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02/02/2007

Blair dá segundo depoimento em investigação sobre suborno

The New York Times
Alan Cowell

em Londres
Após um silêncio que durou seis dias, a polícia britânica reconheceu nesta quinta-feira (1/2) que as autoridades inquiriram o primeiro-ministro Tony Blair pela segunda vez na última sexta-feira, em um caso de suposta troca de altas honrarias por contribuições de campanha.

O próprio depoimento foi incomum, assim como a decisão de mantê-lo em segredo. Segundo analistas políticos britânicos, Blair é o primeiro premiê a ser inquirido pela polícia enquanto ainda está no cargo. Apenas na quarta-feira o porta-voz oficial de Blair, durante uma coletiva de imprensa rotineira, foi perguntado se o primeiro-ministro tinha sido inquirido pela polícia uma segunda vez, respondendo que "nada mudou", segundo o site do primeiro-ministro (www.pm.gov.uk).

Mas o principal impacto do desdobramento foi lançar uma sombra ainda maior sobre os últimos dias dos quase 10 anos de Blair no cargo - um período que teve início com suas promessas de que o governo trabalhista, diferente do anterior conservador, seria "mais puro que puro".

Blair foi inquirido pela polícia na condição de testemunha, não como suspeito. A primeira entrevista foi em dezembro. Depois dela, uma importante assessora, Ruth Turner, foi formalmente presa e interrogada não apenas sobre a investigação das honras, mas também sobre a suspeita de não cooperar ou atrapalhar a investigação.

Então, no início desta semana, lorde Levy, o principal arrecadador de fundos, emissário para o Oriente Médio e parceiro de tênis do primeiro-ministro, foi preso pela segunda vez para ser interrogado pela mesma ofensa, obstrução da Justiça.

Cerca de 90 pessoas foram inquiridas na investigação, que envolve pagamentos equivalentes a US$ 27 milhões na forma de empréstimos ao Partido Trabalhista antes da eleição nacional de maio de 2005. Naquela época, os arranjos financeiros de campanha apresentados como empréstimos não precisavam ser divulgados publicamente. Os críticos de Blair acusaram que o dinheiro foi oferecido em troca da promessa de títulos de cavaleiro ou de cadeiras na prestigiada e não eleita Casa dos Lordes.

O gabinete do primeiro-ministro disse em uma declaração na quinta-feira que Blair foi "brevemente ouvido pela polícia como testemunha. A pedido da polícia isto foi mantido totalmente em sigilo e, como resultado, a imprensa e a equipe de comunicações em Downing Street não foram informadas. No que se refere a eles, nada mudou".

Em uma declaração separada, a polícia disse que lhe foi requisitado sigilo por motivos operacionais não especificados e que a reunião com o primeiro-ministro foi pedida "para esclarecimento de pontos que surgiram no andamento da investigação". Todos os políticos envolvidos na investigação negaram ter feito algo errado.

Blair foi ouvido pouco antes de voar para Davos, Suíça, para participar do Fórum Econômico Mundial, onde parecia imperturbado pelos eventos em casa enquanto andava em companhia dos ricos, poderosos e famosos. Por tudo isto, seus adversários consideraram o anúncio de quinta-feira como evidência de que o escândalo emergente poderá manchar os últimos meses de Blair no cargo, antes dele cumprir a promessa feita no ano passado de deixar o poder neste ano.

"Está claro que esta investigação vai assombrar Tony Blair por todos seus últimos meses de governo e além", disse Menzies Campbell, líder do pequeno Partido Liberal Democrata de oposição. George El Khouri Andolfato

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