UOL Notícias Internacional
 

24/02/2007

Bush defende energia cultivada domesticamente

The New York Times
Edmund L. Andrews

em Franklinton, Carolina do Norte
O presidente Bush vestiu um jaleco branco e visitou um laboratório aqui na última quinta-feira (22/2), para promover sua meta de produção de combustíveis alternativos a partir de capim, lascas de madeira e outros refugos vegetais.

Jim Young/Reuters 
Em visita a um laboratório, George Bush demonstrou interesse pelos biocombustíveis

Após percorrer o laboratório, que está desenvolvendo enzimas para produção de etanol celulósico - combustível destilado a partir de subprodutos vegetais - Bush falou animadamente sobre novas tecnologias que poderão reduzir a dependência do país de petróleo estrangeiro.

"É um momento empolgante para se pensar" em combustíveis de origem agrícola, disse. "Os produtores rurais não vão apenas cultivar o que precisamos comer", mas também "cultivar o que precisamos para dirigir nossos automóveis", disse o presidente para uma platéia na Novozymes North America, a subsidiária de uma empresa dinamarquesa de tecnologia.

Após escutar os executivos da empresa descreverem o papel das enzimas na redução do custo do etanol, Bush fez uma pergunta de leigo: "Então isto é como uma destilaria?"

A viagem é o evento mais recente nesta semana, na qual Bush se afastou de perguntas pessimistas sobre a guerra no Iraque para se concentrar em assuntos domésticos como energia e saúde.

Ele pediu uma redução de 20% no consumo projetado de gasolina pelo país nos próximos 10 anos, e propôs um aumento obrigatório, de cinco vezes, da produção de combustíveis alternativos, para cerca de 132 bilhões de litros, até 2017.

O etanol a partir do milho é o substituto primário para a gasolina e a produção é de cerca de 26 bilhões de litros por ano. Mas especialistas do setor e autoridades do governo estimam que o etanol de milho possa, no máximo, suprir metade do combustível alternativo proposto por Bush.

O futuro, dizem muitos especialistas, está no etanol celulósico, mas ele permanece em estágio de desenvolvimento e está competindo por dinheiro de pesquisa com tecnologias como biodiesel, células de combustível de hidrogênio e carvão liquefeito. A maior usina de etanol celulósico é uma instalação de demonstração no Canadá, construída pela Iogen Corp., com sede em Ontário, que produz cerca de 4 milhões de litros por ano.

Uma instalação de escala comercial precisaria de uma capacidade anual de 150 milhões de litros ou mais por ano, disse Robert Dineen, presidente da Associação de Combustíveis Renováveis, que representa os produtores de etanol.

O presidente propôs aumentos significativos nos gastos para o desenvolvimento de energia alternativa, incluindo cerca de US$ 50 milhões por ano para pesquisa de bioenergia, US$ 15 milhões por ano em subsídios para projetos de biomassa e cerca de US$ 2,1 bilhões em linhas de crédito para empresas que estão construindo usinas de etanol celulósico.

Mas os democratas no Congresso criticam Bush por gastar mais dinheiro em tecnologias baseadas em carvão e energia nuclear. Em seu orçamento, Bush propôs um gasto de US$ 863 milhões em programas relacionados a combustíveis fósseis, um aumento de 33% em comparação ao seu pedido para 2007. O aumento inclui mais de US$ 500 milhões para várias formas de tecnologia de "carvão limpo".

Bush também propôs gastar US$ 875 milhões em pesquisa e desenvolvimento de energia nuclear, um aumento de 38%. Destes, Bush pediu US$ 405 milhões para sua proposta Parceria Global de Energia Nuclear, um plano para desenvolver enriquecimento de urânio com outros países. O orçamento do governo também pede pela oferta de até US$ 9 bilhões em linhas de crédito para uma nova geração de usinas nucleares.

Bush quase não fez referência ao aquecimento global e mudança climática na quinta-feira, apesar de sua meta de redução do consumo de petróleo estar estreitamente relacionada à redução dos gases responsáveis pelo efeito estufa.

Ele manteve sua atenção na meta de segurança de energia, reiterando seu apoio a mais energia de carvão e nuclear. "Nós temos cerca de 250 anos de reservas de carvão neste país", ele notou, acrescentando que "faz sentido" utilizá-las.

Alguns grupos ambientais se queixaram sobre a definição de Bush de combustível alternativo incluir carvão liquefeito, que poderia produzir ainda mais gases responsáveis pelo efeito estufa do que a gasolina.

Mas o presidente pareceu demonstrar entusiasmo genuíno pelo etanol celulósico, interrompendo freqüentemente os executivos da Novozymes para pedir que simplificassem as explicações técnicas.

A certa altura, Bush interrompeu para explicar que o etanol de milho não era capaz de fornecer combustível alternativo suficiente, porque a demanda de etanol já está superando a oferta. "Nós temos muitos criadores de porcos nos Estados Unidos, muitos deles aqui na Carolina do Norte, que estão começando a sentir o impacto do aumento do preço do milho", disse. "Assim, a pergunta é, como obter sua meta de menor dependência do petróleo sem quebrar seus produtores rurais - sem quebrar seus criadores de porcos?"

"Esta é a resposta: você desenvolve novas tecnologias capazes de produzir etanol a partir de lascas de madeira, de capim ou refugos agrícolas." George El Khouri Andolfato

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