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23/02/2007
Vaticano toma medidas para controlar multidões de visitantes

Elisabetta Povoledo

Os visitantes do Vaticano estão recebendo alertas de que nada é eterno - pelo menos no que diz respeito aos museus da Santa Sé. O preço do ingresso subiu um euro e agora custa 13 euros, ou cerca de US$ 17,15 com o euro valendo US$ 1,32, e foram reduzidos os horários de visitação para visitantes avulsos, não inscritos via operadoras de visitas organizadas. Até muito recentemente, as portas abriam às 8:45 da manhã. Sob as novas regras, que entraram em vigor no mês passado, excursões reservadas e aprovadas pelo Vaticano ainda começam cedo assim, mas os visitantes individuais devem esperar até às 10 da manhã.

Chris Warde-Jones/The New York Times 
Para controlar a multidão, o Vaticano sobiu o preço e reduziu os horários de visitação

As autoridades do Vaticano dizem que a redução do horário faz parte de um plano para controlar a aglomeração de visitantes, com a implantação de um sistema de reservas obrigatórias que valerá a partir do ano que vem para todos os visitantes, quer eles estejam em uma excursão em grupo ou não. As agências operadoras de excursões já estão recebendo prioridade agora, dizem, porque são mais fáceis de ser controladas. E algumas fontes na indústria do turismo italiano afirmam que se for adicionado o tempo que se espera nas filas - que no verão europeu pode até passar das duas horas - e o fato de que os ingressos são vendidos apenas até as 12:30 em temporada normal e até 15:30 na alta temporada, os visitantes avulsos mal poderão ter tempo para ver tudo em um dia.

E naturalmente há muito para se ver - a Capela Sistina de Michelangelo, por exemplo, e os quartos que Rafael pintou para o papa Júlio II. Estes tesouros da arte ocidental são, para muitos turistas, a principal razão para se visitar Roma.

Acontece que o número de visitantes ao Vaticano praticamente dobrou nos últimos 10 anos, alcançando o recorde de 4,2 milhões em 2006, resultando em aglomeração numa estrutura originalmente concebida para acomodar uma corte papal renascentista, e não para até 20.000 visitantes ao mesmo tempo, se acotovelando nas salas e corredores.

Entre enormes grupos de excursão e selvagens turmas em passeios escolares, uma visita aos museus do Vaticano pode acabar se transformando "numa experiência mais traumática que artística para os turistas", diz Paola, uma das diversas guias que foram entrevistadas e que pediram que seus nomes completos não fossem citados, com medo de ofender o Vaticano.

As mudanças ocorrem em meio a outras medidas tomadas para controlar aglomerações em muitos sítios do patrimônio cultural italiano.

Antes que um sistema de reservas antecipadas passasse a funcionar na Galeria Uffizi, em Florença, as filas na entrada rivalizavam com as do Vaticano. Foi estabelecido em 900 o número de visitantes que pode entrar e permanecer nas Uffizi simultaneamente, e com isso cerca de 1,5 milhão de pessoas visitaram as galerias no ano passado. E quando um grande projeto de restauração for finalizado, em quatro ou cinco anos, o número de pessoas admitidas simultaneamente deverá aumentar de maneira significativa.

"Nós estamos tentando fazer com que a estrutura fique mais funcional", diz Cristina Acidini, que supervisiona os museus oficiais de Florença. O Coliseu também tem um serviço de reservas, mas como todos os visitantes têm que passar pelas cabines de segurança, com os 3,.9 milhões de visitantes em um ano as filas são inevitáveis. "Ainda assim é um processo bem rápido", afirma Rossella Rea, arqueóloga responsável pelo monumento.

Mas a entrada pode ser mais rápida, tanto que um novo portão de entrada já está sendo criado, na extremidade oriental do Coliseu. Se houver fundos suficientes, uma seção do corredor principal atualmente fechada estará restaurada ainda este ano, e assim os visitantes terão mais espaço para se espalhar pelo monumento. É claro que o anfiteatro romano é grande (já abrigou 80.000 nos tempos da Roma antiga), mas os grupos de excursões ainda se embolam por lá. "Não é que seja um monumento delicado em ponto de deterioração por conta das visitas", diz Rea. "Trata-se mais de uma questão de se orientar melhor o tráfego de visitantes lá por dentro."

Com tudo isso, no Vaticano há críticas, no sentido de que as horas mais reduzidas para visitação alongarão as linhas, que em certos dias superam os dois quilômetros em torno dos muros da cidade do Vaticano em direção à colunata da Praça de São Pedro. Agora, as pessoas estarão nas filas, mas "não terão a certeza de que irão entrar antes que os museus fechem", diz uma guia americana que pediu para não ser identificada.

Ainda assim, algo deve ser feito em relação às aglomerações, diz Francesco Buranelli, diretor dos museus do Vaticano. "A fila serpenteante está lá sob os olhos de todos; é de cair o queixo, embora ande de forma consideravelmente rápida", ele diz, não obstante as medidas de segurança reforçadas na entrada após 11 de setembro de 2001.

