UOL Notícias Internacional
 

15/02/2007

Em Beirute, manifestação apóia o governo, enquanto oposição continua com protesto sentado

The New York Times
Michael Slackman

em Beirute, Líbano
As forças armadas espalharam nesta quarta-feira (14) uma grande quantidade de arame farpado e criaram uma zona tampão para separar os centenas de milhares de simpatizantes do governo, que compareceram ao centro desta cidade, dos centenas de simpatizantes da oposição que estão acampados no centro desde dezembro.

The New York Times 
Policiais guardam a proteção de arame farpado que separou os manifestantes em Beirute

A ocasião era o segundo aniversário do assassinato do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri. Apesar de pessoas de ambos os lados da zona tampão terem pedido pela unidade entre todos os libaneses, os eventos do dia ilustraram as profundas divisões e tensões que mantêm este país à beira de um conflito civil. "Nós somos contra o sectarismo", cantava um grupo de pessoas enquanto marchava na direção da cerimônia memorial. "E Deus está com os sunitas."

O Líbano está preso em uma perigosa batalha política entre os aliados do ex-primeiro-ministro, que controlam o governo, e seus oponentes, que desejam mais poder.

O conflito aprofundou as tensões sectárias em um país onde o poder é dividido entre as seitas. Nesta luta, os sunitas estão principalmente do lado do governo, os xiitas na oposição e os cristãos estão divididos.

Os dois lados concorrentes pedem regularmente por unidade como um preâmbulo para escutar suas exigências não negociáveis. Na quarta-feira, o padrão se manteve. "Nós estamos aqui para dizer que queremos um diálogo com todos os libaneses e queremos a unidade nacional", disse Saad Hariri, o filho do ex-primeiro-ministro e líder do maior bloco no Parlamento, em um discurso para a multidão. Ele também disse que a maioria, conhecida como Coalizão 14 de Março, não recuará na criação de um tribunal internacional para ouvir as evidências na morte de Rafik Hariri e outros assassinatos políticos. Os líderes da oposição insistem que a criação do tribunal deve ser no mínimo adiada.

O dia foi precedido por um aumento da violência. Na terça-feira, três pessoas morreram quando dois microônibus explodiram. Foi o primeiro ataque contra cidadãos comuns - não os politicamente engajados - em duas décadas e aumentou os temores de um mergulho na guerra civil.

Na manhã de quarta-feira, o ataque foi absorvido pela experiência coletiva, acrescentado à lista de atentados, mortes e guerras que definiram os anos desde a morte de Hariri. As pessoas seguiam em frente, aguardando pelo próximo incidente.

Ônibus, carros, minivans, motos e longas filas de marchadores começaram a chegar ao centro da cidade no início da manhã. Em todos os cantos ela foi uma procissão alegre, com soar de cornetas e aceno de bandeiras.

As pessoas avançavam em meio à segurança ampliada, com as forças revistando pessoas, sacolas e carros. Seguranças armados mantinham posição nos telhados ao redor da praça onde o túmulo de Hariri se tornou local de manifestações pró-governo.

O aniversário propiciou ao governo tomar da oposição, que fechou o centro com uma manifestação de protesto sentado sem fim determinado, o controle da cidade por pelo menos um dia.

Segurança mais pesada foi enviada para manter os simpatizantes do governo longe da cidade de tendas que se tornou o centro dos esforços da oposição para derrubar o governo. A situação se manteve tranqüila na área das tendas. Os manifestantes desligaram seus alto-falantes, que funcionavam sem parar desde o início de dezembro, e cederam o momento aos seus adversários.

"É claro que não são nossos inimigos", disse Ali Mahmud, 19 anos, um simpatizante do Hizbollah do sul do Líbano, enquanto estava sentado em uma cadeira de plástico ao lado de uma tenda. "O que temos em comum é o Líbano. Somos todos libaneses."

Então, olhando para as legiões de homens altamente armados separando os dois grupos, seu amigo Muhammad Ali, 25 anos, disse: "Nós não dividimos o país. Não somos nós os irresponsáveis. Eles dividiram o país".

A luta é intensificada por envolver outros países, que vêem o resultado dos eventos aqui como importantes para seus interesses nacionais. A Síria e o Irã apóiam a oposição. Os Estados Unidos, os governos árabes sunitas e a Europa apóiam o governo.

O tribunal internacional se tornou, por exemplo, um estopim mesmo enquanto todos os lados dizem, em teoria, que o apóiam. As autoridades sírias implicaram com a investigação preliminar da morte de Hariri e seus aliados no Líbano trabalharam para retardar sua implementação.

Isto levou a mais pedidos de unidade na quarta-feira, seguidos por denúncias que certamente não promovem a unidade com a oposição. "Quem quer que lute contra o que é certo será nocauteado", disse Samir
Geagea, líder das forças libanesas, um partido cristão e membro da coalizão de governo, em um discurso. "O tribunal internacional certamente será criado." George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h58

    -0,53
    3,128
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,28
    75.389,75
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host