UOL Notícias Internacional
 

15/02/2007

Abbas cancela discurso na televisão sobre unidade de governo

The New York Times
Steven Erlanger

em Jerusalém
Em um outro sinal de tensão com o Hamas em torno de um possível governo de unidade nacional, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, da facção Fatah, cancelou um discurso na televisão marcado para a noite desta quinta-feira, anunciaram os seus assessores na quarta-feira (14/2).

No discurso, Abbas falaria aos palestinos a respeito das suas conversações em Meca, na Arábia Saudita, com as lideranças do Hamas. Mas aquelas conversações, que foram concluídas na quinta-feira passada com uma proclamação de sucesso, deixaram muitos detalhes não resolvidos, incluindo quem ocuparia cargos como o de ministro do Interior, que controla a força policial paralela dominada pelo Hamas, e conhecida como Força Executiva. Os detalhes de um programa político para o novo governo também permanecem indefinidos. Tampouco se sabe como a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) será reformada.

Autoridades européias e norte-americanas não se deixaram convencer por Abbas de que um novo governo atenderá as condições internacionais para que seja retomado o auxílio financeiro à Autoridade Palestina. Washington e Israel insistem que um novo governo precisa reconhecer o direito de existência do Estado judeu, renunciar à violência e ao terrorismo e aceitar todos os acordos prévios entre israelenses e palestinos.

Os assessores de Abbas argumentam que todas essas condições foram implicitamente aceitas, e que o acordo de Meca se constitui em uma movimentação significativa por parte do Hamas, mas, na verdade, no acordo não há menção alguma a Israel, e nenhuma rejeição à violência contra o Estado judeu.

A secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, deverá se reunir com Abbas em Ramallah no próximo final de semana antes de participar de uma reunião com ele e o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, na próxima segunda-feira. Mas as perspectivas de que haja progresso parecem estar diminuindo.

Na noite da quarta-feira, Nabil Abu Rudeineh, um assessor próximo de Abbas, disse à televisão palestina que o presidente adiaria o seu discurso para depois das novas conversações que deverá manter com o Hamas na Faixa de Gaza.

A agência de notícias Reuters anunciou que um outro assessor de Abbas, que não foi identificado pelo nome, afirmou: "O Hamas apresentou várias condições inaceitáveis que não podem ser implementadas. O acordo de Meca não pode ser reinterpretado e precisa ser implementado imediatamente sem quaisquer condições". Esse assessor disse ainda que o Hamas estava fazendo novas exigências a respeito de quem ocuparia os cargos de ministro do Interior e das Relações Exteriores, que deveriam ser destinados a indivíduos independentes aprovados pelo Hamas.

As autoridades do Hamas deixaram claro que desejam preservar a Força Executiva como uma forma de proteção contra as forças de segurança dominadas pelo Fatah, e que não estão dispostas a desmembrar a Força Executiva em outros órgãos.

O primeiro-ministro do Hamas, Ismail Haniya, adiou a sua renúncia e o fim do seu governo, alegando que é necessário mais tempo para a criação de um novo governo. Algumas autoridades israelenses e ocidentais continuam sem saber ao certo se um governo de união será de fato formado. UOL

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