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11/02/2007

Um paparazzo? Celebridades sorriem e dizem 'amigo'

The New York Times
Lola Ogunnaike

em Nova York
Johnny Nunez não dorme há 18 horas, mas lá estava ele nos bastidores do desfile de moda Baby Phat em 2 de fevereiro, circulando em Roseland como alguém que acabou de tomar um pacote de seis Red Bull. Sua câmera sempre presente -uma Canon de US$ 11 mil- estava pendurada de prontidão em seu ombro direito, enquanto seus olhos reviravam o salão à procura de celebridades.

Greg Scaffidi/The New York Times 
Johnny Nunez (dir), paparazzo queridinho do hip-hop dos EUA, posa com o rapper Ice-T

"Esta noite será grande", disse Nunez, "porque todos virão a este evento".

Instantes depois, o magnata da música Russell Simmons se aproximou e apertou sua mão. "Russell, posso tirar uma foto sua com Kimora", perguntou Nunez, apontando para Kimora Lee Simmons, a esposa separada de Russell e a estilista da Baby Phat. Russell Simmons autorizou alegremente, posando de rosto colado com Kimora.

"Johnny tem um grande olhar, ele está em toda parte o tempo todo", disse Russell Simmons. "É impossível ir a uma festa e não ver o Johnny." Tal pensamento seria repetido por toda a noite.

"Quando vejo o Johnny sinto como se estivesse vendo um velho amigo", disse Ice-T, que deu um abraço em Nunez quando ele se aproximou. "Ele é um cara legal e todo mundo, todo mundo mesmo, conhece o Nunez."

Afetuosidade é raramente associada aos paparazzi que perseguem astros e estrelas. Mas Nunez, 35 anos, não é um paparazzo comum, apesar de suas fotos serem vendidas por agências de notícias e aparecerem em jornais e revistas.

Nos 10 anos que tira fotos de celebridades, ele tem usado seu charme e tenacidade para penetrar no fechado mundo do hip-hop. E mais uma característica fez com que conquistasse a estima dele: ele não tira fotos que os mostrem de forma negativa.

Em tempos em que fotógrafos parecem intencionados a registrar fotos de celebridades em posições comprometedoras -estrelas sem calcinha, veteranas com celulite- Nunez não está interessado em destruir ilusões. Ele se tornou conhecido tanto pelas fotos que não tira quanto pelas que tira.

"Há uma tendência entre os fotógrafos de tentar obter fotos pouco lisonjeiras, de tentar registrar você em um momento desagradável", disse a atriz Vivica A. Fox na festa após o desfile da Baby Phat, no Cipriani da Rua 23. "Johnny dá tempo para que você se recomponha. Ele não está interessado em fazer você parecer maluca."

Com seu estilo faça pose e sorria, ele não é nenhuma Annie Leibovitz. Ele não captura a personalidade nem cria momentos. Ele tira instantâneos. Mas tal abordagem lhe valeu algo que muitos outros fotógrafos de celebridades não têm: acesso.

"Ele é o Patrick McMullan do hip-hop", disse Emil Wilbekin, ex-editor-chefe da revista "Vibe". Como McMullan, que em 25 anos de carreira registrou momentos significativos da sociedade e de Hollywood, Nunez e sua câmera testemunharam muitos dos principais eventos públicos e privados no hip-hop.

"O hip-hop se baseia na confiança e estas pessoas sabem que o Johnny não está interessado em humilhá-las, o motivo de gostarem de tê-lo por perto", disse Norma Augenblick, que antes de se tornar diretora de eventos especiais no Cipriani passou sete anos como assistente executiva de Puff Daddy. "Por muito tempo, Johnny era o único fotógrafo permitido nos eventos de Puffy."

Nas próximas semanas, Nunez fotografará mais de 40 eventos, incluindo a festa anual pré-Grammy de Clive Davis, o torneio de bilhar de caridade de Magic Johnson, em Las Vegas, a festa do Oscar de Mary J. Blige.

"Ele é um de nossos cinco fotógrafos mais bem relacionados", disse Josh Tang, presidente da Wire Image, a agência de fotos com mais de 2.500 colaboradores. "As pessoas o pedem especificamente toda vez."

Além de suas fotos, ele aparece como modelo em campanhas de grifes urbanas como LRG e Phat Farm (uma foto gigante dele em uma camisa pólo da Phat Farm está pendurada na Macy's). No próximo mês, ele será visto ao lado de artistas como Fat Joe e Young Jeezy em "Def Jam: Icon", um videogame no qual ele enfrentará artistas novos e superastros.

"Ludacris poderia contar com sua ajuda para escapar de um paparazzo chamado Nunez, que não o deixa em paz", diz as instruções em uma fase. "Encontre este sujeito e cuide dele."

