UOL Notícias Internacional
 

11/02/2007

Obama entra formalmente na disputa de 2008 pedindo mudança de geração

The New York Times
Adam Nagourney e Jeff Zeleny

em Springfield, Illinois
Neste sábado (10), o senador Barack Obama, de Illinois, estava na escadaria do Antigo Capitólio Estadual, nesta cidade de Abraham Lincoln, e, em um anúncio altamente coreografado de seu plano para disputar a presidência, se apresentou como o rosto de uma nova geração que promoverá mudanças em um governo atrapalhado por cinismo, corrupção mesquinha e pela " pequenez de nossas políticas".

"O tempo de tais políticas acabou", disse Obama. "É hora de virar a página."

Foi o mais recente passo em uma jornada rica de possibilidades históricas, à medida que Obama busca, após dois anos como senador, se tornar o primeiro presidente negro do país.

Mas apesar de toda empolgação exibida nesta manhã frígida, o discurso de Obama também marcou o início de uma dura nova fase, no que até agora foi uma introdução charmosa à política nacional. Democratas e assessores de Obama disseram estar se preparando para o questionamento de sua experiência na política nacional, seu domínio de políticas, um passado que ainda não foi examinado pelos rivais e pela imprensa, além de uma personalidade pública definida mais por sua biografia e carisma do que pela forma como usaria os poderes da presidência.

"Ele tem sido impressionante até o momento, mas a certa altura ele realmente terá que passar para o próximo estágio", disse Walter Mondale, o ex-vice-presidente democrata em uma entrevista.

Sua entrada formal na disputa estabelece um desafio que seria difícil mesmo para o político mais talentoso: se Obama, com todas suas óbvias virtudes e limitações, poderá vencer em um campo dominado pela senadora Hillary Rodham Clinton, que conta com anos de experiência na política presidencial, domínio de políticas e história política, assim como o apoio de uma rede extraordinariamente calejada de conselheiros e arrecadadores de fundos.

Obama disse a amigos que considera Hillary Clinton seu maior obstáculo para chegar à presidência, apesar de seus assessores terem dito que permanecem atentos ao ex-senador John Edwards, outro rival para a indicação democrata.

Obama citou a questão da experiência no início de seu discurso na manhã de sábado, sugerindo que empregará sua experiência limitada em governo como um ativo, se lançando como um agente de mudanças que permanecerá livre das garras dos interesses especiais e da política de costume.

"Eu reconheço que há uma certa presunção -uma certa audácia- neste anúncio", ele disse. "Eu sei que não passei muito tempo aprendendo os modos de Washington. Mas já estive lá tempo suficiente para saber que os modos de Washington devem mudar."

Para a campanha de Obama, que se esforça para formar esta organização improvável da estaca zero em apenas três meses, o primeiro foco é Hillary Clinton. Os assessores de Obama disseram que passaram semanas discutindo como superar o que David Plouffe, o diretor de campanha de Obama, descreveu como "a organização política dominante no Partido Democrata".

A decisão de Obama de passar os primeiros dois dias de sua campanha presidencial em Iowa, para onde voaria após seu anúncio, reflete uma das primeiras decisões estratégicas críticas neste sentido. Sua organização vê Iowa como um local onde poderia surpreender Hillary Clinton e Edwards com uma vitória inicial. A região leste do Estado, crítica para uma vitória dos democratas, compartilha um mercado de mídia com a vizinha Illinois. Obama é uma constante na imprensa local e na primeira página dos jornais desde que venceu a primária para o Senado há quase três anos.

Ao tentar minar o argumento de experiência de Hillary Clinton, a campanha de Obama decidiu empregar as técnicas que Bill Clinton usou para derrotar o presidente George Bush em 1992. Obama, reprisando o papel de Bill Clinton, se apresentou no sábado como um candidato de uma mudança de geração, concorrendo para derrubar símbolos entrincheirados em Washington, uma clara alusão a Hillary Clinton, tentando transformar a experiência dela em um ônus. Obama tem 45 anos; Hillary tem 59.

Recontando uma série de momentos decisivos na política americana, Obama fez mais de uma dúzia de referências a mudanças de geração. "Toda vez uma nova geração se levanta e faz o que é necessário", disse Obama. "Hoje somos chamados novamente, é hora de nossa geração responder a tal chamado."

