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10/02/2007

Relatório governamental mostra que crianças indianas padecem de desnutrição e problemas de saúde

The New York Times
Somini Sengupta

em Mumbai, Índia
Mesmo após anos de crescimento econômico prolongado, os índices de desnutrição infantil na Índia são comparáveis aos dos países mais pobres do mundo, e às vezes são até piores.

Nesta nação de jovens, na qual 40% das pessoas têm menos de 18 anos, os dados divulgados pelo governo na sexta-feira (9/2) representam um retrato alarmante da saúde infantil: entre as crianças com menos de três anos, quase a metade está clinicamente abaixo do peso, um dado que se constituiu no indicador mais confiável da desnutrição.

E, além disso, a incidência da desnutrição infantil diminuiu apenas um ponto percentual, para 46%, nos últimos sete anos, de acordo com a última Pesquisa Nacional sobre a Saúde da Família. Nesse período, a economia cresceu entre 6% e 8%. E ela deve crescer a uma taxa de mais de 9% durante o ano fiscal corrente, segundo anunciou o governo nesta semana.

As perspectivas econômicas da Índia giram, em parte, em torno daquilo que os seus governantes chamam de dividendo demográfico.

Mas os índices de desnutrição infantil colocam a Índia lado a lado com Burkina Fasso e Bangladesh. O Sudão apresentou resultados melhores, segundo dados compilados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Segundo a Unicef, o índice de desnutrição na China foi de cerca de 8%.

O tão esperado relatório de saúde, que foi publicado sem alarde na sexta-feira em um site do governo, também revelou que houve pouco progresso na área de imunização infantil. Segundo a pesquisa, compilada em 2005 e 2006, 43,5% das crianças de 12 a 23 meses foram totalmente imunizadas, contra os 42% registrados na pesquisa anterior, feita em 1998 e 1999.

A pobreza em meio à fartura não é uma novidade na Índia. Mas os últimos números são impressionantes porque sugerem que o crescimento econômico não melhorou significativamente a situação dos mais destituídos, e que as tentativas bem intencionadas do governo no sentido de melhorar o bem-estar infantil também não surtiram efeitos mensuráveis.

Os números relativos à desnutrição refletem ainda a enorme pobreza que impera nas zonas rurais da Índia, e o estado precário da saúde pública e dos recursos sanitários em geral. A pesquisa de saúde identificou quantas casas possuem um vaso sanitário (44% em todo o país) e a proporção de crianças que sofreram de diarréia e que receberam soro oral reidratante (58%).

"Trata-se em parte de pobreza e em parte do colapso dos serviços de saúde. Isso é um indicador do padrão completamente equivocado de crescimento no país", critica Jean Dreze, o economista que liderou um estudo sobre os programas de combate à desnutrição infantil na Índia no final do ano passado.

Os dados referentes à desnutrição revelaram disparidades entre os Estados. No Estado central de Madhya Pradesh, o índice de desnutrição é de cerca de 60%, enquanto que em Tamil Nadu a situação melhorou bastante, fazendo com que a desnutrição caísse para 33%.

Os índices nacionais podem ser vistos como uma prova do fracasso de um ambicioso programa governamental, o Serviços Integrados de Desenvolvimento da Criança, cujo objetivo é ajudar as famílias pobres a alimentar os seus filhos.

O programa foi alvo de críticas nos últimos meses, que variaram de acusações de corrupção praticada em alguns Estados até a ausência de responsabilidade em outras áreas. Estudos feitos tanto pela Unicef quanto pelo grupo de Dreze concluíram que em alguns locais as crianças só recebem grãos crus para se alimentarem. Alguns funcionários não contam com treinamento apropriado, e algumas mães recebem aconselhamento inadequado sobre como alimentar os recém-nascidos.

Werner Schultink, que gerencia os programas de desenvolvimento infantil e de nutrição da Unicef na Índia, disse que os últimos números são "muito desapontadores".

"Isso se constitui em uma indicação de que alguns dos programas não são eficientes como deveriam ser", criticou Schultink. Em meados de janeiro, o primeiro-ministro Manmohan Singh foi mais longe em suas críticas, tendo pedido às autoridades que reformulassem o programa de nutrição infantil.

"Existem fortes evidências de que o programa não levou a nenhuma melhoria substancial do estado nutricional das crianças com menos de seis anos", escreveu Singh em um memorando, acrescentando que para que o governo realmente honre o seu compromisso de fornecer nutrição às crianças pobres, será necessário um monitoramento mais intenso do programa, além de "vontade política".

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