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16/02/2007

Dan Brown, todos os olhos estão em você

The New York Times
Janet Maslin
Pegue um tesouro sagrado. Acrescente uma conspiração secreta. Escolha um nome conhecido por acadêmicos - Dante, Poe, Wordsworth, Arquimedes, Machiavelli, Shakespeare, os Romanovs, Vlad o Impalador, "Hypnerotomachia Poliphili", o que for - e insira-o em uma história que possa acomodar tanto pistolas Glock quanto o Santo Graal. Se houver espaço sobrando para os templários ou amostras de DNA de figuras bíblicas, com certeza, traga-os também.

EFE 
Gênero lançado por Dan Brown em seu 'Código Da Vinci' é descaradamente copiado

Obrigado, Dan Brown. Veja o que você iniciou. No gênero "imitação de Brown" pode-se ganhar muito, não há escrúpulos e o plágio está fora de controle. O próximo livro de Brown (que possivelmente irá chamar "The Solomon Key" - a chave de Solomon), com data de lançamento desconhecida, já é um texto pré-sagrado.

"The Solomon Key" é tão fortemente esperado que já gerou um "Guide to 'The Solomon Key' de Dan Brown'". Seu autor, Greg Taylor, conduziu uma pesquisa intrigante sobre o que supostamente será o assunto de Brown, que deixou uma boa trilha de pistas na Internet (maçons e os Pais Fundadores podem aparecer na trama). Taylor está mais preocupado com criptologia e em conectar os pontos do que com verificação. Tanto assim que não se preocupa com o fato de que sua fonte primária, ou seja, o livro de Brown, ainda não existe oficialmente.

Enquanto isso há muitos outros que estudam as táticas de Brown e copiam seus truques. Surfando na onda de Brown, eles estabeleceram seus próprios relacionamentos pavlovianos com o público leitor. Brown é a razão para anteciparmos algo chamado "The Archimedes Codex", em maio.

A fórmula de Brown tão copiada envolve algumas características específicas. O nome de um grande artista, artefato ou figura histórica deve estar na história do livro, inclusive na capa. A narrativa deve começar nos dias de hoje, com uma morte bizarra, e depois usar essa morte como razão para investigar o passado. E o passado deve revelar um segredo tão grande, impressionante e agitador que toda a civilização deve ser modificada por ele. Provavelmente não para melhor.

Essa fórmula está claramente resumida na capa de "Brotherhood of the Holy Shroud", de Julia Navarro, uma cópia tão gritante que conseguiu tirar "O Código Da Vinci" do primeiro lugar das listas dos mais vendidos na Espanha. Diz assim: "Um dos tesouros mais sagrados da história; uma conspiração secreta antiga; agora a verdade é revelada".

Ou como descreve a orelha do livro de Michael Gruber a ser lançado, "Book of Air and Shadows": "Um acadêmico shakespeariano distinto é encontrado torturado até a morte. Um manuscrito perdido e seus segredos enterrados por séculos. Um mapa criptografado que leva à riqueza incalculável." Essas são chaves para uma caça ao tesouro perdido, pelo qual homens estão dispostos a matar - e morrer. É um jogo para os fortes. Os tipos sensíveis nem precisam tentar.

"The Alexandria Link" (o elo de Alexandria), de Steve Berry, tem resumo de orelha similar: "Em jogo está um documento explosivo antigo com o potencial não só de mudar o destino do Oriente Médio, mas de abalar as fundações das três principais religiões do mundo". Os cinco romances de Berry foram variações do mesmo tema. A última isca é a Biblioteca Egípcia perdida de Alexandria. A premissa de "The Alexandria Link" é que, se houvesse textos antigos para provar que o Velho Testamento fora erroneamente traduzido, as alegações conflitantes de árabes e israelenses com respeito à Palestina poderiam ser compreendidas de forma diferente.

Os personagens de Berry são superficiais, mas ele é melhor do que a maior parte dos outros nesse tipo de história. Ele consegue introduzir termos como "The Order of the Golden Fleece", "Septuagint", "Magellan Billet", "Codex Sinaiticus" e "Cassiopeia Vitt" (este é nome de um personagem) com impressionante facilidade. E seus livros de fato entretêm, empilhando as camadas obrigatórias de mistério e surtos de violência, ocasionalmente apimentando-as com uma pista de museu.

Berry desta vez refere-se ao quadro do século 17 "The Shepherds of Arcadia II", de Nicolas Poussin. Mas a busca do autor por artefatos simbólicos não utilizados é tão desesperada que Poussin não é só dele. O muito mais atrapalhado "Unholy Grail", de D.L. Wilson, (que liga sua grande revelação ao irmão de Jesus), faz uso do "The Shepherds of Arcadia", também de Poussin, e uma variação sobre temas similares. E mais: as duas pinturas, como no "Código Da Vinci", levam os leitores a uma sociedade -que não é mais secreta- chamada o Priorado de Sion.

