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12/02/2007

Médicos e laboratórios farmacêuticos: uma medida para acabar com os conflitos de interesse

The New York Times
Stephanie Saul
Mais Hipócrates, menos molho de Hunan. Almoços gratuitos para médicos estão sob ataque novamente.

As entregas de almoços gratuitos em consultórios médicos, juntamente com aquelas ubíquas canetas com logotipos de laboratórios, se tornaram símbolos dos extensos laços financeiros entre médicos e a indústria farmacêutica. E há evidência de que ela influencia que medicamentos são prescritos.

Mas cresce a pressão contra os presentes e outros conflitos de interesse potenciais, um esforço que ganhou força no ano passado quando um grupo de médicos influentes condenou os arranjos financeiros entre médicos e laboratórios farmacêuticos no "The Journal of the American Medical Association".

Na terça-feira, um novo esforço está marcado para ser anunciado pela Community Catalyst, um grupo de defesa de pacientes com sede em Boston, e pelo Instituto da Medicina como Profissão, um grupo de pesquisa da Universidade de Columbia.

Com um subsídio de US$ 6 milhões do Pew Charitable Trusts, as organizações planejam uma campanha nacional pedindo restrições nas interações entre médicos e laboratórios farmacêuticos, além de pedir aos médicos que baseiem suas prescrições mais em evidências médicas do que em marketing.

"Se você está na sala de espera quando estes almoços chineses são entregues no consultório, isto gera dúvidas sobre se as decisões são baseadas nas melhores evidências científicas sobre o medicamento ou se o camarão sichuan tem algo a ver com a prescrição", disse Jim O'Hara, diretor administrativo de iniciativas da Pew.

A industria farmacêutica gasta US$ 12 bilhões por ano com marketing junto aos médicos, com grande parte de tal dinheiro na forma de amostras grátis entregues nos consultórios, freqüentemente acompanhadas de almoço para todos os funcionários. Quando os sistemas de saúde da Universidade de Michigan proibiram tais almoços em 2005, eles calcularam que os almoços totalizavam US$ 2,5 milhões ao ano.

Os medicamentos gratuitos são amostras dos produtos de marca mais novos e mais caros. A indústria farmacêutica espera que com o início do tratamento com as amostras grátis, os pacientes manterão a medicação mais cara em vez de utilizarem o genérico mais barato. E há evidência de que os médicos que mantém um relacionamento com a indústria farmacêutica prescrevem mais medicamentos caros.

A nova iniciativa, chamada de Projeto Prescrição, deriva de um artigo publicado no "The Journal of the American Medical Association", em janeiro de 2006, na qual uma coalizão de estudiosos e médicos propôs que centros médicos acadêmicos de todo o país tomassem a iniciativa de restringir as interações entre médicos e a indústria de saúde.

Vários centros médicos, incluindo os de Yale, da Universidade da Pensilvânia e de Stanford, anunciaram tais restrições.

O Projeto Prescrição visa disseminar tais restrições para outros centros médicos acadêmicos, entidades de médicos e de terceiros envolvidos.

Alguns reitores de escolas de medicina relutam em impor tais restrições, temendo que perderão dinheiro de pesquisa, segundo David J. Rothman, um autor do estudo do ano passado e que também é presidente do Instituto da Medicina como Profissão.

"Eles dizem: 'Se fizermos isto, nós perderemos um terço de nosso corpo docente. Eles irão para locais com menos restrições; se fizermos isto, nós afastaremos a indústria farmacêutica e haverá uma retaliação'", disse Rothman.

Um dos planos do grupo é documentar o impacto das mudanças em Yale, na Universidade da Pensilvânia e em Stanford. "Os laboratórios farmacêuticos deixarão de fornecer dinheiro de pesquisa para a Penn (Universidade da Pensilvânia)?" ele disse. "Eu não acredito que isto acontecerá."

A meta da organização não é proibir subsídios para pesquisa ou consultorias, mas limitar presentes, dinheiro para viagens, palestras e "ghostwriting" (textos de autores fantasmas), encorajando ao mesmo tempo prescrições baseadas em evidências médicas.

"Os presentes dados trazem consigo a sensação de necessidade de retribuição", disse Rothman, que leciona medicina social na Columbia.

"Nós não estamos dizendo que você está sendo subornado", ele acrescentou. "Nós estamos dizendo que você está recebendo presentes. Parte deles pode ser uma estímulo financeiro. Mas parte deles é psicológico ... 'Bem, eles me enviaram para Las Vegas, o medicamento deles é tão bom quanto os demais, por que não dizer uma forma de obrigado'." George El Khouri Andolfato

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