UOL Notícias Internacional
 

07/02/2007

China responsabiliza o Ocidente pelo aquecimento global

The New York Times
Jim Yardley

em Pequim
A China afirmou na terça-feira (06/02) que os países mais ricos devem assumir a dianteira na redução das emissões dos gases causadores do efeito estufa, e se recusou a dizer se concordará com qualquer limite obrigatório para emissões que possa prejudicar a sua dinâmica economia.

Jiang Yu, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, disse que o país está disposto a contribuir com um esforço internacional para combater o aquecimento global, mas responsabilizou pelo problema especialmente as nações mais ricas e desenvolvidas, que vêm poluindo o planeta há bem mais tempo.

"Deve-se ter em mente que a mudança climática tem sido provocada pelas emissões historicamente cumulativas dos países desenvolvidos e pelas elevadas emissões per capita desses países", afirmou Yu, acrescentando que as nações desenvolvidas têm responsabilidades pelo aquecimento global "das quais não podem se esquivar".

Os comentários de Jian, combinados a uma outra declaração dada na terça-feira pelo principal especialista em clima do país, se constituíram na primeira resposta oficial a um relatório histórico divulgado na semana passada por um painel de cientistas da Organização das Nações Unidas (ONU), declarando que o aquecimento global é "inequívoco" e advertindo que é necessário que se tomem ações imediatas a fim de evitar conseqüências desastrosas.

A China é o segundo maior emissor de gases causadores do efeito estufa que contribuem para a alteração climática, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Os especialistas prevêem que o país acabará ocupando o primeiro lugar na lista dos maiores poluidores. A economia chinesa em rápida expansão obtém quase 70% da sua energia de usinas termoelétricas movidas a carvão, muitas das quais equipadas com controles anti-poluentes precários.

Mas as autoridades chinesas há muito observam que as emissões per capita da China ficam bem abaixo da média dos países mais ricos, incluindo os Estados Unidos. As autoridades alegam que a China continua sendo um país em desenvolvimento destituído dos recursos financeiros ou da capacidade tecnológica para fazer uma transição mais rápida para tecnologias energéticas mais limpas e caras.

A China não questionou a argumentação científica sobre o aquecimento global, e tampouco contestou os estragos potenciais que seriam causados pela elevação da temperatura do planeta. No mês passado, o país divulgou um relatório advertindo que a mudança climática representa uma séria ameaça para a sua produção agrícola e para a economia como um todo.

"O governo chinês está levando a mudança climática muito a sério", disse aos jornalistas em uma coletiva na terça-feira Qin Dahe, diretor da Administração Meteorológica da China. "O presidente Hu Jintao afirmou que a alteração climática não é apenas um problema ambiental, mas também uma questão que diz respeito ao desenvolvimento".

Porém, ainda que os líderes chineses reconheçam a gravidade do problema, eles continuam resistindo a medidas abrangentes que possam ameaçar o desenvolvimento econômico do país. Medidas mais limitadas já estão gerando resultados irregulares.

Qin, que atuou com co-diretor do painel da ONU que divulgou o relatório da semana passada sobre o aquecimento global, observou que a China estabeleceu uma meta ambiciosa de cinco anos para melhorar em 20% a eficiência energética. Mas no ano passado, o país não foi capaz de atingir a meta inicial proposta.

A posição da China, que é ao mesmo tempo um enorme país em desenvolvimento e uma das economias de mais rápido crescimento em todo o mundo, faz com que esta nação se destaque no debate sobre o aquecimento global. Juntamente com a Índia, a China está isenta dos requerimentos do Protocolo de Kyoto, o acordo que solicita às nações industrializadas que reduzam as suas emissões até 2012 (os Estados Unidos não assinaram o acordo).

Quando lhe perguntaram se a China concordaria com metas obrigatórias e específicas para a redução das emissões, Qin não respondeu diretamente. "Como somos um país em desenvolvimento que cresce rapidamente e que possui uma grande população, a promoção de uma transformação drástica da estrutura energética e o uso de fontes limpas de energia exigiriam muito dinheiro", disse Quin, segundo a agência de notícias Reuters.

Jiang, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, disse que recentemente a China ordenou o fechamento de usinas termoelétricas menores e mais poluidoras, que funcionavam a carvão, e que emitiam 5,4 milhões de toneladas de dióxido de enxofre por ano.

Enquanto isso, a China tem registrado recordes de temperaturas amenas neste inverno, um fenômeno que, segundo os cientistas, é provocado em parte pelo aquecimento global. A temperatura em Pequim chegou a mais de 10ºC em fevereiro, um mês no qual a média histórica de temperaturas fica abaixo de zero. A patinação foi proibida nos lagos da cidade, que estão derretendo.

Grande parte do norte da China vem enfrentando uma seca brutal. A mídia estatal anunciou que cerca de 300 mil pessoas na província de Shaanxi estão sem água potável suficiente. A província registrou apenas 10% da média pluviométrica para o período, segundo a agência oficial de notícias Xinhua.

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