque em 10 de janeiro, o conselheiro de segurança nacional, Stephen J. Hadley, e seu vice, J.D. Crouch, estão realizando reuniões com membros de ambos os partidos para tentar minimizar o ceticismo em torno da nova política para o Iraque.

As autoridades, cientes de que a maioria dos senadores provavelmente votará a favor da resolução de Warner, disseram que tais reuniões prosseguirão por dias até a votação e além. Mas os comentários de Cheney, na quarta-feira, sugerem que a Casa Branca não está concentrada nas resoluções.

"Nós estamos seguindo em frente", disse Cheney na entrevista para a "CNN". "O Congresso tem o controle sobre o bolso. Ele tem o direito, obviamente, se quiser, de cortar os recursos. Mas em termos deste esforço, o presidente já tomou sua decisão."

Uma prévia do debate pleno da próxima semana sobre o Iraque ocorreu no Comitê de Relações Exteriores do Senado, na quarta-feira, com um senador após o outro recontando as histórias de soldados de seus Estados que morreram no Iraque. Sob a nova maioria democrata, o comitê tem realizado audiências quase que diárias sobre o Iraque, trazendo à tona lembranças das audiências de uma geração atrás sobre a Guerra do Vietnã.

O senador Jim Webb, democrata da Virgínia, que lutou como marine no Vietnã e foi secretário da Marinha no governo Reagan, pediu aos seus colegas para não traçarem uma correlação entre as guerras no Iraque e no Vietnã. Tais comparações, ele teme, poderiam forçar as pessoas a não apoiarem resoluções voltadas ao Iraque.

"Eu acho que há paralelos e há muitas pessoas nesta mesa que foram contrárias à Guerra do Vietnã, mas alguns destes paralelos são superficiais", disse Webb. "Nós estamos perdendo o apoio de muita gente que apoiou a Guerra do Vietnã e que têm problemas com isto se tentarmos reuni-las."

Hagel, que também serviu no Vietnã, condenou a estratégia de Bush para o Iraque como a pior política externa desde o Vietnã. Mas na quarta-feira, Hagel adotou uma abordagem diferente enquanto se dirigia aos seus companheiros republicanos -tanto no governo quanto no Congresso- que questionam os motivos daqueles que são contrários à guerra.

"Eu acho que todos os 100 senadores devem encarar este assunto. No que acreditam? O que estão dispostos a apoiar? O que pensam? Por que foram eleitos?" disse Hagel, com voz retumbante. "Se desejam um emprego seguro, é melhor irem vender sapatos."

Sheryl Gay Stolberg e Kate Zernike contribuíram com reportagem para este artigo. George El Khouri Andolfato

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