O personagem de Nunez desfere chutes e golpes e diz coisas impublicáveis neste jornal. "É muito legal", disse Nunez com um sorriso.

Lauren Wirtzer, vice-presidente de marketing da Def Jam, disse que a
inclusão de Nunez no jogo foi "óbvia". "Ele é um personagem tão importante neste mundo quanto os artistas", ela disse. A diferença entre o jogo e a vida real é que "ninguém quer bater no Johnny; eles querem que ele esteja por perto".

Nunez também sabe como se congraçar com as pessoas nos bastidores. Em todo Dia dos Namorados, ele leva rosas para as mulheres da BET, disse Marcy Polanco, diretora de comunicações corporativas da rede.

"E não são apenas as mulheres nos mais altos cargos", ela disse. "Toda
mulher recebe uma flor."

Nunez estava sentado com Polanco nos bastidores de "106 and Park", a
resposta da BET ao "TRL" da MTV. Ele tinha acabado de fotografar a dupla Gnarls Barkley ("é meu grupo favorito no momento", ele disse) e estava distribuindo as lembranças das sacolas de presentes que recebeu durante a tarde. Uma mulher saiu com um perfume e pílulas de dieta NV -"não que você precise delas", Nunez lhe disse. Outra recebeu uma vela perfumada.

"Estas pessoas me ajudam a pagar meu aluguel e minha conta de luz", ele
disse, "então preciso retribuir a gentileza".

A carreira de Nunez decolou quando Damon Dash, o fundador da Rocafella
Records, o contratou como seu fotógrafo pessoal em 2002. Ele viajou o mundo com Dash -Cannes, Irlanda, África do Sul, Milão.

"Eu telefonava para meus meninos em casa dizendo 'Yo, estou em um iate no meio do Mediterrâneo com Kid Rock, Tyson Beckford e playmates", ele lembrou. "Eu sabia que Deus me abençoaria, mas não sabia que seria assim."

Mas nem sempre era festa. Certa noite, em Paris, uma gangue atacou Dash e sua comitiva. "Todo mundo correu", disse Dash. "Johnny foi o único que ficou e lutou comigo. Isto diz muito sobre seu caráter."

McMullan disse que a disposição de Nunez de se misturar com alguns dos
elementos mais desagradáveis do hip-hop explica parte do seu apelo. "Algumas destas festas são um tanto rudes", ele disse. "É preciso uma verdadeira dedicação para trabalhar em tais ambientes e Johnny é dedicado."

Wilbekin: "Ele subirá nas meses e derrubará guarda-costas para tirar a foto necessária" -aquela que ele verá na "InStyle", "Us Weekly" ou "The New York Times" (que compra as fotos de Nunez por intermédio de sua agência).

"Certo ano, no jantar pré-Grammy de Clive Davis, ele literalmente subiu na mesa para tirar fotos de Jennifer Lopez e Puffy", disse ilbekin. "Eu já estive em festas nas quais ele me arrastava pela sala para posar ao lado de um completo estranho. 'Uh, oi, prazer em conhecê-lo, Terrence Howard. Sorria.' É pouco ortodoxo, mas ele consegue a foto."

Mas nem todos apreciam Nunez. Para muitos profissionais de relações públicas (RP) ele é uma ameaça ao seu controle sobre seus clientes. "Às vezes ele não pára de tirar fotos até que você o mande embora, e isto pode ser realmente incômodo", disse um RP da indústria fonográfica, que pediu para não ser identificado porque seus clientes gostam do fotógrafo.

Uma família porto-riquenha adotou Nunez, cujos pais biológicos são da
Venezuela e Trinidad, quando era bebê, ele disse. Ele era freqüentemente provocado por usar roupas de segunda mão e cópias de tênis de marca, ele disse. "Eu jurei que ninguém nunca mais riria de como me visto quando crescesse", disse Nunez, que gosta de misturar sua Phat Farm com Prada e Valentino.

Após se formar no Suffolk Community College, Nunez não tinha idéia do que queria fazer na vida. Certa manhã, após meses entregando pizza e frango, ele teve uma epifania. "Cartões de boas-vindas hip-hop", ele disse. "Foi o motivo para começar a tirar fotos."

Para obter o dinheiro para seus cartões, "eu fiz de tudo", ele disse.
"Festas de lançamento de álbuns, aniversários, exposições de artistas."

Nunez está atualmente trabalhando em um livro de mesa e planeja doar parte dos lucros para caridades que cuidam de cegos. "Deus me deu a capacidade de ver e tive felicidade de transformar o que vejo em carreira", ele disse. "Me parece certo ajudar aqueles que são menos afortunados."

Ele fez uma pausa por um momento. Uma idéia de uma foto veio a mente: uma menina cega sentindo o rosto de Kanye West. "Se não é uma boa foto", disse Nunez, "eu não sei o que é". George El Khouri Andolfato

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