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13/02/2007

Cupido também pega estrada

The New York Times
Perry Garfinkel
Ao longo de quatro anos, Michael Zane e Liz Fritz se encontravam de tempos em tempos em feiras da indústria de bicicletas, apesar de nunca ter surgido nenhuma fagulha romântica. Ele é fundador da Kryptonite, empresa que faz cadeados de bicicleta; ela era diretora de roupas e acessórios da Rodale Press.

Ambos eram ávidos nadadores e, além de se verem nos centros de convenção, eles ocasionalmente se cruzavam nas piscinas de hotel. Com o tempo, Zane, 58 anos, esperava mudar o relacionamento deles de colegas de viagens de negócios em algo mais.

Conhecido como um homem sociável e bom de papo, ele teve dificuldades para encontrar as palavras certas para quebrar o gelo. Em um evento do setor em Allentown, Pensilvânia, em 1990, ele finalmente reuniu a coragem para abordar Fritz, atualmente com 54 anos, mas conseguiu apenas dizer uma frase sem brilho.

"Você tem dentes lindos", ele disse.

Mas ela viu na tentativa "uma doce vulnerabilidade que ele escondia dos outros e que, no final, o tornou romanticamente atraente para mim", disse a atual sra. Zane.

Casados há 16 anos, eles agora estão aposentados e dividem seu tempo entre casas em Brookline e Martha's Vineyard, Massachusetts. "Nós percebemos que tínhamos muito em comum: natação, ciclismo, senso de humor e, bem, agendas de viagem malucas", ela disse.

Romances no local de trabalho já foram amplamente estudados, mas romances forjados em viagens de negócios continuam pouco examinados pelos psicólogos. Mas Cupido paira, com arco preparado, nos saguões de hotéis, em salões de convenções, em bares de aeroportos e nos aviões, flechando corações insuspeitos nos momentos mais improváveis.

Ou, talvez, não tão improváveis, como diz Sonia March Nevis, uma psicóloga e co-fundadora do Center for the Study of Intimate Systems, uma clínica de psicoterapia para casais em Wellfleet, Massachusetts. "Parte do motivo para as empresas enviarem pessoas em viagens é para estabelecerem redes e fazerem contatos", ela disse. "Então, se são solteiros e estão solitários na estrada, eles encontram alguém com interesses comuns -e pronto! Especialmente em convenções, que são como acampamentos de adultos, todos os tabus são suspensos."

O resultado se torna assunto da mitologia dos casais, à medida que repetem de forma ritualística as histórias de como se conheceram para qualquer um que queira escutar.

Acaso, sorte e "timing" têm um papel tão grande nestes encontros quanto interesses semelhantes e química. Para Brenda e Christer Berg, o início do relacionamento entre eles ocorreu em um vôo da Filadélfia para Raleigh, Carolina do Norte, em 2000.

"Ambos somos experientes viajantes a negócios, acostumados a companheiros de viagem pouco atraentes e que falam demais", disse Brenda Berg, 34 anos, que era Brenda Gustafson quando se conheceram. "Mas daquela vez nós ganhamos na loteria da distribuição de assentos."

No avião, um homem passou por ela e quase se sentou nos pertences que ele colocou no assento ao lado. Sem olhar para ele, ela ofereceu tirar suas coisas, com um tom um tanto malcriado.

Quando finalmente levantou os olhos, ela disse para si mesma: "Ai, meu Deus! Eu não acredito que fui rude com este sujeito. Ele é uma graça!"

Notando o sotaque de Berg, ela perguntou de onde ele era. Quando ele disse Suécia, ela respondeu, "Jag kan prata Svenska", que significa "eu falo sueco". Ela também é descendente de suecos e aprendeu a língua enquanto crescia em Minnesota.

"O rosto dele parecia o de alguém pego no 'Candid Camera' (um programa de humor)", ela disse. Ao final do vôo, Berg, 43 anos, a convidou para jantar.

Eles namoraram por seis meses, se casaram, agora têm dois filhos e dirigem dois negócios juntos: Scandinavian Child, uma importadora, e a loja de calçados Vincent Shoe Store, ambas em Raleigh.