Em "The Mosaic Crimes", de Giulio Leoni, um item novo até para este gênero cheio de novidades, Dante Alighieri - sim, aquele Dante Alighieri - faz trabalho de detetive em Florença do século 14. Qual seria o significado da morte de um artista trabalhando em um mosaico misterioso? "Seria uma fórmula alquímica para transformar chumbo em ouro?" pergunta a orelha do livro.

"Teria a ver com Antilia, bela e selvagem, que dança de noite em uma taverna de um cruzado de um braço só?" Durante o curso da história, Dante parece adequadamente poético quando pensa: "Quantas vezes eu questionei a perfídia humana? Agora me encontro enfrentando-a em sua forma mais desprezível."

Os romancistas obrigam poetas a participar de suas histórias. Assim faz Val McDermid com William Wordsworth em "The Grave Tattoo", envolvendo-o em eventos descritos em "O Grande Motim". Para os que acham a idéia um pouco exagerada, considerem o estratagema: McDermid apresenta seu personagem principal, uma garçonete chamada Jane Gresham, mencionando rapidamente suas calças de ginástica, grafite nos muros e CDs, para que o leitor entenda que Jane vive em épocas modernas. Como Jane também é estudiosa de Wordsworth, o livro permite que ela examine um curioso baú de cartas de Wordsworth ("eu estava envolvida em meus trabalhos poéticos") quando encontra uma conexão de Wordsworth com um corpo tatuado encontrado em um pântano. Logo Jane está especulando que as tatuagens sugerem os Mares do Sul, que Fletcher Christian of the Bounty era parente distante de Wordsworth e que o Capitão Bligh pode ter causado uma rebelião sodomizando membros de sua equipe. Esta história de fato soa moderna.

O fato de um autor estabelecido como McDermid, cuja especialidade são contos de crime contemporâneos, lançar-se a esse gênero é uma medida de sua incrível popularidade. Outra é a estranheza chamada "The Master Copy", creditada a dois autores chamados Osterman & Osterman, um dos quais é um "ex-especialista em eletrônica". Publicado em 2004, postula a existência de um clone de Jesus de uma amostra de DNA. O romance vem de uma editora chamada Xlibris, que imprime até 10 cópias do livro do cliente e respondeu a 61 reclamações do Better Business Bureau nos últimos três anos. Ainda assim, os Osterman anunciam: "'Remastered: The Master Copy II' está em andamento. Estará disponível em breve."

Há um mundo de diferença entre isso e uma grande produção como "The Machiavelli Covenant", outro caçador de segredos de Allan Folsom. Folsom sabe que as estratégias de Niccolo Machiavelli não eram inocentes. Mais importante, sabe que ajuda ter alguém como "a bela e enigmática jornalista francesa Demi Picard" envolvida na caça e alguém descobrir que Schlippenbachii, Mucronulatum e Flammeum são nomes de azáleas usados no código.

Folsom também faz o presidente dos Estados Unidos fugir dos conspiradores. Como o presidente era estudioso, consegue identificar Aldebaran, uma estrela na constelação de Taurus, como "o Olho de Deus".

No guia de Taylor sobre o provável próximo trabalho de Brown, ele faz especulações a respeito do Olho da Providência no Grande Selo dos EUA e o avental maçônico de George Washington, entre muitas outras coisas misteriosas. Mas o principal desafio de "The Solomon Key" não será fazer uso criativo da simbologia. Será soar mais como Dan Brown do que seus imitadores.

Os clones de Da Vinci

Aqui vão as informações sobre os livros mencionados:

"The Alexandria Link" de Steve Berry (Ballantine)
"The Book of Air and Shadows" de Michael Gruber (HarperCollins)
"The Brotherhood of the Holy Shroud" de Julia Navarro (Bantam)
"The Echelon Vendetta" de David Stone (Putnam)
"The Fifth Vial" de Michael Palmer (St. Martin's)
"The Grave Tattoo" de Val McDermid (St. Martin's)
"The Guide to Dan Brown's 'The Solomon Key"' de Greg Taylor (DeVorss &
Company)
"The Machiavelli Covenant" de Allan Folsom (Forge)
"The Mosaic Crimes" de Giulio Leoni (Harcourt)
"Napoleon's Pyramids" de William Dietrich (HarperCollins)
"The Unholy Grail" de D.L. Wilson (Berkley) Deborah Weinberg

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