Os novos horários, afirma o diretor, constituem a primeira etapa que introduz o sistema obrigatório de reservas que entrará em vigor no mês de janeiro e que, segundo os oficiais do museu, permitirá a distribuição dos visitantes ao longo do dia. Por enquanto, a medida que beneficia as operadoras de excursões, que trazem mais de um terço do total de visitantes, é vista como "uma opção conveniente para ajudar aos museus nesta transição", diz Buranelli. (Os administradores dos museus dizem que não pretendem limitar o número dos visitantes que permanecem nos museus simultaneamente.)

A explicação de Buranelli é pouco convincente para Fabio, outro guia, que prevê "um ano difícil pela frente", com faturamento menor e mais queixas de seus clientes. "Espero que possa pelo menos convencê-los a visitar outros museus", constata o guia.

Ele e outros querem saber por que as autoridades dos museus não optaram por um horário mais extenso. Eles citam o sucesso dos museus estatais da Itália, que permanecem abertos até 7 da noite, atingindo aproximadamente um terço das visitas à tarde e à noite, de acordo com as estatísticas oficiais do Ministério da Cultura. No Metropolitan Museum of Art em Nova York, cerca de 600.000 entre os 4,3 milhões de visitantes no ano passado optaram pelas visitas em noites de sexta-feira e de sábado, tanto para ver o acervo como para comparecer a eventos especiais.

Mas Buranelli diz que encomendou estudos indicando que a maioria dos visitantes concentra suas visitas entre 10 da manhã e 1 da tarde e que, com mais de seis quilômetros de corredores para proteger e muitos guardas e zeladores na folha de pagamento, os custos para se manter os museus abertos à noite não seriam compensados pelas vendas de ingressos. "Para os turistas, a cultura é uma atividade diurna", acredita.

Algumas guias sugerem maliciosamente que o Vaticano já tem um lucro considerável com excursões especiais particulares de duas horas de duração que ocorrem após o fechamento do museu, e que com o novo sistema a arrecadação será ainda maior. Os preços atuais começam a partir de 2.500 euros para grupos de 1 a 30 pessoas, 3.500 euros para 31 a 60 pessoas, e 5.000 euros para grupos de 61 a 100 pessoas, mais o preço dos ingressos individuais. Também reclamam que o novo sistema privilegia os guias particulares do próprio Vaticano, que já têm o acesso garantido.

Já houve um tempo em que os museus do Vaticano eram praticamente as únicas instituições culturais na península italiana abertas após o almoço. Há mais ou menos uns doze anos, a maioria dos museus estatais e áreas arqueológicas ficava aberta somente até 2 da tarde, e as lojas do museu vendiam somente postais e catálogos, quando tanto. "Havia um sentimento enraizado, fruto residual das filosofias católica e marxista, que levava a crer que fazer dinheiro a partir da cultura ou era impossível ou então um pecado", diz Daniel Berger, consultor do Ministério da Cultura italiano.

Veio então Alberto Ronchey, que foi ministro da Cultura de 1992 a 1994 e que ajudou a passar uma reforma do setor de museu do estado em 1993 que alongou as horas de funcionamento e permitiu a empresas particulares a operação de serviços como venda de ingressos, livrarias e restaurantes.

"A cooperação entre os setores particular e público melhorou a situação enormemente, tanto de um ponto de vista qualitativo quanto de um ponto de vista quantitativo", diz Albino Ruberti, diretor-gerente da Zetema, que presta serviços ao museu cívico de Roma.

Apesar da transgressão efetivada pela lei de Ronchey e do comparecimento crescente aos museus, especialistas dizem que o pleno potencial econômico cheio do turismo cultural na Itália ainda não foi explorado por inteiro. O ministro da Cultura Francesco Rutelli disse em uma entrevista recente que já formou um comitê para examinar a legislação que estabelecia normas para o funcionamento dos museus, e prometeu "uma reforma radical" até o próximo verão italiano.

Ao contrário de muitas outras instituições culturais, os museus do Vaticano já entenderam há algum tempo a importância do merchandising. Foram dos primeiros museus a contar com guias em áudio, e um restaurante funciona por entre os muros desde 1975. Já há 20 anos acontece a venda de livros guias turísticos e de ensaios sobre seu acervo, o que provocou ramificações recentes de uma nova linha de produtos, como a sofisticada Coleção da Biblioteca do Vaticano, que inclui artigos como reproduções dos documentos originais dos arquivos do Vaticano e fac-símiles de selos papais.

Mas quando o assunto diz respeito às horas de abertura, alguns críticos dizem que os normalmente arejados museus do Vaticano parecem estar regredindo.

"Há sempre reclamações quando se parte para mudanças", diz Buranelli. Só que, a longo prazo, a única coisa que importa, ele diz, é "resolver o problema da aglomeração".

Tradução: Marcelo Godoy

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