Romance em uma viagem de negócios pode surgir tendo os panos de fundo mais incomuns. Este foi o caso de Kerrie Scales e Gary Ritchie, que se conheceram em uma conferência de 2004 de associações de refugos sólidos. Ajudou o fato de o encontro ter ocorrido no Sagamore, um hotel resort no Lago George, em Nova York.

"Nós nos conhecemos em uma reunião social e então passamos grande parte da noite com ele me ensinando a jogar dados na noite anual de cassino da associação", disse Scales, 34 anos, que leciona assuntos de refugos sólidos em escolas públicas de Hillburn, Nova York. Mais tarde naquela noite, eles se aconchegaram às margens do lago, "mas estávamos ambos saindo de divórcios e não procurando por alguém -especialmente em uma conferência de refugos sólidos", ela disse.

O evento acabou no dia seguinte. Ritchie, 45 anos, um superintendente de aterros sanitários em Cortlandt, Nova York, lhe deu seu cartão.

Após ambos partirem, ela telefonou para o celular dele para que ele tivesse o número dela, para o qual ele telefonou naquela noite. Um encontro se seguiu. Em pouco tempo estavam vivendo juntos. Apesar de ainda não terem marcado data para o casamento, eles escolheram um local para o evento: o Sagamore.

Os deuses do "timing" e da mudança de horários intervieram para unir Barbara Berke e Eugene de Nijs Bik. De Nijs Bik, 49 anos, na época gerente de contabilidade do Aeroporto Schiphol em Amsterdã, foi enviado para participar de uma conferência de administração de complexos em Dallas, em 1997, em substituição a seu chefe, cujos planos mudaram. Era sua primeira viagem para os Estados Unidos.

Na última noite da conferência, por volta das 22 horas, por motivos que não sabe explicar, Berke, uma gerente de complexos do InterContinental Hotels Group, entrou no saguão onde um colega a apresentou a De Nijs Bik. Eles conversaram por 30 minutos. "Apesar dele ser bonito, para ser sincera eu não pensei em nada mais do que estabelecer um contato", ela lembrou.

Ele voltou para a Holanda e começou a enviar e-mails para ela. Mas foi um bilhete escrito à mão por ele que a encantou, ela disse. Um mês depois, ele foi para Atlanta para vê-la. Um ano depois eles se mudou para Atlanta para se casar com ela e atualmente trabalha lá na Turner Broadcasting System.

O encontro de Jennifer Ouellette e Sean Carroll, por outro lado, foi inevitável no mundo não tão grande da Internet. Ela é uma escritora free lance; ele é um professor de cosmologia. Os dois participaram de vários encontros da Sociedade Americana de Física mas nunca se encontraram. Isto mudou em fevereiro de 2006, quando ela iniciou um blog chamado Cocktail Party Physics e recebeu uma mensagem de boas-vindas por e-mail de Carroll, 40 anos, por meio de seu blog, Cosmic Variance.

"Entre muitas notas semelhantes, a dele se destacou das demais pela sagacidade e sabedoria", disse Ouellette, 42 anos.

Em abril do ano passado eles finalmente se conheceram no encontro da sociedade, quando também surgiu atração física. Mas ela morava em Washington e ele vivia em Chicago. Seis meses depois do que ela chamou de "barragem constante de e-mails e milhares de milhas de viagens aéreas", Carroll a pediu em casamento. Agora ela está mudando para Los Angeles, para onde ele se mudou em setembro passado para se tornar pesquisador assistente sênior no Instituto de Tecnologia da Califórnia. Eles planejam se casar em setembro.

"Fiel ao espírito da blogosfera que nos uniu, nós postamos nosso anúncio de noivado em nossos respectivos blogs em novembro passado", ela escreveu em um e-mail. "Mesmo a 'Nature', a respeitável revista científica, mencionou nosso noivado. Isto mostra que até mesmo os cientistas mais fissurados são românticos incuráveis." George El Khouri Andolfato

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