UOL Notícias Internacional
 

02/02/2007

Tiroteios na Faixa de Gaza aprofundam divisão amarga entre palestinos

The New York Times
Greg Myre

em Jerusalém
Um frágil cessar-fogo entre as facções palestinas na Faixa de Gaza foi rompido na quinta-feira (01/02), quando membros do Hamas dispararam contra um comboio do grupo rival Fatah, desencadeando um intenso tiroteio que deixou seis pessoas mortas e feriu pelo menos 50. Na quinta-feira, no território ocupado da Cisjordânia, tropas israelenses mataram a tiros quatro palestinos em três confrontos.

No episódio da Faixa de Gaza, membros do Hamas que integram as forças de segurança palestinas atiraram contra aquilo que o Hamas alegou ser um comboio de caminhões que transportava armamentos para a Guarda Presidencial, uma força de segurança que protege o presidente palestino, Mahmoud Abbas, que é membro do Fatah.

Os caminhões entraram na Faixa de Gaza pela passagem Kerem Shalom, perto do ponto em que convergem as fronteiras da Faixa de Gaza, de Israel e do Egito.

O comboio chegou à região central da Faixa de Gaza antes de ser parado pela Força Executiva, uma agência de segurança integrada quase que em sua totalidade por apoiadores do Hamas, disse Islam Shahwan, um porta-voz do grupo. Os membros do Fatah se recusaram a permitir que o material fosse revistado, e em breve irrompeu o tiroteio. "O comboio foi detido porque já vimos o Fatah usando novas armas e acreditamos que eles estão trazendo mais", explicou Shahwan.

Autoridades do Fatah disseram que o comboio levava geradores, equipamentos médicos e barracas, e acusou o Hamas de violar o mais recente cessar-fogo, que passou a vigorar na última terça-feira, e que resultou em uma calma relativa durante dois dias.

Mas o tiroteio da quinta-feira, próximo ao campo de refugiados de Bureij, custou seis vidas, e pelo menos quatro dos mortos eram integrantes das forças de segurança. Além disso, cerca de 50 pessoas ficaram feridas na região central da Faixa de Gaza e em confrontos ocorridos em outras áreas do território ocupado, segundo informações prestadas por médicos do Hospital Shifa, na Cidade de Gaza.

O Hamas, o grupo radical islâmico, controla a maior parte do governo palestino e a Força Executiva, que o Hama criou após ter assumido o poder no ano passado. Mas Abbas também conta com um leque de poderes, e acredita-se que a maior parte dos membros das forças de segurança apóie o Fatah.

Mais de 60 palestinos morreram nos combates internos na Faixa de Gaza nos últimos dois meses, e as negociações no sentido de criar um governo de unidade nacional fracassaram mais uma vez.

Nos episódios violentos ocorridos na Cisjordânia, as tropas israelenses mataram a tiros três militantes em confrontos ocorridos em Nablus e em Tulkarm, segundo o relato de membros das forças armadas e de moradores palestinos.

Os israelenses também assassinaram a tiros um palestino de 17 anos que tentava passar por uma cerca que compõe a barreira de separação erigida por Israel perto de Ramallah.

Em outro episódio ocorrido na quinta-feira, o primeiro-ministro Ehud Olmert depôs durante cinco horas perante uma comissão que investiga como Israel travou a sua guerra no verão passado contra o Hezbollah no Líbano.

Olmert foi o último de um grupo de dezenas de politicos e oficiais militares que prestaram depoimento em sessões a portas fechadas.

Uma autoridade israelense que falou sob a condição de que o seu nome não fôsse divulgado, e que também prestou depoimento, disse que Olmert apresentou uma explicação detalhada de todo o conflito e não procurou culpar ninguém. A comissão questionou Olmert a respeito da ofensiva terrestre lannçada nos últimos dias de combate, que resultou em pesadas baixas israelenses.

Muitos israelenses acham que a guerra, que não teve um resultado claro, foi mal gerenciada, e a popularidade de Olmert despencou após o conflito. A comissão deverá apresentar um relatório preliminar em março.

Além disso, o ministro da Defesa, Amir Peretz, selecionou a fabricante israelense de armas Rafael para desenvolver um sistema de defesas contra mísseis projetados para abater os foguetes de curto alcance que os militantes palestinos e o Hezbollah lançaram contra Israel.

Peretz escolheu o sistema "cúpula de ferro" da Rafael em detrimento de vários concorrentes, incluindo a Lockheed Martin Corporation, a grande fabricante norte-americana de armamentos. Segundo uma declaração do gabinete de Peretz, o sistema da Rafael apresentará uma resposta à ameaça representada por foguetes com alcance de várias dezenas de quilômetros, e deverá estar pronto para ser utilizado em cerca de dois anos.

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