UOL Notícias Internacional
 

10/02/2007

China detém ex-oficial em investigação de medicamentos falsos

The New York Times
David Barboza

Em Xangai, China
Com um número crescente de casos envolvendo a venda de medicamentos perigosos ou fraudulentos, a China disse na sexta-feira que ordenou uma ampla investigação de seu órgão governamental responsável pela vigilância nacional.

O governo disse que deteve Zheng Xiaoyu, o chefe da Divisão de Alimentos e Medicamentos do país desde sua fundação em 1998 até ele se aposentar em junho de 2005. A medida é um grande passo em uma investigação governamental mais ampla da corrupção em uma indústria farmacêutica chinesa em rápido crescimento.

A investigação foi ordenada por altos líderes do governo, incluindo o primeiro-ministro Wen Jiabao e o vice-primeiro-ministro, Wu Yi, ressaltando quão sério o problema se tornou.

Pequenos laboratórios farmacêuticos chineses há muito são acusados ou são suspeitos de produzirem versões baratas ou falsificadas de medicamentos e de vendê-los aos hospitais e farmácias do país.

Alguns destes medicamentos falsos, freqüentemente produzidos com substâncias substitutas perigosas, foram responsáveis nos últimos anos por um grande número de males e mesmo a morte de várias pessoas.

Agora, o governo diz que a corrupção na Divisão de Alimentos e Medicamentos, cuja sede é em Pequim, foi a principal parte do problema. Pequim está investigando se Zheng aceitou suborno de laboratórios farmacêuticos chineses em troca da aprovação das licenças para produção das drogas.

A imprensa estatal disse na sexta-feira (9/2) que um órgão de alto nível do governo foi informado recentemente que Zheng "negligenciou seu dever de supervisionar o mercado de medicamentos, abusou da autoridade de aprovação de medicamentos da divisão, aceitou subornos e fez vista grossa à praticas indevidas por parentes e subordinados".

Dois outros altos funcionários da Divisão de Alimentos e Medicamentos também foram detidos como parte da ação contra o órgão. Em novembro, um destes funcionários, o diretor da divisão encarregada da emissão de licenças de produção, foi sentenciado a 15 anos de prisão por corrupção.

Não se acredita que a investigação envolva quaisquer laboratórios ocidentais, apesar de muitos laboratórios internacionais que operam aqui terem se queixado da produção por fabricantes chineses de versões falsas de seus medicamentos mais populares.

Mas o escândalo de medicamentos falsos da China pode ter implicações globais, porque os especialistas dizem que um grande percentual dos medicamentos vendidos nos países em desenvolvimento é falso e grande parte deles produzido na China.

Certamente o escândalo intensificará as preocupações na indústria farmacêutica global sobre os controles regulatórios na China e a supervisão de um setor farmacêutico que é conhecido por violar patentes de medicamentos e direitos de propriedade intelectual.

Nos últimos anos, há vários relatos de doenças e mortes causadas por alimentos perigosos ou medicamentos fraudulentos que chegaram ao mercado daqui. Em maio passado, 11 pessoas morreram na China após serem tratadas com uma injeção contaminada por uma substância química falsa.

E em julho, 6 pessoas morreram e 80 pessoas adoeceram em todo o país após tomarem um antibiótico produzido com um "desinfetante de baixa qualidade".

E um caso ainda mais notório ocorreu em 2004, quando pelo menos 13 bebês morreram e mais de 100 outras crianças sofreram grave desnutrição na província de Anhui, no leste, após serem alimentadas com leite em pó falso.

As autoridades daqui também estão tentando acabar com a produção de versão genéricas sem licença de medicamentos populares. Em maio passado, 10 pessoas foram presas em Xangai por venderem uma versão falsificada do Tamiflu, que é usado na prevenção e tratamento de gripe.

Em uma declaração divulgada no site da Internet da Divisão de Alimentos e Medicamentos, na sexta-feira, Wu, o vice-primeiro-ministro, disse que o governo punirá severamente as "atividades perversas" que levaram ao mercado alimentos contaminados e medicamentos falsos.

Preocupado com o avanço da corrupção aos altos escalões da Divisão de
Alimentos e Medicamentos, o governo disse na sexta-feira que revisará mais de 170 mil licenças de produção emitidas pela agência ao longo da última década, particularmente aquelas emitidas entre 1999 e 2002.

A imprensa estatal também informou que as autoridades de controle de medicamentos já revogaram as licenças de funcionamento de 160 laboratórios e revendedores em 2006.

As investigações deverão desacelerar o processo de aprovação de medicamentos no país em um momento em que a demanda por tratamentos com drogas está aumentando em um sistema de saúde cada vez mais sobrecarregado.

Zhu Changhao, vice-presidente da Associação de Comércio Farmacêutico da
China, uma entidade setorial com sede em Pequim e que representa as empresas farmacêuticas chinesas, reconheceu na sexta-feira que "corrupção certamente existe na divisão de medicamentos". Mas, ele acrescentou, "eu não diria que todo o sistema da divisão de medicamentos é corrupto". George El Khouri Andolfato

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