UOL Notícias Internacional
 

08/02/2007

Recomeçam negociações de seis países sobre programa nuclear da Coréia do Norte

The New York Times
Jim Yardley

em Pequim
Os negociadores retomarão nesta quinta-feira (8/2) as há muito estagnadas negociações que visam o desarmamento nuclear da Coréia do Norte, em meio a sinais de um possível avanço em um processo diplomático que parecia arruinado há quatro meses, quando a Coréia do Norte realizou o teste de um artefato nuclear.

Christopher R. Hill, o enviado-chefe americano, chegou a Pequim na quarta-feira e realizou encontros separados com diplomatas chineses e russos. Hill tem viajado para várias partes do mundo, se reunindo com enviados da Coréia do Norte e de outros países, em um esforço para retomada e avanço das negociações abandonadas pela Coréia do Norte há mais de um ano.

"Todos compartilhamos ambições para esta rodada", disse Hill aos repórteres ao chegar em seu hotel, ao anoitecer de quarta-feira. "Nós queremos ter um bom início, dar um bom passo à frente."

Hill está basicamente tentando conduzir o processo de volta a setembro de 2005, quando a Coréia do Norte concordou com o esboço de um acordo para fim de seu programa de armas nucleares em troca de benefícios de segurança, econômicos e de energia. Naquela época, analistas disseram que diferenças entre os Estados Unidos e a Coréia do Norte tornaram o acordo final longe de algo certo. Negociações posteriores para confirmar as propostas fracassaram, e a Coréia do Norte então desafiou os alertas internacionais testando uma arma nuclear em outubro passado.

Em uma breve aparição mais cedo na quarta-feira, no aeroporto de Pequim, Hill teve cuidado para não elevar demais as expectativas para esta semana. "Eu quero enfatizar que o verdadeiro sucesso será quando concluirmos o acordo de setembro de 2005", disse. "Não quando retomarmos o acordo de 2005, mas quando o concluirmos. Mas nós não vamos concluí-lo nesta semana. Acho que daremos apenas um bom primeiro passo", disse.

As negociações - que envolvem China, Rússia, Japão, Coréia do Sul, Estados Unidos e Coréia do Norte- começaram há mais de três anos e apresentaram pouco progresso tangível após várias rodadas de negociação em Pequim. As negociações formais serão retomadas na tarde desta quinta-feira em uma casa de hóspedes do governo em Pequim e provavelmente prosseguirão fim de semana adentro.

Nas últimas semanas, a Coréia do Norte pareceu sinalizar uma maior disposição de negociar e de especificar suas exigências. No último fim de semana, dois enviados americanos que retornaram de Pyongyang, a capital norte-coreana, disseram que o país estava preparado para desativar seu principal reator nuclear em Yongbyon em troca de um pacote de energia de eletricidade e petróleo dos países vizinhos. A Coréia do Norte também disse aos enviados que deseja que os Estados Unidos suspendam as sanções financeiras e a removam da lista de Estados que patrocinam o terrorismo.

Os dois enviados, Joel S. Wit, um funcionário do governo Clinton envolvido em assuntos da Coréia do Norte, e David Albright, um especialista nuclear, descreveram a posição norte-coreana primeiro ao jornal japonês "Asahi Shimbun", enquanto passavam pelo aeroporto de Pequim no sábado passado.

Hill, que é secretário-assistente de Estado para assuntos do Leste Asiático e Pacífico, passou grande parte de 2007 viajando para formar um consenso em torno de um acordo. No mês passado, ele e o principal emissário norte-coreano, Kim Kye Gwan, realizou sessões individuais em Berlim, os primeiros de tais reuniões entre os Estados Unidos e a Coréia do Norte fora de Pequim. Hill descreveu tais negociações como 'substantivas' e expressou otimismo cauteloso ao longo de suas viagens.

Um ponto de impasse potencial segundo o ponto de vista norte-coreano é quanto terreno os Estados Unidos cederão nas sanções financeiras. No final de 2005, os Estados Unidos acusaram o Banco Delta Asia, uma instituição financeira no território chinês de Macau, de lavagem de dólares falsos, que disseram que a Coréia do Norte estava usando para financiar o tráfico de drogas e outras atividades ilegais. Os Estados Unidos congelaram US$ 24 milhões em ativos norte-coreanos, uma medida que praticamente baniu a Coréia do Norte do sistema financeiro internacional.

A Coréia do Norte ficou irritada com as sanções e exigiu a liberação dos US$ 24 milhões. Na semana passada, um funcionário do Tesouro americano se reuniu em Pequim por dois dias com diplomatas norte-coreanos para discutir a situação do Banco Delta Asia.

Brian Bridges, um professor de política da Universidade Lingnan, em Hong Kong, disse que a reunião parece ter terminado sem um avanço, mas ele acrescentou que há especulação de que os Estados Unidos podem concordar em declarar parte do dinheiro congelado do Banco Delta Asia como sendo "limpo" em um acordo. Bridges previu que as negociações desta semana, quanto muito, terão sucesso na formação de grupos de trabalho para discutir assuntos particulares como a desnuclearização e as sanções.

Mas ele disse que qualquer progresso maior, significativo, é improvável. "Eu não estou muito otimista. Não acho que haverá um grande avanço", disse. George El Khouri Andolfato

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