UOL Notícias Internacional
 

14/02/2007

Cheias forçam 68 mil a fugirem de suas casas em Moçambique

The New York Times
Michael Wines
Em Johannesburgo, África do Sul
A pior cheia do Rio Zambezi de Moçambique desde a inundação catastrófica de 2001 forçou mais de 68 mil pessoas a fugirem de suas casas e ameaça mais dezenas de milhares, disseram representantes de ajuda humanitária na terça-feira. Mas o governo disse que ainda não precisa de ajuda internacional em grande escala.

No entanto, a previsão é de chuvas pesadas em Moçambique durante grande parte desta semana, e os especialistas estão observando a imensa barragem da hidrelétrica de Cahora Bassa, a maior do sul da África, atentos a sinais de que possa estar no limite de sua capacidade.

Os engenheiros estão dando vazão à água do lago de 2.590 quilômetros quadrados atrás da barragem em taxas de 8.500 metros cúbicos por minuto, no nível ou acima dos liberados no auge da cheia de 2001. Esta vazão foi coordenada com os administradores de uma segunda grande represa no Zambezi, na fronteira da Zâmbia com o Zimbábue, que também está se aproximando do limite de capacidade.

As autoridades moçambicanas disseram que pelo menos 29 pessoas morreram em acidentes ligados à cheia, de afogamentos a eletrocussões, mas informes das áreas rurais, algumas isoladas pelas águas, são escassas. Outras colocam os mortos em 100 ou mais. O Zambezi inundou {250 mil quilômetros quadrados} de áreas de cultivo, que ficaram com 1 metro de água em alguns locais.

O coordenador residente da ONU em Moçambique, Ndolamb Ngokwey, disse em uma entrevista por telefone em Maputo que quase 27 mil refugiados foram colocados em 53 campos e que quase 42 mil outros fugiram da elevação das águas e buscaram refúgio em outros lugares. A ONU disse que até 142 mil pessoas poderão precisar de assistência; algumas autoridades moçambicanas disseram que o número poderá ser menor, 105 mil.

As autoridades moçambicanas declararam alerta vermelho, um estágio abaixo de emergência nacional. A ONU está fornecendo algum alimento, água e suprimentos de saneamento, mas o governo recusou por ora ofertas mais extensas de ajuda.

"Caso a situação venha a se agravar, dependendo das chuvas e da barragem, nós provavelmente teremos mais pessoas buscando ajuda", disse Ngokwey.

Paulo Zucula, que chefia o Instituto Nacional de Gestão de Catástrofes, a agência de ajuda do governo, foi citado pela agência de notícias "Reuters" como tendo dito que os refugiados carecem de alimentos, abrigo e atendimento médico, mas que a situação permanece sob controle.

Em meio aos relatos de que os agricultores estavam se recusando a abandonar seus animais de criação nas áreas ameaçadas, a primeira-ministra de Moçambique, Luisa Diogo, ordenou evacuações à força de cidadãos nas áreas baixas do vale do Zambezi. O governo disse que 46 mil casas foram tomadas pelas águas, mas o número é impossível de verificar.

As chuvas pesadas em Maláui, Zâmbia, Zimbábue, Angola e Moçambique encheram alguns dos principais afluentes que alimentam o Zambezi, um dos principais rios da África. A região foi atormentada nos últimos anos pela seca e as chuvas fortes recentes são atribuídas ao El Niño, o aquecimento das regiões do Oceano Pacífico que periodicamente provoca mudanças significativas no clima. George El Khouri Andolfato

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