Só que mais do que qualquer coisa, disseram assessores de Obama, eles acreditam que a maior vantagem que ele tem sobre Hillary Clinton é sua diferença de posição em relação à guerra no Iraque. Hillary aprovou a autorização da guerra há quatro anos. Obama, como destaca em todo discurso que faz, foi contrário à guerra desde o início e apresentou uma legislação para início da retirada das tropas americanas a partir de 1º de maio, com a meta de remover todas as brigadas de combate até 31 de março de 2008, assumindo uma posição bem mais explícita do que Hillary sobre como colocar um fim ao conflito.

"América, é hora de começar a trazer nossas tropas para casa", ele disse no sábado. "É hora de admitir que nenhuma quantidade de vidas americanas pode resolver o desentendimento político que se encontra no coração da guerra civil dos outros."

Mas mesmo em um dia que apontava para as forças de Obama -uma multidão empolgada e grande, um discurso que mostrou novamente o motivo dele ser visto como um talento singular no Partido Democrata- parece evidente que os dias mais fáceis de Obama como candidato acabaram. Diferente de Hillary Clinton, ou em menor grau Edwards, Obama ainda não passou pela plena auditoria que sofrerá de republicanos, democratas, jornalistas e grupos de defesa, ansiosos para defini-lo antes que ele defina a si mesmo.

Alguns democratas, incluindo os adversários de Obama, parecem cada vez mais dispostos a desafiá-lo, particularmente quando se trata do conteúdo de uma candidatura. Edwards ofereceu um indício do que Obama enfrentará em uma entrevista em outro dia, enquanto discutia o sistema nacional de saúde, quando lhe foi perguntado sobre sua reação diante da posição de Obama de cobertura nacional.

"Eu não vi nenhum plano dele", disse Edwards. "Alguém viu?"

Obama ascendeu no Partido Democrata com uma série de discursos eloqüentes, que lhe valeram comparações com Robert F. Kennedy e o deixaram em uma posição onde seu status de negro com sérias chances de conquistar a Casa Branca representa apenas parte da empolgação gerada por sua candidatura.

Como apenas uma grande exceção -seu plano para retirada das forças americanas do Iraque- Obama tem evitado oferecer qualquer tipo de idéias específicas, o que seus assessores reconhecem que pode deixá-lo aberto a ataque de oponentes ou alienação de simpatizantes atraídos inicialmente pelo seu apelo mais temático.

Obama recentemente chegou até a dizer aos democratas em Washington que os eleitores estão à procura de uma mensagem de esperança, afastando a noção de que uma campanha presidencial deve ser construída com base em documentos de posição ou detalhes.

"Há aqueles que não acreditam em conversa sobre esperança: eles dizem, bem, nós queremos informações específicos, queremos detalhes, queremos documentos, queremos planos", ele disse na época. "Nós tínhamos muitos planos, democratas. Mas tínhamos uma escassez de esperança."

Mas alguns democratas zombaram de tal formulação. "Isto é tolice", disse Gary Hart, o ex-senador do Colorado que disputou a presidência em 1984. "Ela alega que é isto ou aquilo. Quem disse que não se pode falar de esperança? Eu não estou falando sobre documentos: eu estou falando sobre um grande discurso sobre 'como vejo o mundo'."

Em uma entrevista antes de partir para Illinois, Obama disse que percebeu que seu apelo poderoso como discursador não o levará muito longe.

"Se a premissa de uma campanha é a personalidade, então não, eu não acho que seja possível manter o frescor por um ano", disse Obama. "Mas se a campanha for construída a partir do zero e houver um senso de propriedade entre as pessoas que desejam ver mudanças significativas, então certamente. Ela pode se desenvolver e crescer."

"Eu não vejo limites para as possibilidades", ele acrescentou.

E em seu discurso em Springfield, no sábado, Obama, que tentava se apresentar como um forasteiro, uma pessoa das bases, diferente de um membro de uma família política que domina a vida em Washington há 15 anos, apresentou sua campanha como um esforço "não apenas para manter um cargo, mas para me unir a você na transformação de um país".

"Este é o motivo desta campanha não poder ser apenas sobre mim", disse Obama. "Ela deve ser sobre nós. Deve ser sobre o que podemos fazer juntos." George El Khouri Andolfato

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