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31/01/2007

Uma aldeia que abrigou os construtores de Stonehenge

The New York Times
John Noble Wilford
Novas escavações perto de Stonehenge revelaram fogueiras, toras e outros vestígios do que arqueólogos dizem que provavelmente foi uma aldeia de trabalhadores que ergueram os monólitos na planície de Salisbury na Inglaterra.

AFP 
Descoberta da aldeia reforça a idéia de que o anel de pedras era um templo de orações

Segundo os arqueólogos anunciaram nesta terça-feira (30/1), as ruínas de 4.600 anos parecem formar a maior aldeia neolítica jamais encontrada no Reino Unido. As casas no local, conhecido como Durrington Walls, foram construídas no mesmo período que Stonehenge, a menos de 3 km de distância, e teriam sido um centro religioso, provavelmente para pessoas que adoravam o Sol.

Mike Parker Pearson, líder das escavações da Universidade de Sheffield, disse que as descobertas do último verão sustentavam a teoria emergente de que o anel de rochas em pé e desenhos na terra de Stonehenge fazia parte de um complexo religioso muito maior.

Em uma teleconferência conduzida pela National Geographic Society, Parker Pearson disse que valas e bancos de terra em Durrington Walls cercavam anéis concêntricos de enormes toras, "basicamente uma versão de madeira de Stonehenge", disse ele.

As escavações expuseram não só o círculo de toras, mas também uma estrada pavimentada com pedras levando ao rio Avon, a cerca de 150 m, similar a uma estrada de rio de Stonehenge. Essa evidência, disse Parker Pearson, "nos mostra que esses monumentos eram complementares" e que "Stonehenge era apenas uma metade de um complexo maior".

O projeto, iniciado em 2003, está explorando o cenário maior do sítio de Herança Mundial de Stonehenge, a cerca de 160 km a sudeste de Londres. A pesquisa é dirigida por seis universidades britânicas e em parte financiada pela National Geographic.

Durante os anos, Stonehenge inspirou uma gama de conjecturas, apesar de agora assumir-se que era um local de adoração relacionado a cultos ao Sol. Há uma década, datações por testes de radiocarbono melhorados estabeleceram que as primeiras construções em Stonehenge foram feitas entre 2.600 a.C. e 2.400 a.C., mais de 600 anos antes das estimativas anteriores. As casas em Durrington foram datadas entre 2.600 a.C. e 2.500 a.C.

Oito casas foram descobertas em setembro último, e uma pesquisa detectou vestígios de várias outras enterradas em uma ampla área, disseram os arqueólogos. As casas, feitas de paus entrelaçados e pó de giz, são quadrados com lados de 1m30 a 1m50, com chão de argila dura e uma lareira central. Marcas no chão foram interpretadas como pontos de fixação de colunas e de mobília de madeira.

Os ocupantes eram bagunçados, concluíram os escavadores. Em toda parte foram encontrados restos de jarras e vasos quebrados e ossos de animais. Algumas das pessoas podem ter sido construtoras de Stonehenge, conjeturaram os arqueólogos, e outras talvez fossem peregrinas ao complexo sagrado cuja adoração incluía banquetes animados.

Julian Thomas da Universidade de Manchester encontrou vestígios de casas mais arrumadas na parte ocidental do sítio de Durrington. As duas escavadas até agora eram estruturas pequenas e limpas, cada uma cercada por sua própria vala e cerca de madeira e separada dos vizinhos. Acredita-se que ao menos três outras estruturas estejam enterradas por perto.

Thomas deu duas interpretações possíveis na conferência telefônica. Podem ter sido moradias de pessoas especiais, chefes ou pregadores. Ou sua limpeza pode significar que não eram locais de moradia, mas templos e centros de culto.

Acadêmicos e outros arqueólogos não envolvidos no projeto reservaram suas opiniões sobre a ramificação das descobertas. Mas Parker Pearson e Thomas enfatizaram a importância da estrada de Durrington na compreensão da conexão íntima entre os dois sítios.

Eles disseram que a estrada era pavimentada de pedras e levava direto da área cercada de Durrington para Avon. Uma estrada similar em Stonehenge, descoberta no século 18, está alinhada ao nascer do sol no solstício de verão, obseravaram os arqueólogos, enquanto a de Durrinton alinha-se com o pôr do sol no solstício de verão.

Da mesma forma, o círculo de toras em Durrington está alinhado com o nascer do sol no solstício de inverno, enquanto um gigantesco monumento de pedra em Stonehenge enquadra o pôr do sol no solstício de inverno.

Aventurando-se pela tortuosa estrada da interpretação de Stonehenge, Parker Pearson sugeriu que as rochas duráveis do local mais famoso eram um memorial e ponto de descanso final para os mortos, e a arquitetura de madeira em Durrington Walls simbolizava a transitoriedade da vida. Pessoas de toda a região provavelmente iam lá celebrar a vida e depositar os mortos no rio para serem transportados para o além, disse ele. Deborah Weinberg

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