UOL Notícias Internacional
 

27/01/2007

Chefe da inspeção nuclear da ONU cita nova ameaça do Irã

The New York Times
Mark Landler e David E. Sanger

em Davos, Suíça
O chefe da agência de inspeção nuclear da ONU disse nesta sexta-feira (26) que as autoridades iranianas lhe disseram que planejam começar a instalar equipamento no próximo mês para enriquecimento de urânio em escala industrial.

Tal ação intensificaria o confronto do Irã com o Conselho de Segurança, que exigiu a suspensão total da produção de material nuclear e autorizou sanções brandas.

O anúncio pela autoridade, o dr. Mohamed ElBaradei, o diretor geral da Agência Internacional de Energia Atômica, foi somado a um apelo tanto a Teerã quanto aos países ocidentais para que todos os lados façam uma "pausa" para evitar um confronto maior.

"Basta de exibir força, basta de bate-boca", disse ElBaradei em uma conversa com repórteres em Davos, no Fórum Econômico Mundial. "É hora de compromissos."

Ele propôs uma suspensão das sanções contra o Irã, ao mesmo tempo em que os iranianos suspendem o enriquecimento de urânio. Tal processo pode produzir combustível nuclear para armas, apesar dos iranianos negarem que esta é sua meta.

Especialistas nucleares e autoridades americanas disseram que apesar do anúncio do Irã ser preocupante, ele pode ser um blefe. Teerã enfrentou dificuldades significativas na montagem de centrífugas para enriquecer urânio. Há um ano, o país prometeu ter 3 mil centrífugas em operação a esta altura; em vez disso, ele está apenas começando a montar tal equipamento, em um instalação subterrânea em Natanz.

Mas ElBaradei parecia claramente preocupado com o fato de que assim que o enriquecimento tiver início, será difícil pará-lo, e que as autoridades iranianas odiarão desmontar qualquer instalação assim que a construção tiver início. Ele disse que se as instalações estiverem construídas, uma solução pacífica para o impasse será mais difícil de ser obtida.

De forma semelhante, ele teme que tal instalação possa se tornar um alvo militar para os Estados Unidos ou Israel. Tal ataque seria "loucura", ele disse, notando que ele não privaria o Irã da perícia tecnológica para buscar quaisquer ambições nucleares. "Isto apenas fortaleceria a posição dos linhas-duras", ele disse. "Eles simplesmente o fariam de forma sigilosa."

ElBaradei disse que teme que novas sanções contra o Irã, que a ONU ameaçou impor no próximo mês, "apenas levarão a uma escalada".

Dado o que os inspetores sabem sobre a atual capacidade do Irã, disse ElBaradei, os iranianos estão entre três a oito anos de serem capazes de fabricar um artefato nuclear. Isto está aproximadamente de acordo com as estimativas feitas pelas autoridades de inteligência americanas.

Os Estados Unidos disseram que insistirão para que o Irã suspenda o enriquecimento antes que negociações tenham início. O porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormack, disse que os relatos de que o Irã planeja instalar 3 mil centrífugas mostram seu contínuo desafio. "Nós veremos o que o dr. ElBaradei tem a dizer", disse McCormack na sexta-feira, em uma coletiva em Washington. "Mais importante, nós veremos o que os iranianos farão; eles continuam com um comportamento provocador."

Ele disse que as sanções preliminares, que proíbem a importação e exportação de material usado no enriquecimento de urânio, reprocessamento e em mísseis balísticos, parecem estar causando efeitos no Irã.

Há evidência de uma divisão interna em Teerã. Dois jornais linhas-duras que refletem a posição do líder religioso supremo, o aiatolá Ali Khamenei, exigiram recentemente que o presidente Mahmoud Ahmadinejad se afaste dos assuntos nucleares porque seus comentários estavam aprofundando o isolamento do Irã.

As relações do Irã com a Agência Internacional de Energia Atômica se deterioraram desde que as sanções foram aprovadas. Teerã exigiu que a agência remova a autoridade que supervisiona as inspeções das instalações nucleares iranianas, e barrou mais de 30 inspetores, todos de países que apoiaram as sanções.

Não se sabe quanta influência ElBaradei pode exercer, agora que o confronto passou ao Conselho de Segurança. Mas ele parece acreditar que há apoio para sua proposta.

Um diplomata na agência, falando sob a condição de anonimato, disse que encontrou tal apoio na Alemanha e na França. Tais países, assim como o Reino Unido, lideraram as negociações com o Irã sobre seu programa nuclear.

ElBaradei também tem consultado a Rússia, que defende uma abordagem mais conciliatória. Mas ele não discutiu a idéia com autoridades americanas antes de torná-la pública aqui, disse o diplomata.

Os Estados Unidos disseram que se o Irã suspender o enriquecimento de urânio, Washington se juntará aos europeus nas negociações diretas com Teerã, e a secretária de Estado, Condoleezza Rice, indicou que participaria.

ElBaradei também sugeriu que os Estados Unidos exibam mais flexibilidade em seu impasse com a Coréia do Norte, que detonou um artefato nuclear rudimentar em outubro. Os norte-coreanos exigiram que os Estados Unidos suspendessem as sanções financeiras como condição para retomada das negociações sobre seu programa nuclear.

Autoridades americanas e norte-coreanas se encontraram neste mês em Berlim, um encontro que visava estabelecer a base para uma retomada das negociações em Pequim envolvendo várias partes. Funcionários do Departamento de Estado disseram estar esperançosos em algum tipo de acordo, talvez envolvendo o congelamento temporário da produção de plutônio na Coréia do Norte. George El Khouri Andolfato

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